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Não se deixe levar pela opção brasileira de açucarar o título, pois com o nome original diz “A Mulher do Viajante do Tempo” é bem mais importante que apenas Te Amarei Para Sempre.

Te Amarei Para Sempre

Com Eric Bana, Rachel McAdams, Ron Livingston e Stephen Tobolowsky. Escrito por Jeremy Leven (Don Juan DeMarco) e Bruce Joel Rubin (Ghost – Do Outro Lado da Vida). Baseado no romance de Audrey Niffenegger. Dirigido por Robert Schwentke (Plano de Voo).

Não se deixe levar pela opção brasileira de açucarar o título. O nome original é “A Mulher do Viajante do Tempo”! Nerds de plantão como eu se levaram pelo título original. Suas namoradas/esposas, pelo título brasileiro (nem em Portugal mexeram no título). Foi um risco da distribuidora, e digo que sempre um filme tem que manter seu título original (talvez ache três exceções). Apesar de ser um filme romântico, o título “A Mulher do viajante do tempo” mantém a importância tanto ao viajante Henry (Bana) e Clare (Rachel). E acredito que original à todos. Enfim.

O filme é bem competente nos seus quase 100 minutos de projeção. Para chamar a atenção do público que não gosta de ficção científica, você não verá explicação técnica ou científica de como a viagem no tempo é possível. O que Henry tem é uma anomalia genética, e você vai ter que se contentar com isso. O que não será um problema já que, antes tudo, essa é uma história de duas pessoas que foram feitas uma pra outra. Que outro motivo impulsionaria Harry a conhecer Clare em todas as fases de sua vida?

Uma boa história é reforçada por uma boa direção. As questões tratadas visualmente na tela fazem Henry indefeso. Sua primeira viagem é feita quando ele ainda é uma criança, e ele sempre perde as roupas no processo. Então, não importa a idade, ele sempre vai estar exposto e indefeso. Algo que faltou ser tratado é se ele nunca se materializou na frente de algum desconhecido, ao invés de sempre sumir. Isso daria uma outra roupagem ao drama. Isso não é comentado por Henry, então podemos supor, diegeticamente, que nunca aconteceu.  Some isso ao fato dele ser trabalhar em uma livraria. Um amante da história, por viajar nela. Mas suas incursões são tão curtas que ele só pode viver a própria. E esses são eventos se tornam históricos por serem importantes para ele. Nessas viagens constantes, Henry se preocupa com o que importante na sua vida, e antes de conhecer Clare pela primeira vez, é até bagunceiro. Apesar dele pedir desculpas a ela pelo fato, esse é um traço importante do personagem. Quando se pode sumir depois de alguns segundos, arrumação é uma perda de tempo.

Outro foco é a imutabilidade do passado. Henry comenta que já tentou mudar a história de sua mãe, que morre logo nos primeiros minutos do filme, mas que nunca consegue. De novo, não é dada explicação, mas esse é o mesmo princípio de “A Máquina do Tempo”, a clássica história de HG Wells. Faça os testes na cabeça até cruzar os olhos. O meio do filme traz mais uma vez à tona esse questionamento. Henry já tem entendimento das “regras” e apenas pode jogar com ela. Claro, nada o impede de fazer uma curva fora da história para benefício próprio. Quem de nós não tentaria? Sabemos muito bem que Marty McFly tentou.

“Te amarei…” é um bom romance e se equilibra bem com a ficção científica. Vi na tela que o diretor juntou bem os fatos passados e presentes, ligando o drama com o romance, nos dando pequenas dicas no filme. Algumas coisas são angustiantes, como a perigosa sala de troféus do pai de Clare, um grande 5, e a colocação da câmera em frente ao rosto de Bana, em certo ponto do longa. Outras são divertidas, como o fato de Henry viajar sem roupas, ou o trem que o personagem pega se chamar Loop.  As cores anunciadas e a fotografia nos dão bons temas complementares do que acontece. A trilha sonora não me chamou tanto a atenção, e um furo ou outro durante a projeção nos faz coçar a cabeça. Mas a desculpa do lapsos de tempo podem servir de base para alguma coisa que perdemos.

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