0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Filament.io 0 Flares ×

Pantera Negra já era um marco antes mesmo de estrear – e mesmo não sendo o melhor do Universo Cinemático Marvel, é o mais importante.

Pantera Negra | Crítica

Elenco: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o, Danai Gurira, Martin Freeman, Daniel Kaluuya, Letitia Wright, Winston Duke, Angela Bassett, Forest Whitaker, Andy Serkis | Roteiro: Ryan Coogler, Joe Robert Cole | Baseado nos personagens de Stan Lee e Jack Kirby | Direção: Ryan Coogler (Creed: Nascido Para Lutar) | Duração: 134 minutos | 3D: Irrelevante | Cena Extra

Para atrair um público já acostumado com uma fórmula, Pantera Negra se espelha em outros filmes do Universo Cinemático Marvel: ação, doses de diversão e um vilão-antítese do herói nos seus princípios. Porém, passada essa primeira camada, o filme é um marco pela escalação do diretor, roteirista e elenco predominantemente negro, além de seu teor político. Isso mostra uma preocupação do estúdio em estar atento às mudanças que nossa sociedade passa e precisa, algo que é, acima de tudo, uma posição e uma afirmação. É cultura pop, mais palatável, sem dúvidas. Mas devemos considerar para quem é a mensagem, um público jovem que está ligado às mudanças e, com incursões mais simples, provavelmente irá buscar voos mais altos.

Sendo a África é o berço da humanidade, é justo colocar, nem que seja objeto de imaginação – ou uma justiça histórica – Wakanda como a joia de um continente. T’Challa (Boseman), o herdeiro do trono e do manto do Pantera Negra, é o personagem mais complexo do Universo Marvel dos cinemas – ele não é apenas um herói, ele tem responsabilidade com toda uma nação. A trama toda é baseada na oposição entre guerra e paz e isolamento e abertura. Como Pantera Negra, ele é uma peça de ação naquele tabuleiro, mas precisa de equilíbrio, algo que ele experimenta com Nakia (Nyong’o), um efeito sumarizado no primeiro ataque de T’Challa a um comboio. Lá, a jovem espiã de Wakando segura o braço forte do monarca para que ele não ataque um personagem que segurava uma arma por um motivo que não compreendia.

É importante também marcar o peso das mulheres nessa sociedade igualitária, onde qualquer um poderia desafiar o então príncipe pelo trono. A Guarda Pessoal do rei é composta de mulheres, com Okoye (Gurira) o braço forte dessa guilda, Nakia tem a missão de expandir os horizontes de T’Challa, e Shuri (Wright) é a mente mais brilhante do país. Alguém poderia perguntar qual é o motivo de uma guarda estritamente feminina, e a resposta é que tratamos de ficção, e ela serve para tudo, inclusive para declarações, e aqui não poderia ser mais clara. O rei é um personagem forte fisicamente, mas tem como guardas pessoais mulheres que aguentam o tranco, além de ser apoiado por outra que é realmente o cérebro da equipe. Assim como o resto do filme, é tudo uma questão de posicionamento.

O universo de músicas, cantos, pinturas tribais e vestimentas de cores vivas, refletido na fotografia de Rachel Morrison – algo que quebra a escuridão das lentes 3D para quem optar pelo formato – representam vários povos africanos. Existe um senso comum e de pouca aproximação histórica que a África é um grande bloco, no máximo divido no meio, e a escolha do casting e do figurino servem para quebrar essa percepção, mesmo que a trama foque em Wakanda. Assim como é o poder escondido do país, grande e multicultural é a África, algo que Nakia sabe e por isso pede que T’Challa mude a maneira de encarar o isolacionismo de seu país.

E depois de bastante tempo, a Marvel apresenta um vilão descente que, em geral, é o ponto fraco dos filmes do estúdio. Erik “Killmonger” Stevens (Jordan) é alguém forjado por uma situação social, diferente de seres cósmicos e titãs loucos com planos imorais. Como estudo de caso, ele é o típico rapaz negro crescendo nos EUA abandonado pelo sistema – e não estamos falando apenas do governo estadunidense – que serviu por um tempo para a CIA. Como ferramenta, ele se tornou aquilo que era esperado dele. Não é a primeira vez que a analogia Martin Luther King e Malcom X é usada, mas é a que melhor funciona para explicar a relação entre T’Challa e Erik.

