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Entrada | Créditos Letícia Godoy (MIS)

Entrada (Créditos Letícia Godoy, MIS)

A convite do MIS – Museu da Imagem e do Som – pudemos visitar a exposição O Mundo de Tim Burton e conversar um pouco com próprio. O diretor de Os Fantasmas se Divertem (1988), Batman (1989), Edward Mãos de Tesoura (1990), Sombras da Noite e Grandes Olhos foi receptivo e falou bastante com a imprensa.

Claro que a genialidade pertence à Burton, mas é importante dar crédito aos curadores do MIS. André Sturm, atual diretor do museu, disse que as ideias correm desde 2014. E que todo o conceito e desenvolvimento foi feito em paralelo com a equipe de Burton. Com ideias e algumas peças inéditas a instalação é única, ainda que menor do que a apresentada no MoMa.

A maior característica dessa exposição é a imersão. Cada cômodo é a representação de uma característica de Burton. Por isso entramos por uma bocarra e vamos no aos poucos subindo até a cabeça do diretor. A primeira sala mostram as referências dele em sua vida: pôsteres de filmes variados como Jasão e os Argonautas (1963), mostrando sua devoção a Ray Harryhausen, Drácula (com Christopher Lee), A Queda da Casa de Usher (1960), King Kong, Fausto, O Gabinete do Doutor Caligari, Plano 9, entre tantos outros.

Painel de Influências | Letícia Godoy (MIS)

Painel de Influências (Créditos Letícia Godoy, MIS)

As salas seguintes são todas sobre o processo criativo de Tim Burton, como apontado pela curadora Jenny He. Portanto se você ainda não foi visitar a exposição tenha em mente que você verá muito mais sobre como Burton pensa e desenvolve suas ideias do que fotos e filmes em si. E isso é genial, porque não é sempre que temos uma perspectiva tão íntima de uma referência cinematográfica.

Horror | Créditos Letícia Godoy (MIS)

Horror (Créditos Letícia Godoy, MIS))

Prepare-se então para conhecer melhor um diretor tão amado – afinal de contas, os ingressos em pré-venda esgostaram rapidamente – e se deliciar com algumas surpresas. A exposição traz originais desenhados a mão por Burton e várias técnicas e suportes. Desde quadros em telas como guardanapos e acrílico ou esferográfica. São inúmeros originais que não tinham a intenção de ver a luz do dia, então não há exatamente uma ordem cronológica na apresentação delas. Você começa com uma fantástica simulação de stop-motion por meio de tipo zootropo da cabeça de Jack (de O Estranho Mundo de Jack), para depois ver alguns desenhos, uma parte de uma animação não concluída, mas ainda assim imersiva, para chegar na próxima sala por meio de um tobogã.

Humor | Créditos Letícia Godoy (MIS)

Humor (Créditos Letícia Godoy, MIS)

Se sentindo uma criança depois desse tobogã – não tenha vergonha em experimentar – está a próxima sala/sentimento chamada de Felicidade. Lá estão o gigantesco Garoto Balão (do livro O Pequeno Menino Ostra e Outras Histórias) que segue os visitantes com seus olhos, séries fotográficas dos personagens do diretor e algumas esculturas. Aqui é onde Tim Burton colocou seu ceticismo e imaginação.

Felicidade | Créditos Letícia Godoy (MIS)

Felicidade (Créditos Letícia Godoy, MIS)

A exposição ainda tem os sentimentos Angústia – é a parte mais curta, talvez pela introspecção do diretor – e Encantamento, onde continua a interatividade e vemos os heróis de Burton. Há preciosidades nessa instalação, como páginas do The Giant Zlig, um projeto de livro infantil rejeitado pela Disney, junto da carta enviada ao estúdio e a resposta incentivadora recebida. Não deixe de prestar atenção guardanapos. Não por serem bem desenhados, mas para perceber como a mente do diretor funciona.

Felicidade (detalhe) | Créditos Letícia Godoy (MIS)

Felicidade (detalhe) (Créditos Letícia Godoy, MIS)

Angústia | Créditos Letícia Godoy (MIS)

Angústia (Créditos Letícia Godoy, MIS)

Melancolia | Créditos Letícia Godoy (MIS)

Melancolia (Créditos Letícia Godoy, MIS)

Encantamento | Créditos Letícia Godoy (MIS)

Encantamento (Créditos Letícia Godoy, MIS)

Os Projetos não-finalizados – como Superman Lives, Chapeuzinho Morta – deve ser a parte mais curiosa da exposição. Existe potencial naquelas histórias e é uma pena saber que elas não verão a luz do dia. Alguns conceitos e desenhos são fantásticos e ter a oportunidade de chegar perto deles é uma experiência única.

