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A Vigilante do Amanhã: Ghost in The Shell funciona como homenagem ao original, mas prefere focar mais na ação e menos na filosofia.

A Vigilante do Amanhã: Ghost in The Shell (Ghost in the Shell) | 2017

Elenco: Scarlett Johansson, Michael Pitt, Pilou Asbæk, Chin Han, Juliette Binoche, Takeshi Kitano | Roteiro: Jamie Moss, William Wheeler, Ehren Kruger | Baseado em: Ghost in the Shell (Masamune Shirow) | Direção: Rupert Sanders (Branca de Neve e o Caçador) | Duração: 106 minutos | 3D: Relevante

O maior desafio de falar de A Vigilante do Amanhã: Ghost in The Shell é segurar a tentação de compará-lo com o original. Depois dessa árdua tarefa, e levando em conta que o ideal é entrar na sala de cinema sem expectativas, o filme se segura muito bem na maioria dos seus quesitos. História, ritmo, personagens e efeitos especiais são mais que satisfatórios e com certeza serão suficientes para manter a atenção da plateia. Sanders e companhia, no entanto, preferem uma abordagem com mais ação, explicações e falatórios ao invés de entrar na filosofia do que faz um ser humano um ser humano, com soluções fáceis e ex-machinas para uma audiência pasteurizada e acostumada com blockbusters.

Tentando se desarmar dessa comparação – é difícil, admito – tentamos apreciar o filme pelos seus próprios méritos. O diretor não esconde o universo que se inspirou usando alguns ângulos de câmera iguais ao anime de 1995. E quando não faz isso, Sanders usa elementos tirados dessa mesma animação para fazer a sua versão – um caminhão de lixo, um cachorro, o ciborgue com dedos que se desmembram. Aí fica a dúvida se o diretor conseguiria criar algo tão grandioso assim do zero. E nem me refiro ao visual do filme, que está espetacular, mas sim ao clima que a história passa, mesmo que a visão filosófica seja pouco aprofundada.

A parte mais crível da história, e que o roteiro não faz nenhuma questão de esconder, é que a existência da Major Mira (Johansson), que é chamada praticamente pelo seu posto, faz parte de um grande plano de torna-la uma arma viva. A cena da construção do corpo, de novo tomada da versão de Shirow, é cheia de detalhes vivos e que fazem a personagem sair de um líquido aquoso, que pode ser comparado com o amniótico, como se renascida, o primeiro batismo que vemos em tela. E ficamos ligeiramente atiçados com a visão quase subjetiva da cena inicial, uma tarja do Projeto 2571 (outra referência) e a conversa da Dra Oulet (Binoche) com o CEO da Hanaka.

Apesar da produção enveredar para a ação, o filme é equilibrado no geral. Ainda que as conversas existenciais entre a Major e Batou (Asbæk) sejam contidas e curtas, a adaptação de Moss e Wheeler não perde o ritmo quando entra nessas questões e nem se deixa levar por efeitos especiais para sustentar a história que estão contando. É impossível não notar o cenário uma Tóquio pulsante e viva, cosmopolita que ao misturar línguas (com um sentido por causa da tecnologia) que dá um sentido prático na escolha de uma atriz branca para uma personagem originalmente oriental – além da questão do estúdio querer de volta muito mais que investiu financeiramente.

Várias vezes é preciso forçar a atenção para esquecer comparações, mas fica cada vez mais difícil. Existe um incomodo quando se começa a perceber que, mesmo com um equilíbrio narrativo, essa é uma versão que se preocupa mais em falar do que mostrar. Quer dizer que o roteiro prefere explicar tudo, inclusive a motivação de Kuze (Pitt) – engraçado que por ser uma máquina, ele é o mais perfeito dos deus ex machina – tirando o lugar da investigação que poderia ficar nas mãos de Batou ou até de Han (Han). Por outro lado, há uma mudança que é bem-vinda, perto da conclusão da história, onde a Major ganha mais protagonismo.

O que acontece, em geral, é que a história é uma atualização da história de Shirow. Com maior tempo de projeção, os outros personagens ganham mais profundidade, sendo a mais interessante é o chefe da Seção 9, Aramaki (Kitano) – e ninguém mexe com Kitano San, convenhamos – e para a própria Major, que ganha um passado que consegue até brincar com o elemento do “fantasma” quando ela faz uma visita a uma parte de Tóquio até então desconhecida para nós. Também é ampliado aquele signo comentando acima sobre o batismo, quando a Major passa por um novo renascimento depois do encontro com Kuze.

Então essas lacunas novas não ficam tão vazias de sentido, apesar de ficar bem claro que a premissa era ter mais ação, inclusive com alguns exageros estéticos como câmeras lentas ou aquela cena que emula um filme de terror, com a música que grita e braços frios e escuros puxando a personagem numa representação do medo. A estética passeia entre o multicolorido com leds, projeções 3D em todo lugar e avanços tecnológicos, mas se preocupa também na construção da protagonista – e podemos notar como seus trajes passeiam entre o branco e o preto de acordo com o estado de espírito da personagem.

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell não é tão ousado como o original: podemos tratar como uma homenagem à animação, mesmo com a polêmica do whitewashing – inclusive o tema vira uma crítica interessante dentro da narrativa – o que pode servir como porta para conhecer a versão de 1996. A questão é que não há muito o que falar porque as decisões diferentes não se sobressaem a ideia original, apenas complementam sem que haja uma necessidade clara para isso. Assim como outros remakes, esse fica à sombra do original e sofre do grande mal hollywoodiano onde tudo tem que ser pensado na possibilidade se tornar uma franquia.

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell | Trailer

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell | Pôster

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell | Cartaz

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell | Galeria

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Créditos: Paramount Pictures/Divulgação

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A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell | Sinopse

Num futuro próximo, a singularidade começa a se tornar uma realidade. A Major (Johansson) é o primeiro ser com um corpo totalmente cibernético, mas com um cérebro humano, o que a transforma numa ideal arma de combate ao terrorismo. Agora um hacker que tem a habilidade de invadir outras redes e robôs pode ser a chave para o passado da Major.

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