Invasão Zumbi | Crítica | Busanhaeng, 2016, Coreia do Sul

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Invasão Zumbi é um bom filme de horror que mistura tensão e crítica social, mesmo que não acrescente nada de novo ao gênero.

Invasão Zumbi (2016)

Elenco: Gong Yoo, Ma Dong-seok, Jung Yu-mi, Kim Su-an, Kim Eui-sung, Choi Woo-shik, Ahn So-hee | Roteiro e direção: Yeon Sang-ho

8/10 - "tem um Tigre no cinema"O que faz cada história ser original dentro de um universo que já contou todas as histórias? É preciso mesclar e adaptar elementos, de maneira que cause alguma surpresa ao espectador. Ou simplesmente contar uma boa história que traga reflexão. Invasão Zumbi é o segundo caso. Os elementos, tanto de terror como de ficção científica, já foram abordadas em outras situações e até de maneiras parecidas. O que Sang-ho Yeon faz, no papel de diretor e roteirista, é confinar os protagonistas junto da a plateia durante duas horas numa tensão que prende a atenção pelos movimentos de câmera e a sensação de claustrofobia. O resultado é um eficiente horror que reflete aquele que parece inerente ao ser humano.

Há uma situação quase cômica no prólogo do filme que é uma ótima metáfora do que serão os 120 minutos seguintes. Um homem comum passa por um bloqueio de descontaminação em direção ao trabalho, ouve de um funcionário do governo dizer que está tudo bem, atropela um cervo e exclama “Hoje não é meu dia” – e o animal é reanimando dos mortos. Histórias de zumbi, pelo menos desde George Romero e seu A Noite dos Mortos Vivos (Night of the Living Dead, 1968), também são metáforas. Concordando ou não, Sang-ho passa por meio desse prólogo é que não devemos acreditar em tudo o que o governo diz.

Levando em conta a estrutura da história, podemos de novo fazer o paralelo com a simplicidade da primeira camada. Mesmo com muitos pontos de vista, a história é do ponto de vista de pai e filha, o que cria uma identificação familiar e fácil de nos apegarmos. Woo (Gong) e a pequena Soo-an (Soo-an) tem a tarefa mais simples de todas: chegar do ponto A ao ponto B. Isso é a teoria. Encontrando outros passageiros na mesma situação – duas irmãs já bem mais velhas, um relutante casal que fazia parte de um time de baseball, outro casal que logo serão pais – o caminho entre os vagões é recheado de egoísmos e medos.

Gostamos de pensar que somos solidários, mas é nessas horas que somos colocados à prova e descobrimos ou se soltamos nossos monstros internos ou não – e os zumbis são essa metáfora. Então a história repete esse elemento do pior do ser humano e percebendo isso, Sang-ho resolve nos presentear com mais ação. Mesmo que haja elementos tirados de Guerra Mundial Z (World War Z, 2013, Marc Forster) e Extermínio (28 Days Later, 2002, Danny Boyle) – e até de Expresso do Amanhã (Snowpiercer, Bong Joon-ho, 2014) de certa maneira – a vantagem da produção é confinar isso num ambiente que não há para onde fugir e onde cada derrotado faz parte do exército inimigo. Então, o trem com pouco mais de quatro metros de largura vai se fechando e virando cada vez mais um caixão com rodas.

É nessa claustrofobia que os picos de adrenalina vão tomando conta do espectador. A câmera do diretor é trêmula, focando em pontos específicos como alguém presenciando uma atrocidade e não conseguindo se virar o rosto num misto de horror com asco, sem deixar de pegar alguns detalhes ao fundo. Ouvimos sons de ossos e juntas estalando e a falta de reação dos primeiros personagens é crível. A reação inicial de quem vê Woo e Soo-na correndo do fundo do trem é o tempo de reação de um ser humano que tenta tirar sentido de uma cena incomum, antes de apelar para seus instintos mais primitivos – o que leva aos eventos que acontecem no último vagão.

Como se espera de qualquer filme do gênero, há muita morte e muito sangue. O diretor, no entanto, tem dificuldade em criar cenas dramáticas mais diretas. Por exemplo, enquanto ele mostra por meio de uma conversa telefônica como seria a transformação de uma pessoa infectada nos seus últimos momentos de lucidez, Sang-ho não tem a mesma sutileza nas mortes que nos importamos, apelando para a música alta e dramática, o que é bem desnecessário. É difícil dizer se foi por inexperiência em criar esse tipo de drama sem o uso de recursos clássicos, mas é que a produção estava num carrossel de emoções com tão poucos descansos que esses momentos não precisavam de reflexão e sim que fossem mais crus para reforçar esse lado horrível das pessoas.

Por outro lado, a história foge do clichê de criar heróis fáceis e altruístas.  Pelo contrário, Woo é o mais egoísta possível ao não dividir informação privilegiada que poderia ajudar mais gente, o que o coloca em conflito com a própria filha. A mensagem que o pai tenta passar para ela é exatamente tudo que é criticado por Sang-ho entre a ação desenfreada. Zumbis que correm e se amontoam lembram alguns eventos como a Black Friday, chegando a pisotear outros por coisas, querendo chegar em primeiro a qualquer custo. É uma visão exacerbada desse comportamento, e apenas um exemplo, mas é para isso que servem histórias como essa.

Invasão Zumbi é um filme com muita ação – com direito a vermos pessoas derrubando zumbis no braço –, traz uma mensagem sobre família e como podemos ser enganados por poderes maiores. Sang-ho reflete a própria situação, considerando que as tensões entre as Coreias ainda não cessaram, no momento em que há uma mensagem oficial do governo dizendo, por meio da televisão, que estava tudo estava a ponto de ser controlado enquanto na internet o termo mais pesquisado era “zumbi” e as redes sociais estavam sendo inundadas por vídeos em tempo real de ataques. Isso não é exclusividade daquele país e mesmo tão distante podemos traçar paralelos com a nossa realidade.

Invasão Zumbi | Trailer

Invasão Zumbi | Pôster

Invasão Zumbi | Pôster Brasil

Invasão Zumbi | Imagens

Invasão Zumbi | Galeria

Créditos: Divulgação

Invasão Zumbi | Galeria

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Créditos: Divulgação

Invasão Zumbi | Galeria

Créditos: Divulgação

Invasão Zumbi | Galeria

Créditos: Divulgação

Invasão Zumbi | Galeria

Créditos: Divulgação

Invasão Zumbi | Sinopse

O ponto da partida de trama é um surto viral misterioso que deixa a Coréia em estado de emergência. Um vírus não identificado se alastra pelo país, transforma a população em zumbi e o governo coreano declara lei marcial. Com isso, todos que estão a bordo do trem expresso para Busan, uma cidade que defendeu com sucesso o surto viral, devem lutar por sua própria sobrevivência. O percurso de Seul a Busan é de 453 km e durante o trajeto uma luta pela sobrevivência é travada por aqueles que têm outros a proteger”.

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About TIAGO

TIAGO LIRA | Criador do site, UX Designer por profissão, cinéfilo por paixão. Seus filmes preferidos são "2001: Uma Odisseia no Espaço", "Era uma Vez no Oeste", "Blade Runner", "O Império Contra-Ataca" e "Solaris".