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Equilibrado entre ação e drama, Capitão América: Guerra Civil continua na crista do anterior mesmo com o elenco inflado.

Capitão América: Guerra Civil (2016)

Com Chris Evans, Robert Downey, Jr., Scarlett Johansson, Sebastian Stan, Anthony Mackie, Don Cheadle, Jeremy Renner, Chadwick Boseman, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Paul Rudd, Emily VanCamp, Tom Holland, Frank Grillo, William Hurt e Daniel Brühl. Roteirizado por Christopher Markus e Stephen McFeely baseado nos quadrinhos da Marvel Comics. Dirigido por Anthony e Joe Russo.

9/10 - "tem um Tigre no cinema"Mais uma vez um filme solo do Universo Cinemático Mavel é muito mais interessante que a reunião dos heróis em si. Mesmo que com a massiva presença de seus companheiros de equipe Capitão América: Guerra Civil é centrado no personagem título e no seu antigo companheiro já apresentado no filme de 2014. Apesar de pecar pelo mal de em certo momento acontecer muita coisa ao mesmo tempo por causa da miríade dos personagens, é um filme que consegue equilibrar ação e drama, junto com uma pequena dose de comédia para dar leveza à um filme feito para agradar tanto os fãs dos quadrinhos quanto àqueles que acompanham as aventuras dos Vingadores somente no cinema.

Sendo fiel mais ao Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier, 2014, Dir Anthony e Joe Russo), a aventura foca na importância de Bucky/Soldado Invernal (Stan) na vida de Steve Rogers/Capitão América (Evans) e num mundo um tanto mais maduro que vimos em Vingadores: Era de Ultron (Avengers: Age of Ultron, 2015, Dir Joss Whedon). Bucky é o primeiro aparecer, ainda no prólogo da história, para maturar na mente dos espectadores. Tortura, ecos da Guerra Fria e missões de assassinato dão algo de real na história de gente fantasiada combatendo o crime – e pela primeira vez, ao contrário da primeira reunião dos heróis em Os Vingadores (The Avengers, 2012, Dir Joss Whedon), os mortos clamam.

Compreendendo o cenário em que se encontram, a dupla de roteiristas reflete na tela o cenário atual. Há o terrorismo nas ações de Ossos Cruzados (Grillo) que é ao mesmo tempo um agente do caos quanto um inimigo interno, e nisso Markus e McFeely se saem muito bem ao não estereotipar que aquele espalhando medo na população ser um estrangeiro aos olhos dos americanos: pelo contrário, agora Os Vingadores que são os estrangeiros que assustam a população. Outros elementos que atualizam a obra vêm no discurso da Agente Sharon (VanCamp) ao relembrar a importância da Agente Carter (Atwell) e seu de destaque numa época em que homens dominavam a política e as forças armadas. Uma visão feminista refletida inclusive nas roupas de Natasha Romanoff/Viúva Negra (Johansson), menos sexualizadas do que na aventura da turma reunida.

Ainda no campo de representatividade, deve ser a primeira vez – pelo menos em muito tempo – em que três heróis negros compartilham a tela ao mesmo tempo. Longe de serem alívios cômicos, algo que virá no ápice do segundo ato, Sam Wilson/Falcão (MacKie), James Rhodes/Máquina de Guerra (Cheadle) e T’Challa/Pantera Negra (Boseman) sintetizam pontos de vista na tal Guerra. Dois são militares, divididos entre o senso de honra e dever – a dualidade entre Rogers e Tony Stark/Homem de Ferro (Downey Jr) – e aquele que pode desiquilibrar a balança, alguém que não é apenas um homem, mas também um monarca levado pela vingança, encarnando o sentimento de muitos contra aqueles que juraram proteger os mais fracos.

