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Com Tom Hanks, Sandra Bullock, Thomas Horn, Max von Sydow, Viola Davis, John Goodman, Jeffrey Wright e Zoe Caldwell. Roteiro de Eric Roth (Forest Gump), baseado no livro de Jonathan Safran Foer. Dirigido por Stephen Daldry (Billy Eliot).

“Tão Forte e Tão Perto” é um filme que poderia ser muito melhor do que é. A presença de Hanks, Bullock e Sydow, do roteirista de “Forest Gump” e do diretor de “Billy Eliot” trouxeram peso para a história trágica de um garoto que perde o pai nos ataques de 11 de setembro e depois disso se arrisca numa aventura. Infelizmente, o roteiro raso, e o uso insistente e constante de narrações em off “for dummies” (explicam o que não precisa, e deixam de fazer quando precisa) estragam a experiência. E nem posso dizer a questão de ser insensível aos eventos (leiam a minha crítica de “Voo United 93“) ou pela perda de pessoas queridas, pois não sou imune à emoção de outros.

Oskar Schell (Horn) é um garoto brilhante. “You rock“, diz o pai Thomas (Hanks) num dos melhores diálogos do filme. O pai estimula essa natureza curiosa do filho com missões pela cidade de Nova York, semelhante à uma caça ao tesouro. Essa ligação é tão forte que quando Thomas morre no World Trade Center, Oskar se desliga do mundo por quase um ano. Mas, numa analogia astro-física, ele começa a perceber que está se esquecendo do pai e decide continuar a última aventura que ele tinha lhe dado. Por acidente, Oskar encontra uma chave dentro de um vaso no armário do pai. Escrito com a palavra “Black”, Oskar deduz que é uma mensagem que pai deixou e que “Black” é o nome de algum residente da cidade. É um tanto difícil engulir essa dedução, por motivos apresentados mais para o final da história. As missões que Thomas dava a Oskar eram difíceis, mas longe de serem impossíveis (em determinado momento ele descobre que levaria 4 anos para visitar todos os “Black” da cidade). Por isso que a solução de encarar “Black” como nome e não uma definição foi um pouco além disso, e só funciona para que o filme encaixe dentro de si. E isso ficou forçado. Outro exemplo é a troca da secretária eletrônica. Oskar faz isso para que a mãe Linda (Sandra) não escute as últimas mensagens do pai. Ele então troca o aparelho por um novo, e grava uma nova mensagem de saudação nele. Não seria bem mais fácil trocar a fita, visto que a máquina já estava gasta, com algumas pequenas manchas?

É interessante notar a qualidade do ator que interpreta Oskar. Mesmo não sendo das melhores, é notável o esforço do garoto. Ele se torna egoísta e um tanto cruel, principalmente com a mãe, que sofre muito com essas atitudes do filho. Ela não é superprotetora, mas não consegue compreender as atitudes de um rapaz tão jovem quanto ele. Ela ainda guarda luto pelo marido e percebe que pode perder o filho também, mas emocionalmente. Na sua dor, ela chega a desabar de joelhos ao lado do pilar em que marcavam as fases de crescimento de Oskar.

Quando encontramos o inquilino (Sydow), que a avó de Oskar hospeda, é um alívio. O primeiro motivo é por ser Max von Sydow. E como não paramos de ouvir a voz do garoto, ter um personagem mudo, que só se comunica por gestos (um em especial que seria muito melhor ser notado do que explicado) é um descanso aos nossos ouvidos. Porque não só ouvimos o constante falatório/pensamento de Oskar, mas também a sua percepção nova que tem com os sons, o que o faz mais de uma vez apertar as mãos contra os ouvidos para abafar os barulhos e as outras vozes. Interessante é que o barulho que o acalma é de um pandeiro, que se assemelha muito ao tocar de um telefone.

A história no fim, é sobre superação de medos e de tristezas. E no fim, dizer que a vida tem que continuar. Outros filmes já trataram do assunto com mais competência. Alguns elementos são de destaque: o principal para mim é que o nome da família “Schell”, em alemão, quer dizer o “toque do telefone”, que é um elemento importante da história; a culpa de Oskar, que o faz se autoflagelar (um traço de psicopatia, talvez); o carinho que sempre precisamos dar àqueles que amamos; e a uma frase muito importante que aparece uma vez no filme, que diz “histórias precisam ser compartilhadas”. Uma pena que os outros motivos abaixem a nota da projeção. Além das narrações em off desnecessárias, os flashbacks em determinados momentos tem uma transição em blur e em outra o diretor esquece disso. O filme também peca por ser inverossímil em vários momentos. Por exemplo, num cenário pós-11 de setembro, quem estaria tranquilo vendo um garoto passeando de máscara anti-gases no metrô? [spoilers]Ou, quem escreveria o próprio nome num envelope de um cofre com o próprio nome?[fim dos spoilers] Mas é um filme que vai emocionar alguns. Pena que a falta de cuidado estraga a experiência, ao ponto de mais de uma  ponto ser irritante.

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