Postagens Etiquetadas ‘Filmes de 2005’

O Sol (Солнце, 2005, Rússia) [Crítica]

Com Issei Ogata e Robert Dawson. Escrito Yuri Arabov e dirigido por Alexander Sokurov (Arca Russa). Terceiro filme biográfico de Sokurov, mostrando o imperador do Japão Hirohito lidando com a derrota do seu país nos momentos finais da 2ª Guerra Mundial.

Comparando com Moloch (1999), é um filme superior na direção e na história. A empatia pelo imperador é bem maior, quando se compara a figura histórica/personagem de Hitler. Você sente pena daquela pessoa que era vista por seu povo como uma entidade divina, descendente do deus Sol, vendo a fragilidade, e a finalmente admitindo o fato, em voz alta, que ele não é nada disso e que a derrota do Japão se deu pela arrogância exacerbada do próprio povo. O roteiro deixou de lado o julgamento pelos crimes de guerra do Japão, e o encontro de Hirohito com o Gen. MacArthur não ter se dado exatamente do jeito que é mostrado. Mas não é isso do que trata do filme. E tem um pouco mais de trilha sonora. Isso é outro destaque que O Sol sobre o filme Moloch. No fim da projeção, só pude dizer que é um filme lindo.

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O Novo Mundo (The New World, 2005, EUA e Reino Unido) [Crítica]

Com Colin Farrell, Q’orianka Kilcher, e Christian Bale. Escrito e dirigido por Terrence Malick (Árvore da Vida). Filme sobre o choque de culturas, com a chegada de ingleses e os nativos norte-americanos, na região que hoje é a Virginia, em 1607. E no centro dela, a relação do Cap. John Smith (Farrell) e Pocahontas (Q’orianka), do povo Powhatan.

Um dos mais belos dramas que tive o prazer de ver. Malick conduz a história mostrando as belezas do novo mundo, com pouca interferência do velho. Pensamentos se misturam com as falas dos personagens, tirando um pouco a linearidade do roteiro (mas não tanto quanto em “Árvore da Vida”). James Horner escreveu a trilha sonora, e devia estar num momento inspirado, fazendo passagens musicais ao estilo Vivaldi, dando sons de orquestra aos sons da natureza. Tenho que destacar também a fotografia de Emmanuel Lubezki, fazendo o jogo de luz e sombra com o realismo necessário para uma história tão bonita e triste como essa. Se você viu e gostou de Pocohantas 1 e 2, precisa ver esse filme. Mas precisa entender a diferença que faz a história ser triste, e não um conto de fadas da Disney. Assistam com a mente livre e aberta, e não simplesmente com um filme Colin Farrell e Christian Bale.

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Manderlay (Manderlay, 2005, Dinamarca, EUA, entre outros) [Crítica]

Com Bryce Dallas Howard, Willem Dafoe e Danny Glover. Continuação de Dogville (2003), mostra Grace (Bryce) em 1933 encontrando uma fazenda onde a escravidão dos negros ainda é imposta. Numa jornada idealista, ela decide tomar as rédeas da situação, numa mea culpa, onde todos os brancos são culpados.

Saímos de Dogville, mas o diretor nos mostra o filme do mesmo jeito, como deveria ser: uma encenação quase teatral, sem cenários. Mas, diferente do seu antecessor, onde a situação poderia ser imposta para toda a humanidade, Trier desce toda sua raiva nos EUA. É aí onde o roteiro peca, deixando a universalidade de lado. Trier se colocou como muitos fazem, colocando todos os males do mundo nos EUA, como se outros países (e outras culturas) não usaram do meio da escravidão. Por outro lado, o roteiro e os diálogos são incrivelmente bem escritos. E o ritmo flui bem melhor que o primeiro filme, mas continuo com ressalvas com as divisões de atos que o diretor faz nesse filme (parecido com o que fez em outras películas), porque você sabe que o final chegou. Mas só Manderlay tem esse mal, pelo que vi até agora. E se Dogville tivesse o mesmo ritmo deste filme, passaria de 9,5 para 10. No fim das contas, é um filme ótimo, mas fica um pouco atrás por não nos jogar a responsabilidade, como foi na cidade anterior.

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