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Viva: A Vida é uma Festa atinge diferentes faixas etárias por causa de suas diferentes camadas, além de mostrar como outra cultura encara a morte.

Viva: A Vida é uma Festa | Crítica

Elenco: Anthony Gonzalez, Gael García Bernal, Benjamin Bratt, Alanna Ubach, Renée Victor, Ana Ofelia Murguía, Edward James Olmos | Roteiro: Adrian Molina, Matthew Aldrich | Argumento: Lee Unkrich, Jason Katz, Matthew Aldrich, Adrian Molina | Direção: Lee Unkrich (Toy Story 3)

Bonito por fora e emocionante por dentro, assim é Viva: A Vida é uma Festa. A produção é uma daquelas com selo Disney•Pixar de qualidade onde as diferentes faixas etárias irão curtir por motivos diferentes. É um amplo espectro, vindo desde as crianças, por causa das cores e das situações engraçados, até os adultos que vão se identificar pela mensagem. A maturidade do estúdio foi atingida em Divertida Mente (Inside Out, 2015, Dir Pete Docter), mas nada que tire o brilho próprio desse filme que volta os olhos para a dificuldade de ser o que somos, a busca por um equilíbrio, perdão e amor incondicional. Além de focar numa cultura que celebra a morte de maneira diferente.

A verdade é que a cultura cristã é bem chata em relação ao pós-vida. Seja um sofrimento infinito ou ficar tocando harpa pela eternidade, a maneira que fomos criados parece não levar em conta que o Além deveria ser algo bom, um alento para depois de uma vida sofrida. Por isso a primeira visão de Miguel (Gonzalez) quando chega ao outro lado é tão marcante para nós, mais acostumados com a visão católica das coisas. Lá é um mundo, em geral, alegre e colorido, cheio de música e dança. Mas ainda humano – e há uma oposição mundana nesse lugar, exatamente o lugar onde Diego de La Cruz (Bratt), o grande herói de Miguel mora.

O nosso jovem herói é um pária numa família de párias – ele é o único que gosta de música na única família do México que não gosta de nenhum tipo – e, passando por essas idades de descobertas, se revolta com a família que lhe impõe um futuro. Se formos fazer um parelelo com a vida real, pode parecer a primeira vista como casos que pais querem que seus descendentes sigam carreiras parecidas, como estar no comando da empresa, ou do escritório de advocacia. Porém, para Miguel, é um destino mais a ver com sua condição social. Ele e a família são muito pobres e apesar de nunca reclamar disso, o jovem faz serviços de engraxate fora de casa e seu violão é feito com madeira mal pintada e os trastes e as escalas são pregos usados.

Levando isso em conta, a música é um escapismo dessa vida, mas também por estar no seu sangue tanto quanto a carreira de sapateiro da família. Porém, ao ouvir essa voz do coração e principalmente por acreditar que ele é da família de La Cruz, é que Miguel começa sua aventura. A história é bem dinâmica, então não há uma explicação lógica porque ao tentar roubar o violão do finado musicista que admira faz com que ele transite entre o mundo dos vivos e dos mortos. Assim como toda a trama, a mágica que só seria possível no dia de los muertos é motivo suficiente.

Tão perdido quanto Miguel, que não encontra apoio sobre seguir o que deseja ser nem mesmo com seus parentes mortos, está Hector (Bernal) que tenta escapar para o mundo dos vivos para poder rever a filha, sendo impedido por não ter um altar. É no começo da intereção entre os dois que o roteiro dá um leve tropeço e onde o filme perde um pouco da emoção inicial, que volta com toda a força já perto do fim. Ao entrar em acordo com Miguel para que ele coloque a foto do morto num altar para que ele possa voltar, o roteiro esquece de que o ritual só vale se existirem nesse mundo descendentes para honrar seus antepassados. Se for isso mesmo, a missão de Miguel seria inócua, pois ele não sabia como chegar na família de Hector.

E todo o segundo ato é toda a busca de Miguel por seu suposto tataravô e tem algumas piadinhas fantásticas, a maioria envolvendo a fisiologia dos esqueletos, com ossos se desprendendo e muita música. É aquela parte em que as crianças vão vibrar e rir muito; e junto com os pais, pois são situações bem engraçadas. As discussões mais profundas ficam diluídas, é verdade, mas mesmo na correria contra o relógio, como qualquer filme com elementos fantásticos, uma missão precisa ser cumprida num determinado tempo – no caso, a própria vida de Miguel.

Há uma tentativa de criar um mistério sobre quem é a pessoa que a família de Miguel renegou de seu altar, um pequeno mistério que com certeza intrigará os mais jovens, mas que não é tão dífícil assim de se resolver. O que não quer dizer que não existam elementos para solucionar a questão, mas o diretor se esforça para esconder tudo da gente – e percebemos que uma simples conversa resolveria essa questão. O que tem a ver, no entanto, exatamente como a maneira que a família de Miguel o trata. Sim, eles o amam, mas se recusam a ouvir, como a maioria que ousam quebrar o status quo, seja lá de onde ele vier.

Mas só alguém sem coração não deixaria se levar por Viva: A Vida é Uma Festa. É verdade que existem elementos já usados em outras produções da Pixar ou o recente Festa no Céu (The Book of Life, 2014, Jorge R. Gutierrez), o que taxaria o filme de não-original – o que não quer dizer que não seja criativo. Há boas piadas, situações bem típicas de criança – a de Miguel automaticamente descumprindo sua promessa é fantástica. E mesmo sabendo que o filme puxa no emocional para qualquer um que tenha perdido alguém querido, é impossível não ficar com aquela pontada de emoção na garganta. A Pixar pode muito bem ser acusada de manipular a audiência, mas faz parte do jogo ser enganado por essa magia que chamamos cinema – o importante é ver os fios.

Viva: A Vida é Uma Festa | Trailer

Viva: A Vida é Uma Festa | Pôster

Viva: A Vida é uma Festa | Cartaz nacional

Viva: A Vida é Uma Festa | Galeria

Viva: A Vida é uma Festa | Imagens (1)

Créditos: Disney•Pixar (Divulgação)

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Viva: A Vida é uma Festa | Imagens (11)

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Viva: A Vida é uma Festa | Imagens (3)

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Viva: A Vida é Uma Festa | Sinopse

O jovem Miguel é um humilde rapaz que vive junto da sua família que há três gerações afastou a música de sua vida. Mas o jovem é um amante do violão e ao enfrentar sua família viva, o colocará em confronto com os outros que estão no além.

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