Projetos não realizados | Créditos Letícia Godoy (MIS)

Projetos não realizados (Créditos Letícia Godoy, MIS)

Na parte da filmografia há um misto de coisas que conhecemos, como os filmes citados no começo, e outros nem tanto. Você poderá assistir uma versão de João e Maria ou a animação stop-motion Vincent enquanto se deslumbra com réplicas, desenhos de produção e uma estação onde pode conferir a em versão virtual os artbooks de seus filmes.

FALANDO COM TIM BURTON

Tim Burton (Créditos Tiago Lira)

Tim Burton (Créditos Tiago Lira)

E no dia 10 de fevereiro, tivemos a oportunidade de conversar um pouco com o próprio Tim Burton, também a convite do MIS. Ele falou sobre seus filmes, o desenvolvimento da exposição e o que achou de estar no Brasil: “Participar do Carnaval no Rio foi uma experiência incrível (…) assim como a beleza do país” – ele disse. Tim também comparou sua vida em Burbank (Califórnia) e a diferença como nós brasileiros nos expressamos. “Era uma cultura muito mais fechada. Vocês são mais abertos e criativos“. E sobre o nosso cinema, expressou a vontade em conhecer o nosso querido Zé do Caixão.

Na minha vez, perguntei sobre como funciona o processo criativo dele, já que vimos até guardanapos desenhados, o que mostra que a mente dele é sempre ativa e que só para quando está dormindo. “É um problema. E talvez eu passe muito tempo em bares” – disse em tom de brincadeira. “Para mim é um jeito de me comunicar, não com outras pessoas, mas comigo mesmo. Explorar meus próprios sentimentos e minhas próprias emoções. Então é uma pena… eu não durmo tanto quanto deveria.”

Sobre a exposição, Tim declarou que “é como entrar num parque de diversões e vou pedir que a partir de agora o tobogã esteja presente em todas as exibições“.

Perguntado sobre os sentimentos que influenciaram no decorrer dos seus trabalhos, como podemos perceber na visitação, a nossa amiga Juliana Varella perguntou qual é o sentimento que hoje rege Burton. “Medo“, ele respondeu sem pensar muito. “Mas todos temos várias emoções, por isso gosto tanto da forma como a exposição foi montada“.

Mais um amigo – Angelo Costa do Além da Tela – perguntou sobre a decisão de mostrar mais do processo criativo do que a filmografia em si. “Todas as coisas apresentada aqui não foram feitas para serem vistas (…) Eu não me considero um grande artista ou grande realizador de filmes (…) mas o melhor da exposição é que ela pode inspirar as pessoas (…) as crianças se inspiram muito, e esse é o melhor elogio que eu posso receber“.

Claro que ele foi perguntando sobre se voltaria a fazer um novo filme de super-heróis. “Acho que não sobraram mais filmes para serem feitos (…) Foi interessante na época porque o estúdio estava muito preocupado por ser um novo território. Mas eu posso fazer o Stainboy“, personagem criado por ele e que está presente na exposição. E sobre Superman LivesFoi doloroso (…) eu sei que fizeram um documentário e eu nem quero assistir por causa disso“.

O diretor ainda falou sobre seu amor pelas obras Ray Harryhausen (“Prefiro o seu stop-motion do que os desenhos animados“), sobre a possibilidade de um Beetlejuice 2 (“Eu li por aí até que eu já fiz esse filme. Mas se for acontecer, tem que ser feito certo“) e como se sentiu visitando a exposição (“É como se eu fosse um fantasma olhando para toda a vida. É estranho, mas é apresentado tão belamente que me fez feliz. Se fossem apenas quadros pendurados numa parede eu não me sentiria tão bem assim“.)

O Mundo de Tim Burton vai de 4 de fevereiro a 15 de maio no MIS (Avenida Europa, 158 – Jardim Europa, São Paulo). Os ingressos em pré-venda estão todos esgotados, então você terá que arriscar na bilheteria pessoalmente de terças a domingos.

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