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Ted está de volta com sua boca suja e com mais sêmen do que antes. Que triste…

Ted 2, 2015

Com Mark Wahlberg, Seth MacFarlane, Amanda Seyfried, Giovanni Ribisi, John Slattery, Jessica Barth, Morgan Freeman, Patrick Stewart. Roteirizado por Seth MacFarlane, Alec Sulkin, Wellesley Wild. Dirigido por Seth MacFarlane (Ted).

4/10 - "tem um Tigre no cinema"Se eu fosse mais ligado à área da psicologia, com certeza interpretaria melhor os signos que Seth MacFarlane usou em Ted 2, e isso não é um elogio. Desde seu filme anterior, o diretor tem uma fixação muito estranha com fluidos corporais, evoluindo – não no bom sentido – aquelas piadas das comédias dos anos 1980. Diferente do ótimo filme original, aqui há exageros demais, piadas fracas, óbvias e sem timming. Há algumas exceções, como as participações especiais, e a brincadeira visual de dois personagens secundários. Perdido inclusive tecnicamente, é melhor McFarlane continuar nas piadas e gags de suas séries de TV, onde o formato aparentemente funciona melhor.

Ted (McFarlane) continua incrível na sua captura de movimentos, e são pouquíssimos os momentos em que percebe que o efeito ficou fraco. Seus passos são mais leves, e percebemos isso melhor quando ele está correndo, o que é justificado pela própria estrutura do personagem feito de poliéster – e magicamente trazido à vida. Ele até está melhorado em outros sentidos, muito mais se o compararmos com John (Wahlberg) que está separado e continua sendo o vagabundo do filme anterior. E é de estranhar a decisão de McFarlane e os outros dois roteiristas de quase apagar a personalidade de John nesse filme. A impressão é que ele se tornou um ser bidimensional, definido apenas pela amizade de Ted e seu vício por pornografia. Qualquer coisa para aprofundar melhor o personagem seria válido, como uma simples citação de emprego ou outra evolução em relação ao primeiro filme.

As melhores piadas do filme incluem os flashbacks muito bem montados, que já é uma assinatura do diretor que vem desde Family Guy: a despedida de solteiro de Ted com toda a galera discutindo uma cena de sexo – e o mais engraçado é a quando vemos a imagem que na tela de TV – e o tipo de trabalho que Ted teve que fazer para ajustar as contas em casa. E as várias participações especiais como um ameaçador Liam Neeson no mercado, Jay Leno, Tom Brady e talvez a mais cômica, rápida e ácida que é o time da Fox News falando sobre o assunto da cidadania de Ted.

Mas o ponto que o espectador se pegará pensando que talvez McFarlane tenha ido um pouco longe demais é a cena do banco de esperma. O lado bom é que o ápice da grosseria aconteceu ali no começo do segundo ato, e que nada mais seria pior que isso. Talvez. Uma pena que as boas piadas também vão perdendo espaço, e a partir dali você pode contar nos dedos de uma mão o número de risos na sala. A não ser que você ache graça em ver pessoas consumindo drogas em bongs com formato de pênis, piadas com cegos e até citando pejorativamente pessoas pequenas, o onze de setembro, Charlie Hebdo e Ferguson como se estivéssemos algum tipo de show de horrores.

Acredito que os responsáveis tiveram uma grande oportunidade de desafiar o sistema legal dos EUA e a questão de direitos civis, uma discussão bem válida levando em conta casos como os da cidade de Ferguson, sobre o que é ser um humano e uma explanação da própria história do mundo pela advogada de Ted, e mesmo assim, faltou ousadia nesse ponto. Samantha Leslie Jackson (Seyfried) – o nome é uma piada bem inteligente – é a nada usual advogada num nada usual filme de tribunal. Afinal de contas, um roteiro que permite uma piada com os homossexuais nos faz perguntar, no mínimo, até onde pode ir o politicamente incorreto.

Ted 2 | Pôster brasileiro

O personagem Ted é um péssimo exemplo a ser seguido, mas ainda assim algumas piadas de Ted 2 funcionam. É de rolar de rir quando Guy (Warburton) e Rick (Dorn) vão até a Comic Con vestidos de O Tick e o Comandante Worf (seus personagens mais famosos) só para tirar sarro dos nerds. Assim como é a piada musical envolvendo o tema de Jurassic Park – que usou o tema bem melhor do que no filme mais recente da franquia. Porém não vai muito além da piada pela piada e o festival de referências. Perdido nas piadas e até na direção em alguns momentos. Exemplos são a cena da briga entre Ted e Tami-Lynn (Barth), com uma nada convincente câmera tremendo para mostrar a tensão, e outra envolvendo Tartarugas Ninjas já perto do desfecho. Pelo menos é uma evolução ao terrível filme anterior Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola. Não que isso tenha grande significância.

Sinopse oficial

Ted e seu amigo John estão de volta em Ted 2, longa dirigido e escrito por Seth MacFarlane sobre a tentativa de paternidade do ursinho mais polêmico do cinema. Na continuação do sucesso de 2012 – que arrecadou mais de US$ 500 milhões em todo o mundo – Ted se casa e pretende levar a diante o sonho de muitos humanos: criar uma família.”

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