0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Filament.io 0 Flares ×

"R.I.P.D.", 2013

Com Jeff Bridges, Ryan Reynolds, Kevin Bacon, Mary-Louise Parker, Stephanie Szostak, James Hong e Marisa Miller. Roteirizado por Phil Hay e Matt Manfredi. Dirigido por Robert Schwentke (Te Amarei Para Sempre | RED).

5/10 - "tem um Tigre no cinema"Existem fórmulas que são repetidas porque já funcionaram. Um dos clichês mais utilizados é a parceira policial, com um personagem mais experiente e um novato. “R.I.P.D. – Agentes do Além” é só mais um desse estilo. Tem momentos espirituosos e até divertidos, que se perdem em outros filmes do gênero. Sua colcha de retalhos de outras histórias não sustentam a produção, sendo apenas um entretenimento efêmero, onde os personagens são poucos interessantes, tendo graça mesmo nos seus inesperados disfarces.

Nick Walker (Reynolds) é um policial de Boston que junto do parceiro Bobby Hayes (Bacon) encontra um baú cheio de ouro. Antes determinado à mantê-lo, Nick tem uma crise de consciência e decide entregar a evidência às seus superiores, atitude que o parceiro concorda. Porém, durante uma invasão em um armazém, Bobby atira em Nick para ficar com o ouro. Morto, ele é recebido no pós-vida pela agente do R.I.P.D. (Rest in Peace Department) Mildred Proctor (Parker). Por causa de suas habilidades enquanto vivo, Nick é convocado para fazer parte da Força Policial do Além, ao lado do veterano Roy Pulsipher (Daniels), um marshall do século XIX. Para ganhar pontos no Julgamento Final, Nick se junta à agência para trazer de volta ao mundo dos mortos aqueles que não deveriam ter saído de lá. E nisso, o policial descobre que um dos casos pode estar ligado à sua morte.

Falando de novo de clichês, é impossível não ligar a estrutura do filme à tantos outras. Em especial “MIB – Homens de Preto” (MIB, 1997): um esquadrão para lidar com forças extraterrenas, com armas especiais e num mundo que ninguém sabe a existência. Mas o departamento tem suas  peculiaridades, como os profissionais de várias épocas que andam pelos corredores – você nota uniformes e penteados variados . A idade avançada do departamento também tem um design de produção interessante, com mecanismos gigantes e pneumáticos.

A forma de disfarçar dos agentes é a melhor parte do filme. O avatar de Nick é o inofensivo chinês Jerry Chen (Hong), enquanto o de Roy é a voluptuosa Opal Pavlenko (Miller). Para disfarçar mais suas identidades, até as armas que carregam são vista por olhos humanos como outros objetos. Então, os dois parecem malucos ao apontar uma banana ou secador de cabelos para seus alvos. É hilário.

Num primeiro momento, é interessante a oposição que Schwentke cria no cenário que divide as vidas de Nick. Casado com Julia (Szostak) a fotografia tem tons dourados, e a casinha onde os dois vivem é diferente das outras na rua, mais colorida e agradável de se ver. Como policial, o diretor adota uma estética de videogame, com planos médios ao colocar a câmera acima dos ombros do protagonista,  cortes rápidos e zooms fortes, o que em 3D é aproveitada, ao usar a grande profundidade de campo e mantendo a ação em foco. Em especial, o tridimensionalismo é usado com competência na cena da morte de Nick, onde tempo congela – algo que já vimos em “Constantine” (Constantine, 2005) – e passamos por nuvens, um avião e um portal interdimensional com centena de almas. Bom ponto da produção, mostrando que de algum jeito todos somos iguais na morte.

"R.I.P.D. - Agentes do Além" - poster brasileiro

” R.I.P.D. – Agentes do Além” tem alguns momentos interessantes. Nick não é um policial perfeito – desde o começo ele faz algo contra o regulamento – o que o torna humano. Roy é um desgraçado, ao ponto de não se importar em usar o parceiro como amaciador para uma queda. Além da mencionado avatar, outros momentos rendem risadas, como a da loja de conserto de videocassetes, e um questionamento muito válido aos seres superiores dos “Assuntos Eternos”, uma piada com o “assuntos internos”: por que criar algo que pode dar um fim ao trabalho que é feito por anos? Como a maioria dos questionamentos divinos, ficamos sem resposta. Infelizmente, a história é arrastada e parece mais longa que seus 96 minutos, com um Jeff Bridges caricato demais e um protagonista carismático de menos. Pela efemeridade prestada, é só mais um filme de ação. Nem tudo de ruim, mas também não é o suficiente para uma revisita nos próximos anos.

Volte para a HOME