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Creed (2015)

Com Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Phylicia Rashad, Anthony Bellew. Roteirizado por Ryan Coogler, Aaron Covington. Dirigido por Ryan Coogler.

A passada de bastão de um personagem para outro é um tema batido, mas muito bem desenvolvido nesse emocionante filme.

9/10 - "tem um Tigre no cinema"Fazendo aquela rápida retrospectiva de 2015, ano de origem do filme, Creed: Nascido Para Lutar entra naquele rol de produções milionárias, com apoio de grandes produtores e estúdios, mas com alma. Verdadeiramente o novo round de uma franquia já querida por tantos tem um dos elementos que mais criticamos em Hollywood: as continuações. Porém, devemos dar admitir que esse filme renova ao mesmo tempo que honra o material original. Sem perder o foco ao encontrar sua própria assinatura e caminho.

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O ano que passou, apesar da Academia fazer parecer o contrário, foi um bom ano para a representatividade. Ainda que vida atual de Donnie (Jordan) representar, se muito, 1% da população mundial, sua vida pregressa foi escrita com muita luta. A cena inicial dele ainda criança se virando nos conturbados anos 1990 – onde as tensões raciais eram enormes nos EUA – é bem representante disso. O então garoto só relaxa os punhos, num signo muito interessante, depois de ouvir algumas gentis palavras de Mary Anne Creed (Rashad). Talvez as primeiras em muito tempo.

Esses primeiros minutos já mostram a qualidade de Ryan Coogler na direção – pode ser difícil admitir, mas, nesse quesito, o filme é superior a todos os outros da franquia – e vê-lo trabalhando com planos sequência é outra marca interessante. Já adulto, acompanhamos pela câmera a carreira de Donnie não apenas como espectadores, mas com ele. Nessa decisão estética seguimos seus passos, sentimos cada golpe e até suas quedas, como na cena do ginásio que ele se acha melhor do que é e cai depois de alguns golpes de um campeão. Esse estilo atinge seu ápice na primeira luta profissional do personagem: o plano sequência que dura aproximadamente cinco minutos é de tirar o fôlego e mostra a qualidade tanto do diretor quanto do ator.

A história é de Donnie, mas é impossível não prestar atenção no nosso querido Rocky (Stallone). A história de Coogler e Covington para o agora mestre funciona tanto no arco dramático quanto no da comédia. Percebemos isso em dois momentos logo no início. Rocky, num monólogo, conversa com seus entes falecidos Adrian e Paulie e diz como é difícil escalar o monte em que os dois estão enterrados. Mas, para não ficar nesse clima melancólico por muito tempo, há uma boa piada mostrando a dificuldade de Rocky quando Donnie diz que já guardou o treino que ele lhe passou na nuvem. Pode parecer meio óbvio quando o ex-pugilista olha para cima com cara de interrogação, mas é o suficiente para uma risada sincera.

Revisitando o filme na mente, é interessante notar como ele se desenvolve visualmente, como o cinema deve ser. Mostre, não fale. Nada de flashbacks, narrações off. Ao invés disso, reflexões. Quando Rocky senta para ler um jornal ao lado dos túmulos e olha para céu e para por um momento, entendemos que aquela não era a vida que queria. Quando Donnie recomeça sua vida num apartamento pequeno e quase minimalista – notem quem nem uma cama ele tem – é porque ele quer criar uma identidade do zero. Até mesmo coisas que parecem sem sentido à primeira vista, como Doonie penteando os cabelos de Bianca (Thompson), servem para criar a personalidade do rapaz. O roteiro escapa inclusive de ter um antagonista maniqueísta como em Rocky III.

E o que filme tem a ver estruturalmente com a franquia é o que precisa ser. Rocky sempre teve a luta de boxe como pano de fundo, e não seu motivo principal. É tudo preparação, superação, aprender com os próprios erros e levantar quantas vezes for preciso, como ouvimos em Rocky Balboa (2006). De resto, fora a presença de Rocky, há um ar de frescor. Até mesmo em termos de música o diretor se contém e não cai na tentação de usar a música de Bill Conti até que o momento seja propício. Tanto que só identificamos os acordes familiares na trilha de Ludwig Göransson na sugestiva música You’re a Creed.

Seja nos momentos duros e melancólicos – é difícil ver Rocky debilitado e, mais uma simbolicamente, encostado no fundo do ginásio junto à pôsteres antigos –, nos emocionantes ou nos engraçados – como a comemoração em grande estilo depois da primeira vitória – Creed: Nascido para Lutar é filme que ótimos do começo ao fim, seja nos detalhes técnicos, nas novidades apresentadas ou no carisma do trio Rocky-Donnie-Bianca. Enfim, não vai ser difícil cada um de nós acharmos bons motivos para amar a nova história e acompanharmos a trajetória do novo Creed enquanto se afasta do pesado nome do pai e do boxeador mais conhecido da história do cinema.

Creed: Nascido Para Lutar | Pôster brasileiro

Sinopse oficial
Adonis Johnson (Jordan) nunca conheceu seu famoso pai, o campeão mundial peso-pesado Apollo Creed, que morreu antes dele nascer. Ainda assim, é inegável que o boxe está em seu sangue, então Adonis vai para Philadelphia, o local da lendária luta de Apollo Creed contra um aguerrido novato chamado Rocky Balboa.
Já na Cidade do Amor Fraternal, Adonis encontra Rocky (Stallone) e pede para que ele seja seu treinador. Apesar de sua insistência em se afastar do mundo das lutas por bons motivos, Rocky enxerga em Adonis a força e a determinação que ele conheceu em Apollo – seu feroz rival que acabou se tornando seu melhor amigo. Concordando em ajuda-lo, Rocky treina o jovem lutador, mesmo que para isso o antigo campeão tenha que desafiar um oponente mais mortal do que qualquer um que ele já tenha enfrentado no ringue.
Com Rocky em seu corner, não demora muito para que Adonis tenha sua chance de disputar o título… mas será que ele pode desenvolver não somente o jeito, mas também o coração de um verdadeiro lutador a tempo de entrar no ringue
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CREED

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