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Uma Manhã Gloriosa deixa em segundo plano a comédia romântica e traz um humor inteligente e refinado.

Uma Manhã Gloriosa

Com Rachel McAdams, Harrison Ford, Diane Keaton, Patrick Wilson e Jeff Goldblum. Escrito por Aline Brosh McKenna (O Diabo Veste Prada). Dirigido por Roger Michell (Um Lugar Chamado Nothing Hill). Recém-demitida de um cargo de diretora de um programa matinal na TV americana, Becky Fuller (Rachel) é contratada por outro canal para um outro programa matinal, que tem muitos problemas e pouca audiência. Ela tenta agitar as coisas ao colocar como novo co-âncora: Mike Pomeroy (Ford), um rabugento repórter renomado.

É interessante ver que as comédias perdem seu lugar no cinema. Como elas saem aos montes, assim como novelas, é difícil ver algum filme que se destaque no meio de tanta normalidade. “Uma Manhã Gloriosa” apostou num grande elenco, pegou uma história romântica, mas a deixou a segundo plano, e adicionou as situações da vida moderna de uma workaholic. Essa trinca segura o desenvolvimento do filme, e, apesar de não ser nada de novo, consegue segurar o espectador com um humor inteligente, refinado e que faz a principal tarefa de uma comédia: nos fazer rir.

O filme é tão frenético quanto a vida de Becky. Literalmente, não para um minuto. Mesmo quando você sente que a vontade dela é jogar tudo pro alto e chorar, não acontece. A personagem é forte e tem um ar muito doce, e até “fofo” de Rachel McAdams. Mesmo quando a mãe da personagem diz que o sonho morreu, ela se segura com um olhar de reprovação, mas também com uma certa ternura. E quando você acha que ela vai se perder na primeira reunião, já que todos falam ao mesmo tempo e stão perdidos, ela se mostra atenta e responde à todas as perguntas, e até demite o cô-ancora. Essa ousadia já lhe dá um certo status na emissora.

Coleen Pack (Diane) é a âncora que sabe que alguma coisa precisa ser mudada, mas não sabe bem o que e nem ao menos confia no trabalho de Becky, dizendo que ela não duraria duas semanas naquele programa onde as portas sempre estão com as maçanetas quebradas. O diretor usou de um artifício clássico aqui, mostrando o ambiente caindo pedaços, como a vida profissional dos envolvidos. E, no outro extremo de Becky, temos Mike Pomeroy, numa incrível atuação de Harrison Ford. Ele não esconde seu desprezo por todos à sua volta e com o programa, pois ele foi ganhador de tantos prêmios jornalísticos sérios que essa é a sua defesa. Além de não querer perder o dinheiro que a emissora ainda lhe deve como salário.

O filme é altamente iluminado, o que me incomoda um pouco. Por ser uma comédia, é tudo brilhante. Chega ao cúmulo de Becky se encontrar num bar com o personagem de (Wilson) e do lado de fora estar um sol de 17h! Por mais que fosse horário de verão, duvido muito que estaria tão claro assim em Nova York. Detalhe é que em outra cena, no mesmo horário, a luz do lado de fora já é mais cálida, realmente anunciando o fim do dia. A única vez em que um ambiente fica apenas à meia-luz é quando Becky vai levar Mike até o seu apartamento, e as luzes estão quase todas apagadas, para mostrar que ele é um personagem mais “sombrio”. O filme passa por um assassinato musical, com Michael Bublé cantando “Stuck in the Middle With You“, música que aprendi a ligar apenas à “Cães de Aluguel“. No fim das contas, um filme colorido e divertido, que vai te fazer dar boas risadas. Encare como os bastidores de Ana Maria Braga. Só não espere um grande clássico.

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