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Os Suspeitos é um daqueles filmes que desafiam seu intelecto, suas percepções e alcança a excelência em todos os seus quesitos, transformando todos nós prisioneiros da trama.

Os Suspeitos, 2013

Com Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal, Viola Davis, Maria Bello, Terrence Howard, Melissa Leo e Paul Dano. Roteirizado por Aaron Guzikowski. Dirigido por Denis Villeneuve (Incêndios).

10/10 - "tem um Tigre no cinema"É preciso que a nossa mente seja desafiada constantemente. Os Suspeitos é uma daquelas produções que amarram com excelência simplesmente tudo. Roteiro, direção, atuações, fotografia, música, montagem, nada escapou dos olhos de Denis Villeneuve na história que transforma todos em Prisioneiros – título que deveria ter sido mantido em português –, inclusive nós espectadores. Além de ser tenso e denso, o diretor entrega as pistas sutilmente, e mostra como um filme de suspense deve ser.

Keller Dover (Jackman), sua esposa Maria (Bello), e o casal de amigos Franklin (Howard) e Nancy Birch (Davis) passam por uma grande tragédia quando suas filhas Anna e Joy – duas meninas de quatro anos – são sequestradas. Durante a investigação do Detetive Loki (Gyllenhaal), um suspeito é preso. Alex Jones (Dano) tem o QI de uma criança de dez anos, e estava no veículo descrito como o do sequestrador. Quando o jovem é liberado por falta de provas, Keller vai até o extremo para encontrar a filha.

Villeneuve coloca Keller como um homem de muita fé –  ele agradece a Deus pela caça que faz com o filho Ralph (Minnete) e a câmera sempre dá destaque ao crucifixo pendurado em seu carro – e essa tragédia não o faz questionar a existência de uma força superior. Mesmo assim, essa fé toda não o impede de buscar resultados com as próprias mãos. Ele crê que a polícia demora muito e perde tempo com burocracia ou por não deter Alex por mais tempo. Keller é acima de tudo humano. Ele explode, fica aflito e pratica algo inimaginável por ele antes dessa situação toda. A tortura física que Franklin e ele impõem a Alex é dura e sofrida não apenas para o jovem, mas para nós também. Tanto que o diretor esconde em determinado ponto o estrago sofrido quando Nancy se compadece dele por um momento. Esconder o rosto de Alex com o saco de pano e com a câmera colocada na altura da pia nos fazem por um momento ser a mãe de Joy, e o choque é impressionante. No entanto, ao mesmo tempo, nos perguntamos se faríamos o mesmo.

Praticamente todos os momentos do filme são importantes. Exemplifico alguns para exercício de pensamento. Villeneuve constrói em vários momentos o símbolo da visão embaçada através de um vidro. O clima do invernal e a fotografia pesada de Roger Deakins tem o propósito de ser mais triste e pesado, e o diretor usa do clima para mostrar as caças. Primeiro, o veado morto é visto dentro da caminhonete de Keller. Mais tarde, Anna e Joy são vistas pelo mesmo jeito pelo sequestrador da van. Um pouco depois, quando Loki está investigando os predadores sexuais da região, o efeito é repetido. É possível dizer que assim é a visão de alguém comete uma atrocidade dessas: distorcida.

A trilha original de Jóhann Jóhannsson – minimalista e profunda – aparece pouco e sutilmente. A primeira vez que as notas aparecem é no sumiço das meninas, com toques profundos e melancólicos. É um outro símbolo, assim como o citado no parágrafo anterior. Outros personagens também carregam informações para absorvermos. Loki é o mais reservado, ele próprio profundamente triste, sempre usando cores escuras e com a postura curvada. A tia de Alex, Holly (Leo) também é amargurada, mas por motivos diferentes. Ela é identificada em certos pontos com Keller, mas deixou de seguir a sua fé quando o perdeu o filho e o marido ter simplesmente desaparecido. E é nítido que ela tem uma grande influência nas ações do sobrinho, e o diretor nunca deixa muito claro o por quê de propósito. É algo que está lá, mas não conseguimos definir logo de cara.

O desenvolver da história é uma luta contra o tempo. Keller e Loki sabem que a chance de sequestrados serem encontrados vai diminuindo a cada dia. Não pode ser definido como um jogo de gato e rato porque Alex, apesar de saber em algum nível o que está acontecendo, não consegue responder como o pai de Anna deseja. Keller vira prisioneiro do desespero, e Alex dele. Todos são assim, nas suas incapacidades ou na falta de força, como Maria, que não aguenta a pressão é se entrega, e consegue ficar sem remédios para se acalmar. Já Loki é prisioneiro do seu próprio sentimento de incompetência, por não conseguir montar as pistas. Tudo isso é ilustrado num labirinto, que é onde todos eles estão. Tateando no escuro, Keller, Loki e os outros não conseguem ver a saída dessa situação, o que aumenta o desespero cada vez mais. E Quando Keller não consegue terminar a oração do Pai-Nosso” na parte “perdoai as nossas ofensas, assim como quem tem nos ofendido” vemos a perdição em que todos se encontram.

Os Suspeitos - pôster brasileiro

Os Suspeitos, como um labirinto, é um desafio em si. O diretor dá todas as dicas, símbolos, falas, para a compreensão. E tudo é muito bem amarrado, sem forçar nada. Uma das metas do gênero é descobrir o responsável. A resposta não é desonesta, mas, pelo menos pra mim, demorou para chegar, pois a motivação em si é difícil de ser entendida. Porém, extremamente válida. É uma história envolvente, forte e que merece ser apreciada e discutida. É um grande cartão de visitas de Villeneuve no cinema americano. Sem dúvidas, um excelente filme de um excelente diretor, e seguramente irá figurar nas listas de melhores do ano.

Os Suspeitos concorreu ao Oscar 2014 na categorias Melhor Fotografia (Roger A. Deakins).

Os Suspeitos | Trailer

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