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The Bag Man, 2014

Com John Cusack, Rebecca Da Costa, Robert De Niro, Crispin Glover e Dominic Purcell. Roteirizado por David Grovic e Paul Conway. Baseado na história de Marie-Louise von Franz. Dirigido por David Grovic.

2/10 - "tem um Tigre no cinema"A jornada é importante, sem dúvida. Mas de que adianta se o pouco aprendido for destruído no fim? Pois isso que Profissão de Risco faz ao homenagear o esquecido estilo noir, que tem momentos interessantes. Mas tudo se perde no terceiro ato e no desnecessário epílogo, parecendo uma exigência insana do estúdio ou de um produtor. Seja lá de quem for a culpa, transformou a produção num dos filmes mais sem propósito dos últimos tempos.

Jack (Cusack) é um assassino profissional que vai fazer um serviço inusitado para seu chefe Dragna (De Niro), que é buscar uma mala e entregar para ele num motel no meio do nada. O pagamento o deixará rico, mas com uma condição: nem Jack nem ninguém pode olhar o conteúdo. Enquanto espera Dragna aparecer, ele se envolve com a prostituta Rivka (Costa) e cruza com outros que parecem estar atrás da mala também.

Também com tons de thriller, o roteiro tem uma premissa interessante e relativamente simples. A guarda da mala e não olhar o que há dentro dela são ordens bem seguidas por Jack, que não vê necessidade, há princípio, de contrariar o chefe. Diferente da audiência, mesmo que a mala venha a ser um MacGuffin. Porém, o mistério é como saber que Jack não olharia a mala. Poderia ser um blefe, ou algo que mudaria a vida do personagem. A dúvida não sairá da cabeça de ninguém. Infelizmente, é um dos poucos pontos interessantes da história.

Um dos problemas estruturais do roteiro é ser caricato demais. Jack é violento, mas tem um código de honra que irá colocá-lo em maus lençóis. Rivka é a femme fatale que vai fazer isso acontecer. Existe até o grupo de policias idiotas, liderados pelo Xerife Larson (Purcell). Mais um vez, não é o clichê em si, mas como é usado: não existe dúvida nenhuma que os papeis representados são esses, e o diretor expõe tão superficialmente seus personagens que não existe espaço para surpresas. Há uma pequena exceção em Ned (Glover), o gerente do hotel que apresenta uma psicopatia interessante, mas pouco explorada. Fora isso, David Grovic usa sinais óbvios demais, como o vermelho que cobre tanto o lado de dentro e o de fora apartamento 13, que vemos ser o único com uma cor diferente dos outros, todos iluminados por lâmpadas azuis.

Há uma monotonia implícita na situação do filme, e que o diretor tenta contornar ao tirar Jack do motel para ajudar Rivka a fugir da cidade. Eventualmente, mesmo com outras idas e vindas – a mala chega a ser enterrada e desenterrada mais de uma vez – o filme se torna cansativo, e poderia perder facilmente alguns minutos na sala de montagem. Por isso, apesar de seus 100 minutos, existe pouco para se destrinchar.

Profissão de Risco - poster brasileiro

A resolução do mistério é interessante e funciona. No entanto, é no seu fechamento que o filme realmente estraga. Há uma luta no escuro que poderia ser bem mais tensa se um dos participantes não parasse de falar e citar A Arte da Guerra – que pelo jeito ele não leu, porque estava entregando a própria posição. Mesmo que o filme dispensasse o seu epílogo, ajudaria pouco. Com muita explicação, justificativas e, talvez o pior, não levando até o fim o clima noir, incluindo uma cena diurna, Profissão de Risco – péssima adaptação, já que existe um filme com Johnny Depp com o mesmo nome – trata o espectador como incapaz de tomar as próprias conclusões. Nada, mas nada mesmo justifica um final daqueles, um dos mais covardes que vi nos últimos anos.

Veja abaixo o trailer de Profissão de Risco.

 

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