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Legend of Sanctuary

Com Ayaka Sasaki, Kaito Ishikawa, Kenji Akabane, Kenshō Ono, Nobuhiko Okamoto e Kenji Nojima. Roteirizado por Tomohiro Suzuki, baseado nos personagens de Masami Kurumada. Dirigido por Keiichi Sato.

3/10 - "tem um Tigre no cinema"Num longínquo 1994, estreava Os Cavaleiros do Zodíaco. Para muitos, o primeiro contato com animês. Vinte anos depois, os fãs tem a oportunidade de rever esses personagens no cinema com Os Cavaleiros do Zodíaco – A Lenda do Santuário, uma releitura da Saga das Doze Casas. O filme tem pontos interessantes, mas pontuais. Para este fã, um desrespeito. Como cinema, desinteressante, bagunçado e com ritmo louco e irritante.

Saori Kido (Sasaki/Quinto) descobre que é a reencarnação de Athena, a deusa da Guerra e protetora da Terra. Ao lado dos Cavaleiros de Bronze Seiya de Pégaso (Ishikawa/Baroli), Shiryu de Dragão (Akabane/Sodré), Hyoga de Cisne (Ono/Bretas), Shun de Andrômeda (Okamoto/Bezerra) e Ikki de Fênix (Nojima/Camilo) ela deve ir até o Santuário para retomar seu lugar de direito. Mas para isso, os cinco jovens terão que passar pelas Doze Casas que guardam o lugar e seus protetores: os poderosos Cavaleiros de Ouro.

A principal desconfiança desse filme se confirma: a Saga da Batalha das Doze Casas tem cerca de 30 episódios e, resumidos num filme de 90 minutos simplesmente não funciona. Primeiro, a história pregressa é recontada de maneira diferente, o que toma tempo considerável. Mas é nesses primeiros momentos que o filme funciona. A fuga de Aiolos de Sagitário (Morikawa/Porto) ocorre como se no espaço, e os golpes dele, de Shura de Capricórnio (Kawada/Moura) e Saga de Gêmeos (Yamadera/Baroli) são cometas, raios, estrelas e todo elemento ligado ao cosmo, o que faz uma batalha realmente cósmica. Sem dúvidas, ponto para a produção.

Notamos o problema de ritmo logo em seguida. Saori não sabe que é a reencarnação de Athena, e descobre isso no seu aniversário de dezesseis anos. Ela ouve a história do passado, de quem eram os cavaleiros e de sua origem dentro de uma limusine, história contada por seu mordomo. A coisa mais importante da vida da personagem tem que ser contada como se estivessem discutindo se vão comprar pão fatiado no caminho de casa simplesmente por que não há tempo. Até aqui, já se foram dez minutos de filme.

A apresentação dos Cavaleiros de Bronze para salvar Saori funciona. As lutas são realmente rápidas e o design das armaduras está interessante, apesar de lembrar muito pouco as originais. E tudo é modernizado, de um jeito que aproxima ciência e mágica, como as armaduras serem guardadas em outra dimensão e chamadas por pingentes – bem mais prático que carregar uma urna nas costas. E portais é a coisa favorita do diretor, que também os usa para que Saori e seus protetores viagem até o Santuário que, ao invés de ficar numa Grécia real, existe em outra dimensão. De novo, ótimo conceito.

O que não falta é ação, e até a luta entre Aiolia de Leão (Inoue/ Lobue) contra os cavaleiros de Bronze está tudo muito bem, principalmente quando vemos o cavaleiro de ouro passando entre os de bronze em slow motion, reforçando que ele é ainda mais rápido. Interessante, mas nada de novo, se formos pensar, e não prejudica o filme.

Então, o filme desanda. Com novas origens e novos detalhes a se contar, a passagem dos cavaleiros de bronze pelas doze casas é extremamente problemática. Serão nove personagens a serem combatidos em cerca de 60 minutos de filme. Você sabe no seu intimo que não vai dar certo. E não dá.

Tomohiro Suzuki simplesmente colocou um adversário justaposto ao outro – e esse é um eufemismo para tocou o f***-se – e esqueceu-se de contar uma história que fizesse algum sentido. A disputa contra Mu de Áries (Miyamoto/Campos) e Aldebaran de Touro (Koyama/ Artnic) ainda flui bem, introduzindo algum background – como Shiryu ser pupilo do Cavaleiro de Ouro de Libra e já conhecer Mu – e mostrar o potencial de um simples cavaleiro de Bronze.

Mas depois disso, é ladeira abaixo – ou acima – para espremer as lutas. A luta contra Máscara da Morte de Câncer (Hirata/ Filho) é um interminável stand-up comedy do personagem – que virou um tipo de Jack Sparrow – e assim as outras batalhas são mais apertadas ainda, ao ponto de não existir uma luta contra Shaka de Virgem (Madono/Silveira) e Afrodite de Peixes (Kirimoto/ Guarnieri). Além disso, Milo de Escorpião (Asano/Goiabeira) chuta dois cavaleiros para a Casa de Sagitário onde Shura está esperando lá por não outro motivo além de correr contra o relógio.

Bom-senso passa longe da produção. Não são citadas as passagens pelas Casas de Libra e Gêmeos, e Hyoga volta da casa de Aquário, onde derrotou seu mestre Kamus (Namikawa/Castro), para a de Câncer só porque o roteirista achou conveniente. Não há nenhum motivo lógico para isso acontecer.

E há a batalha final. Tão decepcionante, clichê e lugar comum e atende a aparente necessidade de transformar tudo que é obra japonesa em Super Sentai, unindo objetos ou enfrentando um monstro gigante. Até aqui, a crítica foi sobre o filme em si.

Agora, se tratando da homenagem ao original, é uma frustração imensa. Perdeu-se quase tudo que fazia Cavaleiros do Zodíaco interessante: a busca pela superação, um passo atrás do outro; o conceito do sétimo sentido; a dualidade do Cavaleiro de Gêmeos; e o pior: perdemos as melhores batalhas. Infelizmente, não vemos Ikki lutar contra Shaka – que vira um mero deus ex machina ao libertar Aiolia do controle do Mestre do Santuário – nem Shiryu contra Shura, tampouco Shun e Afrodite – que morre apenas para acelerar a trama.

Os Cavaleiros do Zodíaco – A Lenda do Santuário | Pôster brasileiro

Não se pode culpar o tempo do filme. Se os produtores anunciassem que teríamos dois – ou até três – recontando a Saga das Doze Casas, vocês podem crer que os fãs lotariam o cinema duas vezes. Não há os sacrifícios que faziam possível o avanço casa a casa, nem os personagens secundários – Shina, Marin, Cassius – que moldaram os heróis principais. Se a missão de Os Cavaleiros do Zodíaco – A Lenda do Santuário era de homenagear os fãs, este que escreve sentiu-se desrespeitado. A decisão da Diamond em trazer quase todos os dubladores originais serve só de memória afetiva, uma catarse que nos remete aos tempos de infância. É uma tática que compensa, mas não conserta.

Veja o trailer de Os Cavaleiros do Zodíaco – A Lenda do Santuário

 

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