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Teenage Mutant Ninja Turtles, 2014

Com Megan Fox, Alan Ritchson, Jeremy Howard, Pete Ploszek, Noel Fisher, Will Arnett, Danny Woodburn, William Fichtner, Johnny Knoxville e Tony Shalhoub. Roteirizado por Josh Appelbaum, André Nemec e Evan Daugherty. Baseado nos quadrinhos de Peter Laird e Kevin Eastman. Dirigido por Jonathan Liebesman.

5/10 - "tem um Tigre no cinema"Você, leitor, pode ter sido um fã das quatro tartarugas com nomes de artista renascentistas por causa dos quadrinhos de Kevin Eastman e Peter Laird. Ou, mais provável, da série animada do anos 1980-90 , com suas dez temporadas. Seja lá qual for a sua posição, Tartarugas Ninja não foi feito para você – a não ser que você seja extremamente saudosista. O filme mantém o astral da série animada, com algumas homenagens, e com muitas referências para as crianças de hoje. O que não é ruim, mas apenas um foco diferente.

A repórter April O’Neil (Fox) procura uma grande notícia que a leve à uma posição de destaque como repórter do seu jornal. Ao acompanhar as atividades criminosas do Clã do Pé, ela se depara com um misterioso vigilante com força sobre-humana. Obstinada, ela descobre a existência de Rafael (Ritchson), Michelangelo (Fisher), Leonardo (Ploszek, voz de Knoxville) e Donatello (Howard): tartarugas mutantes adolescentes ninjas.

O diretor Jonathan Liebesman homenageia os quadrinhos ao mostrar a missão e parte do treinamento dado por Splinter (Woodburn, voz de Shalhoub) aos seus discípulos. Isso economiza tempo, e assim mais cedo iremos ver os heróis em ação e a mocinha em perigo.

Um dos pontos para desagradar os mais velhos é a obviedade da trama toda. Você já sabe quem é o parceiro do vilão no momento em que aparece em cena. O plano do Destruidor (Masamune) é cartunesco demais, e até sem sentido. Parece mesmo uma história ruim dos anos 1990.

Além disso, há muitas conveniências. Num momento, April está a uma quadra de onde o Clã do Pé ataca uma estação de metrô, apesar de Nova York ser imensa. Um pouco depois, a repórter tenta convencer a chefe Bernadette Thompson (Goldberg) que viu criaturas mutantes falantes nos telhados da cidade, mas ao invés de mostrar a foto que conseguiu tirar dos quatro, ela opta por usar um vídeo de infância de quando as tartarugas eram experimento de laboratório. Mesmo que a qualidade da foto fosse questionável, era melhor do que nada. É claro que ela mostra o material para Eric Sacks (Fichtner), e percebemos que a qualidade da imagem não é tão ruim assim. Para uma repórter investigava, April não tem o mais brilhante dos planos. E o trio de roteiristas continua empurrando tais momentos, como uma dose de adrenalina necessária estar logo ali a um toque, ou quando um desvio não planejado se torna um grande atalho.

Falar em suspensão de descrença em um filme como esse pode parecer um tanto óbvio também. Mas ela precisa estar elevada, e não pelo fato de existir um produto mutagênico que antropomorfiza animais. Isso está no campo da ficção científica. Mas misturar a origem dos heróis com a da protagonista, e o fato de Splinter achar um livro sobre Nunjutsu, treinar a si mesmo para só depois ensinar seus filhos em espaço de poucos anos é exagerado demais, mesmo para crianças.

Mas há momentos que tornam a experiência para os mais velhos se não agradável, suportável. As Tartarugas tem um poder de improvisação divertido, e também se mostram inteligentes ao lutar no escuro. E a cena do elevador – onde há uma placa dizendo que ali é proibido qualquer tipo de arma – é contagiante, e fica mais engraçada quando descobrimos que ela foi improvisada pelos atores.

Apesar da diversão e ação encher os olhos das crianças, Liebesman não se saiu muito bem na tarefa de diretor. Além do 3D dispensável, ele usa muitas vezes o ângulo holandês – inclinado – o que deveria trazer uma sensação de estranheza, mas o faz até em cenas com um tom romântico. E temos uma Whoopy Goldberg muito perdida, que desaparece sem mais nem menos, e claramente, nem precisaria ter sido escalada para o papel.

Existem qualidades, porém. Como nas marcas de combate e cicatrizes dos quatro irmãos, o figurino das tartarugas que lembram vestimentas samurai – bem óbvias em Leonardo, o mais clássico e líder deles – e a câmera na mão, como se a visão da protagonista April fosse impressa no filme.

Ao se preocupar com uma aventura infantil, o trio de roteiristas não consegue acertar a história. Há partes de diálogos bem cretinos. Por exemplo, quando as Tartarugas são capturadas e começam a ter seu sangue drenado, o vilão exclama “Tire todo o sangue delas se for necessário. Mesmo que isso as mate”. Dá última vez que eu chequei, é isso que acontece quando se retira todo o sangue de um ser vivo. Entre outros, não há motivo para o Destruidor em si estar na torre operando o painel que ira liberar a toxina.

O próprio Destruidor é um capítulo à parte. Enquanto o visual das Tartarugas é bem feito, não dá pra acreditar nos movimentos que o vilão faz em sua armadura. É tudo muito rápido para aquele monstro de metal.

E o filme lança uma série de perguntas: por que a propaganda Pizza Hut? Por que o Destruidor conquistaria a cidade com o plano, se existiria uma cura? E por que uma tartaruga se apaixonaria por uma humana? Não são questões profundas, mas essa nem é a proposta do filme, que chega a tirar sarro dele mesmo quando April diz em voz alta que os vigilantes são tartarugas mutantes adolescentes. E ninjas. Sim, é ridículo e eles sabem disso.

Tartarugas Ninja - Pôster brasileiro

Infelizmente para os adultos, Tartarugas Ninja é um filme com alguns personagens irritantes. Com a violência ligeiramente velada – armas de fogo são apontadas, mas não são disparadas, ou então vemos isso acontecendo – a garotada vai se divertir. Então, de certa maneira, não é uma história boa, mas também não é ruim: mas não foi feita pensando em gente como eu.

Veja o trailer de Tartarugas Ninja

 

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