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Thelma tem toques de filme de terror à primeira vista, mas trata mais dos maus que podem acontecer se formos cortados daquilo que somos.

Thelma | Review

Elenco: Eili Harboe, Kaya Wilkins, Ellen Dorrit Petersen, Henrik Rafaelsen | Roteiro: Joachim Trier, Eskil Vogt | Direção: Joachim Trier (Oslo, 31 de Agosto) | Duração: 116 minutos

Um mínimo conhecimento da mitologia judaico-cristã e de John Milton e seu Paraíso Perdido abre um leque de interpretações para Thelma. Não por ser um filme religioso, mas por ser uma crítica a como a repressão pode cortar relações com quem você é de verdade. É verdade que a produção mistura temas que já conhecemos e que já vimos em outras produções e em variadas mídias. Mesmo assim, Joachim Trier consegue usar esses elementos de maneira criativa, com várias surpresas preparadas para audiência – inclusive na virada do roteiro que, mesmo inesperada, faz sentido dentro da narrativa – inclusive com efeitos especiais pontuais e que são usados apenas quando necessário.

O que acontece com a jovem Thelma (Harboe) é uma modernização das caças às bruxas da antiguidade, algo reforçado pelo prólogo onde Trond (Rafaelsen), seu próprio pai, aponta um rifle para a cabeça da jovem quando ainda era uma menina. Nesse primeiro momento, a pequena criança vestida de vermelho será alvo constante dos pais simplesmente porque ela ser quem é. Ou melhor, ela ser o que é. Assim como as religiões mais tradicionais podam tudo o que sai do que é ortodoxo, a agora crescida Thelma tem anos de repressão para lidar – notem que a primeira cena da jovem já na faculdade o mesmo vermelho que usava por fora no figurino agora é coberto por outra cor.

A questão é que Thelma tem algo de especial dentro de si, uma coisa que o pai só vê com maus olhos por causa do passado da jovem, que cometeu algo terrível, mas apenas por não entender o que ela é de verdade. A manifestação desse poder reprimido, que se mistura com desejo, acontece de novo pela presença de Anja (Wilkins). É curioso notar que a jovem representa um novo mundo em vários sentidos. Primeiro por ser alguém que ela conhece quando se distanciou dos pais. Segunda, isso mais simbólico, pela sua pele mais escura, como se Thelma, uma europeia de pele branca, visse pela primeira vez uma nativa americana de pele morena.

Essa característica de isolamento de Thelma que faz parte da sua característica pode ser encontrada em outras marcantes personagens femininas como Carrie White e a Elsa de Arendelle, passando inclusive pelos mutantes de X-Men. Todas essas histórias são sobre repressão e de como quando alguém é forçado a ser o que não é pode se revoltar ou fazer o mal por não saber lidar com seu próprio eu. Assim como a rainha de Frozen e a jovem do filme de De Palma, Thelma seria bem melhor se treinada, mas a a luz cegante da religião não permitiu que Trond entendesse a filha.

Repressão religiosa e repressão sexual são os dois fatores que fazem a jovem perder o controle e sua criação de maneira tão isolada do mundo real faz, inclusive, que Thelma seja altamente sugestionável, como na cena que seus colegas a induzem a acreditar que ela está fumando um cigarro de maconha quando na verdade era apenas um de tabaco, se encontrando envergonhada e fragilizada. E, consequentemente, mais isolada. Perto desse episódio, Trond diz à filha para que ela não perca contato com quem ela realmente é; um conselho não seguido por ele próprio ao podar Thelma por tantas vezes.

E assim como essa é uma obra de crescimento e autoconhecimento, a trama tem partes de revolta. Isso explica quando Thelma, depois de admitir seu desejo por Anja, se martirize com orações e tente se encontrar de volta no mundo espiritual ao cantar no coral de uma igreja. Assim como a adolescência é a fase de conflitos, a volta à normalidade da vida da jovem representa, nesse cenário, a revolta com seu descobrimento. Mas, assim como essa fase passa rápido, também é assim para a protagonista. E com isso vem uma grande virada na história que até aqui, mesmo com elementos interessantes, pecava pelo dinamismo e até pela lentidão – algo que se despedaça como vidro.

Apesar de não ser um filme desse gênero, Thelma tem algo de terror por causa da fotografia densa, dos signos de tentação – como a serpente que adentra o paraíso -, homenagens aos clássicos – a presença dos pássaros é quase hitchockiana – e a ligação com uma passagem de John Milton em Paraíso Perdido, a que envolve as chamas que nunca se consomem. Apesar dos elementos fantásticos, é uma obra que coloca uma discussão sobre o que somos e como a aceitação é importante. A diferença é que a película faz isso de maneira exacerbada, mas depois fica fácil identificar esses pontos.

Thelma é o indicado da Noruega para concorrer uma vaga no Oscar 2017 na categoria Melhor Filme de Língua Estrangeira

Thelma | Trailer

Thelma | Pôster

Thelma | Cartaz nacional

Thelma | Galeria

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Thelma | Sinopse

A jovem Thelma se muda para longe dos pais para estudar. Lá ela se apaixona por Anja, conhece novas pessoas, um novo mundo de possibilidade e a versão reprimida de si mesma. E isso começa a ocasionar uma série de eventos inexplicáveis.

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