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The Man from U.N.C.L.E., 2015

Com Henry Cavill, Armie Hammer, Alicia Vikander, Elizabeth Debicki, Jared Harris e Hugh Grant. Argumento de Jeff Kleeman, David C. Wilson, Guy Ritchie e  Lionel Wigram. Roteirizado por Guy Ritchie e Lionel Wigram, baseados nos personagens de Sam Rolfe. Dirigido por Guy Ritchie (Snatch: Porcos e Diamantes).

8/10 - "tem um Tigre no cinema"É muito bom sair satisfeito ao final de uma projeção. Em O Agente da U.N.C.L.E. Guy Ritchie trouxe um misto de ação e comédia que, comercialmente falando, será compreensível se não fizer sucesso. O problema estará nas comparações que serão feitas por causa das produções como temas parecidos que estrearam esse ano, o que não diminui a qualidade do filme. Então, não deixe que isso o impeça de se divertir com essa aventura cheia de ação, personagens cativantes e que representa belamente o período da Guerra Fria. E não se preocupe por essa ser uma adaptação de uma série televisiva: uma das maiores qualidades do filme é que ele foi feito mais para quem não era fã do que para quem era.

Sendo inglês, o diretor quebra um paradigma do herói americano perfeito ao representar Napoleon Solo (Cavill) com vários defeitos. Durante o flashback de Ilya Kuryakin (Hammer) descobrimos que Solo só trabalha para a CIA porque ele é muito bom no que faz; um ladrão que busca se livrar das garras da justiça. E notem como é inteligente a decisão de Ritchie mostrar o personagem entre a sombra e a luz nesse momento, reforçando sua personalidade. Ritchie também dá a devida atenção à Gabriella Teller (Vikander), e em poucos minutos estabelece uma relação dela com o pai – no carro, enquanto trabalha no motor, sem relega-la a eye candy –, um cientista que Solo está procurando. Já Ilya tem algo de atual na sua representação, pois ele nem parece humano – o que remeteu a vários momentos uma piada vinda da internet – e é sensacional como o diretor usa do design do som para representar a personalidade perturbada do agente da KGB, com tambores e bumbos preenchendo sua mente.

A mudança do paradigma, representada pela união relutante de Solo e Ilya, ainda que não provoque uma profunda discussão, pinta um quadro do que foi o período de transição para o fim da guerra fria. Essas duas forças opostas teriam que se unir pelo mal comum, e não quer dizer que eles deveriam gostar disso, o que trás momentos memoráveis. Desde o enfrentamento no banheiro, a cena onde vários agentes disfarçados se levantam para que Solo e Ilya conversem – o que estava mais para um cheiro de cadáver se espalhando – ou tentando sempre se superar nas tecnologias feito duas crianças.

Ritchie também é competente em momentos mais técnicos da história, sendo que a mise-en-scène é o destaque mais interessante. O design de produção tem ótimas representações da época, passando pelos figurinos, pelo design dos carros – principalmente os da pista de corridas –, e na paleta de cores que dá um ar de fidelidade sessentista à produção, juntamente com a música de Daniel Pemberton. Outras decisões do diretor como o flashback ser apresentado por slides; ou a câmera que segue o braço de Ilya enquanto busca uma arma e mais tarde acompanha a porta do cofre que os dois agentes invadem são esteticamente funcionais e elegantes. Diferente do exagero dos ângulos holandeses e a necessidades de flashbacks explicativos de coisas que aconteceram a menos de um minuto na narrativa.

O diretor ainda consegue equilibrar muito bem os momentos de ação e comédia, e percebe-se esse tato, por exemplo, ao representar Solo como bem mais desgraçado que sua contraparte russa – fugindo assim de clichês. É de chorar a cena em que Solo consegue escapar dos seguranças de um complexo enquanto observa Ilya tendo que lidar com a situação. Enquanto o americano fica confortavelmente assistindo a cena ao som de música clássica e uma cesta de pão, queijo e vinho que encontrou num caminhão. Ritchie já havia feito separado a personalidade dos dois mais cedo, quando mostra o jeito que os dois resolvem passar o tempo: enquanto Ilya está tentando jogar xadrez, Solo está mais interessado na balconista do hotel. E para os mais ávidos das cenas de ação, há espaço para explosões, socos e muitos tiros enquanto nos divertimos com algumas coisas que acontecem ao fundo.

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O filme fecha com muito melhores momentos do que ruins, e vale a pena apreciá-los. Pode ser perceber o timming da comédia quando vemos que a música de Pemberton para no exato momento em que Victoria (Debicki) abre a porta do quarto de Solo, a transição de uma imagem de satélite para a fotografia noturna, ou montagem perto do fim do terceiro ato para manter a ação do longa sem que ele se esticasse além da conta. O Agente da U.N.C.L.E. é espirituoso, divertido e o melhor filme do diretor nos últimos anos. Felizmente, o Ritchie e seus – muitos – roteiristas prefeririam contar a história para um público mais jovem, respeitando alguns elementos do original, mas sem se apegar a eles, ainda que exista aquela sensação de nostalgia no ar para quem era fã da série.

Sinopse oficial

“O Agente da U.N.C.L.E., uma nova visão sobre a popular série de TV dos anos 60, é estrelada por Henry Cavill como Napoleon Solo ao lado de Armie Hammer, como Illya Kuryakin, sob direção de Guy Ritchie. O cenário do longa é o início da década de 1960, no auge da Guerra Fria, com história centrada no agente da CIA, Solo, e no agente da KGB, Kuryakin. Forçados a deixarem de lado as antigas diferenças, os dois se unem em uma missão para parar uma misteriosa organização criminosa internacional, que está empenhada em desestabilizar o poder com a proliferação de armas nucleares e tecnologia militar. A única pista da dupla na investigação é a filha de um cientista alemão desaparecido, que pode ser a chave para eles se infiltrarem na organização criminosa. Agora os dois precisam correr contra o tempo para encontrar o cientista e evitar uma catástrofe mundial.

Veja o trailer de O Agente da U.N.C.L.E.

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