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O novo capítulo da saga Insidious, Sobrenatural: A Origem, é tão eficiente e assustador quantos os anteriores, apesar de alguns problemas.

Sobrenatural: A Origem, 2015

Com Dermot Mulroney, Stefanie Scott, Angus Sampson, Leigh Whannell, Hayley Kiyoko, Michael Reid MacKay e Lin Shaye. Roteirizado e dirigido por Leigh Whannell.

7,5 - "tem um Tigre no cinema"Os tempos não são muitos bons para quem é3 fã de terror, então é gratificante ver que alguns cineastas ainda podem te assustar. Em relação aos seus antecessores, Sobrenatural: A Origem peca em alguns momentos da falta de sutileza quando se trata da relação do outro mundo. Há um problema também no termo origem, já que a produção se preocupa mais em contar outro episódio da saga Insidious do que falar dos males que afetam a família Lambert nos filmes anteriores. O que é fantástico. Ao invés de esticar aquela história, o diretor buscou algo original enquanto trouxe rostos familiares para nos sentirmos em casa.

Um bom filme de terror consegue deixar a audiência tensa, e isso é bem palpável nessa produção. Existem pessoas mais exageradas, outras mais contidas, mas o que temos aqui é um bom exemplo onde os sustos funcionam fugindo do clichê de jogar coisas na sua cara – não que eles inexistam, porém os mais interessantes são o que brincam com a maneira clássica de assustar. Então, nem sempre vemos aquela figura vinda do fundo escuro da tela ou do lugar que mais esperávamos, e essa sensação tenebrosa que a protagonista passa é competentemente transferida para nós por Whannell em muitos momentos.

Dois momentos são bem marcantes e bons exemplos disso. Numa das vezes em que Quinn (Scott) vê O Homem que não consegue respirar (MacKay) vindo em direção dela, o espírito despenca – por falta de palavra melhor – para o chão. A garota, num misto de terror e descrença vai olhar embaixo da cama, um clássico elemento do terror, e o diretor nos surpreende invertendo o movimento que a jovem faz, e o elemento assustador vêm de fora do quadro, acima da cabeça da já torturada Quinn. Aliás, esse espírito habilmente tortura a personagem, o que nos faz imaginar o que tipo de homem ele era no passado. Que cena cheia de horrores é quando o ser joga a garota no chão (que não pode se mover por estar com as pernas quebradas), e então se dirige calmamente à janela para fechar a cortina, à porta para encostá-la e ao laptop para acabar com todas as fontes de luz do quarto. É uma espera agoniante, no mínimo.

Ainda falando em visual, Whannell também consegue contar a história dos personagens apenas mostrando elementos cênicos, como o fato de Quinn vestir rosa, uma cor quase inocente, antes de passar os portões vermelhos para se encontrar com Elise (Shaye), dona de uma sombria casa. Interessante que a casa é uma representação da própria situação da médium, já que aquele é o seu lugar de refúgio e conforto, mas a escuridão está sempre presente por tudo o que ela já passou. Só por esses elementos, o roteiro e direção mostram que não há escapatória do destino a ser encontrado por ela em Sobrenatural (Insidious, 2011).

Outros momentos em que o diretor mostra sem palavras são o que reforçam a personalidade jovem e inconsequente de Quinn – como atravessar a rua sem olhar no começo do primeiro ato, que justifica seu atropelamento – o caos que a ausência de sua falecida mãe reflete na casa por meio de copos sujos e da geladeira vazia, além da própria personalidade da jovem que é indicada pelas decorações na parede e na porta do quarto.

E há mais momentos técnicos dignos de serem notados: o plongé na morte e ressureição de Quinn logo após o acidente; a importância do silencio quando a protagonista está morta por esses breves instantes; como a fotografia joga uma sombra em Elise enquanto conta para Sean (Mulroney) sobre o suicídio do marido; um plano de isolamento onde a médium viaja para longe; e o design de produção do lugar de sofrimento onde outras mulheres que também foram vítimas do Homem estão são excelentes. Além disso, há uma cena em que o design de som em particular nos aflige extremamente, onde a semipossuída (aliás, outro conceito interessante e visualmente perturbador) Quinn tenta andar com as pernas ainda quebradas, e percebemos aquele som de osso se esmigalhando, uma coisa pavorosa de se escutar.

Mas também existem problemas. Há um exagero no modo que Elise lida fisicamente com os espíritos (se essa palavra pudesse ser aplicada no plano espiritual), na tentativa de ligar forçadamente esse filme com o de 2011, além a presença de um amigo/interesse que simplesmente some da narrativa. E é bem incômoda a presença de um fantasma que se torna um ex-machina para a solução final.

Sobrenatural: A Origem | Pôster brasileiro

Por ser tão aterrorizante quanto seus antecessores, Sobrenatural: A Origem é muito eficiente na sua proposta, e sabe dosar os momentos cômicos, mais uma vez com a presença dos caça-Fantasmas fajutos Specs (Whannell) e Tucker (Sampson). Diria que facilmente existem pelo menos cinco sustos dignos de pular da cadeira – ainda que um deles seja bem forçado com a clássica aparição do nada junto da música que sobe de repente – o que será suficiente para você olhar para aquela coisa no canto escuro do seu quarto de maneira diferente. Por outro lado, é uma pena notar que os bons últimos filmes do gênero – o próprio Sobrenatural, Invocação do Mal e Sobrenatural: Capítulo 2 (ambos de 2013) – excluindo produções como Babadook e Corrente do Mal (os dois de 2014), tem a mão de James Wan. O que é um retrato de como o gênero está perigosamente indo para um caminho cada vez mais desinteressante.

Sinopse oficial

“O mais novo capítulo da aterrorizante série de terror Sobrenatural (Insidious) é escrito e dirigido pelo co-criador da franquia, Leigh Whannell. Este filme assustador, que antecede os acontecimentos que assombraram a família Lambert, revela como a medium Elise Rainier (Lin Shaye) relutantemente concorda em usar sua habilidade em contatar os mortos para ajudar uma jovem garota (Stefanie Scott) que tem sido alvo de uma perigosa entidade sobrenatural.”

Veja o trailer de Sobrenatural: A Origem

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