Mesmo com pouco tempo, o jovem que marca sua pela a cada morte, justificando que seria por um bem maior, ele é um personagem com profundidade. Mais que marcas físicas, suas cicatrizes são da alma, uma jornada que o deforma, mas não ao estereótipo do homem da cicatriz, tanto usado para reforçar que um personagem é mal. Pelo contrário, Erik é responsável por vários suspiros pela sua beleza e seu discurso convence o suficiente para atingir gente ferida, como W’Kabi (Kaluuya). Com tantas injustiças, é fácil semear o ódio com uma máscara de justiça – curiosamente Killmonger usa uma por pouco tempo.

Falar das coreografias de luta já é bem lugar-comum – afinal, é o mínimo que se espera de uma superprodução – mas é importante ver como o desafio que T’Challa tem antes de ser coroado serve de prólogo para seu próprio reinado:  força e honra, qualidades que serão postas à prova durante uma crise que se segue, uma em face ao peso da coroa, das responsabilidades e do passado, um fardo de tradições pavimentado não apenas com virtudes. Como o simbólico ritual wakianiano de enterrar o príncipe, para que ele visite seus ancestrais e então ressuscite como rei, a trama é sobre mudanças, algo inerente à vida.

Em tempos de crise, tolos constroem muros; sábios, pontes”: essa frase extremamente politizada é um dos marcos Pantera Negra, colocando o novo filme do estúdio numa posição marcante: não é o melhor, mas com certeza é o mais importante. Além das cenas de ação, aventura e laços de amizade criados, a mensagem de uma visão de mundo globalizada num cenário político que prega o oposto vem para falar de tolerância e respeito, uma coisa que parece tão simples ao mesmo tempo tão esquecida – e representatividade, principalmente. Em tempos sombrios, um filme luminoso desses pode até não fazer diferença no grande esquema das coisas. Mas Coogle plantou uma semente, e muitos jovens negros representados agradecem.

Pantera Negra | Trailer

Pantera Negra | Pôster

Pantera Negra | Pôster brasileiro

Pantera Negra | Galeria

Pantera Negra | Imagens (1)

Créditos: Marvel Studios (Divulgação)

Pantera Negra | Imagens (2)

Créditos: Marvel Studios (Divulgação)

Pantera Negra | Imagens (3)

Créditos: Marvel Studios (Divulgação)

Pantera Negra | Imagens (4)

Créditos: Marvel Studios (Divulgação)

Pantera Negra | Imagens (5)

Créditos: Marvel Studios (Divulgação)

Pantera Negra | Imagens (6)

Créditos: Marvel Studios (Divulgação)

Pantera Negra | Imagens (7)

Créditos: Marvel Studios (Divulgação)

Pantera Negra | Imagens (8)

Créditos: Marvel Studios (Divulgação)

Pantera Negra | Imagens (9)

Créditos: Marvel Studios (Divulgação)

Pantera Negra | Imagens (10)

Créditos: Marvel Studios (Divulgação)

Pantera Negra | Imagens (11)

Créditos: Marvel Studios (Divulgação)

Pantera Negra | Sinopse

Depois da morte do pai, T’Challa continuar o legado do Pantera Negra no papel de herói e de protetor de Wakanda, uma posição que o coloca na delicada posição de ser um protagonista do mundo ou manter seu estilo de vida – além de coloca-lo em rota contra seu passado na figura de Erik “Killmonger” Stevens.

[críticas, comentários e voadoras no baço]
• email: contato@umtigrenocinema.com
• twitter: @tigrenocinema
• fan page facebook: http://www.facebook.com/umtigrenocinema
• grupo no facebook: https://www.facebook.com/groups/umtigrenocinema/
• Google Plus: https://www.google.com/+Umtigrenocinemacom
• Instagram: http://instagram/umtigrenocinema

http://www.patreon.com/tigrenocinema

OU

Agora, você não precisa mais de cartão internacional!

 

Volte para a HOME