Há dois momentos bem interessantes na postura de Tony quanto a esses novos Vingadores, grupo que ele não faz parte desde de o filme de 2015. Primeiro, ele não está irritantemente falastrão e piadista como suas encarnações anteriores – e exacerbada na terceira aventura solo do personagem –, confirmando o tom mais sério do filme. Depois, notem como ele não se senta à mesa da equipe quando o General Ross (Hurt) joga o plano que limitará a ação de Steve e companhia, esses ainda em dúvida sobre o assunto. Por meio apenas de posicionamento de câmera e sem a necessidade de diálogos explicativos, a dupla dos diretores apresenta os dois lados dessa moeda.

O que acaba na parte mais arrastada do filme que é a discussão sobre os planos do governo. Proporcionalmente, ela é muito curta em relação aos 140 minutos de filme, e pode irritar que estava procurando mais ação, tiros e explosões. Ela serve mais para mostrar pontos de vista, principalmente do Visão (Bettany) e sua preocupação com Wanda Maximoff/Feiticeira Escarlate (Olsen). Ele, um ser sintético que dosa muito suas ações, precisa usar da lógica e não punhos para seu argumento – mesmo que ele comece a evoluir, do ponto de vista narrativo, ao se tornar mais humano, preocupado com inter-relações e tornando-se até distraído.

Porém, há equilíbrio nesse aparente vácuo de ação entre a tragédia e o aventuroso. Steve e Bucky precisam se esconder de praticamente o mundo todo, e isso rende boas cenas de luta que vão nos preparando para o momento que meio mundo esperava ver que é a batalha entre heróis. Não é coincidência que dois filmes de ícones se enfrentando cheguem tão perto um do outro. Vivemos tempos de extremismos, onde ter uma opinião diferente pode causar brigas entre amigos, onde somos levados pela emoção e parece existir pouco espaço para o diálogo.

Claro que, visualmente, o embate entre titãs é alguma coisa espetacular, e o ápice do segundo ato dá uma ligeira quebra nessa seriedade toda com momentos mais leves e divertidos com a presença de personagens mais humanos do Universo Marvel. Esse é o momento que você pode se perder na ação, porque muita coisa acontece ao mesmo tempo e é o que chamamos de fan service, algo que os fãs originários dos quadrinhos esperavam desde 2008. Serão alguns minutos de palmas, gritos e risadas com as frases dos personagens, com a introdução de novas caras, brincadeiras com o universo Star Wars, que agora é parte do estúdio, e algumas frases de efeito – ainda que a sequência feche com um quê de drama para relembrar que a guerra não é engraçada.

Capitão América: Guerra Civil é um filme equilibrado em todos os atos, tem um vilão com um plano que faz sentido – é que vai à contrapartida de um confronto que parecia anunciado, e de certa maneira desconstruído – e que funciona dentro do que foi criado do Universo Cinemático Marvel, ainda que o termo Guerra Civil seja um exagero. Mas há densidade no drama dos personagens, como Tony admitindo que seu traje é um vício (ainda que não expliquem como ele energiza a nova armadura), as coreografias estão bem feitas e há destaques na tecnicalidade do filme. Passado o grande embate entre uma equipe dividida, ainda fica aquela pergunta do porquê de tudo isso – como nós, humanos tão falhos, podemos esquecer nossa própria história se formos empurrados ao precipício do jeito certo.

Como sempre, não saia antes dos créditos.

Veja o trailer de Capitão América: Guerra Civil

Sinopse oficial
Capitão América: Guerra Civil, da Marvel, encontra Steve Rogers liderando o recém-formado grupo dos Vingadores em seus esforços contínuos para proteger a humanidade. Mas após outro incidente envolvendo os Vingadores resultar em danos colaterais, aumenta a pressão política para instalar um sistema de responsabilização, comandado por uma agência do governo para supervisionar e dirigir a equipe. O novo status quo divide os Vingadores, resultando em duas frentes – uma liderada por Steve Rogers e seu desejo de que os Vingadores se mantenham livres para defender a humanidade sem a interferência do governo, e a outra que segue a surpreendente decisão de Tony Stark de apoiar a responsabilização e supervisão do governo.”

Capitão América: Guerra Civil | Pôster brasileiro

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