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T2 Trainspotting é como visitar velhos amigos quando se tem pouco a compartilhar, valendo mais pela presença deles do que outra coisa.

T2 Trainspotting (2017)

Elenco: Ewan McGregor, Ewen Bremner, Jonny Lee Miller, Robert Carlyle, Kelly Macdonald, Anjela Nedyalkova | Roteiro: John Hodge | Baseado em: Trainspotting e Porno (Irvine Welsh) | Direção: Danny Boyle (127 Horas) | Duração: 117 minutos

É normal sentirmos saudades de alguém ou de uma fase da nossa vida e o que Danny Boyle fez em T2 Trainspotting é revisitar seus velhos amigos. Se no campo das emoções isso funciona, no cinematográfico nem tanto. A nostalgia simples e pura não é suficiente para criar uma história envolvente ou relevante e a direção misturando várias estéticas, mas sem foco, mostra um Boyle perdido e que não parece saber o que está fazendo. É interessante ver como os personagens evoluíram (ou não) depois de duas décadas, e é um exercício mais interessante para o diretor, mas que não se reflete tão bem na narrativa.

Primeiro, é imprescindível ter assistido o filme original antes de visitar esse. Não é um daqueles filmes que funcionam sozinhos, e nem deveria ser assim. Posto isso, fica óbvio desde o começo que apesar de Mark (McGregor) ter traído todos os seus amigos, é com Franco (Carlyle) que ele tem mais com que se preocupar. Por isso as primeiras cenas mostram os dois, opostos na vida – um em liberdade e o outro preso – e toda a jornada de Mark, que deixou para trás a alcunha de “Rent Boy”, será para tentar se relacionar de novo com Simon (Miller) e Spud (Bremner), com Boyle e Hodge usando a saudade de casa refletida na doença cardíaca de Mark (ou seja, uma dor no coração o faz voltar).

Vinte anos é tempo demais e há uma clara desconexão de Mark com a cidade que deixou para trás, e esse sentimento é traduzido por imagens do protagonista examinando de longe o apartamento que morava, onde o pai agora vive sozinho depois da morte da mãe, e mais uma vez quando Mark vai até o pub de Simon. É interessante perceber que essa linguagem visual serve para mostrar o distanciamento dos personagens, mas, aos poucos, Boyle vai usando outros movimentos de câmera, ângulos e propostas visuais completamente desconexas. Não há sentido o congelamento do frame quando Mark e Simons se espancam no bar, ou a quantidade de ângulos holandeses (aqueles que inclinam o horizonte) ou a sombra da mãe ausente de Mark no apartamento.

Sem poder usar a montagem como fez no filme anterior, já que o principio daqueles cortes rápidos que duravam no máximo dois ou três segundos era uma representação visual do uso de drogas, Boyle quis ousar dessas maneiras citadas no parágrafo anterior. Mas fica difícil entender a proposta exagerada do diretor e é bem comum ficarmos nos perguntando de que servem as decisões estéticas e até a escolha de trazer todos os personagens vivos. A aparição de Diane (Macdonald), mais uma vez, serve só para a nostalgia, pois a sua aparição para resolver um problema jurídico de Simon é inócuo porque a situação também é.

Há uma tentativa na história de quebrar essa sensação com a nova personagem Veronika (Nedyalkova), a namorada de Simon, que por ser um elemento estranho à narrativa original é um elemento fraco porque não temos uma relação com ela. Pelo menos não como a dos outros quatro que saíram inteiros do filme de 1996. E por ser mais fácil de não nos associarmos com ela e por alguns diálogos ainda no primeiro ato, fica muito fácil, quase como uma mensagem telegrafada, qual será o destino dela, com direito a uma cena final explicativa justificando ela ter feito o que fez.

O tema melhor explorado nesse retorno é a relação dos personagens que vivem em prisões. Mesmo Mark que, teoricamente, se deu melhor ao roubar os amigos no primeiro filme, a cena inicial o mostra treinando numa sala que o sufoca com cores laranja, típicas da produção de 1966; Spud ainda se vê preso no mundo da heroína, ou pelo menos nas consequências dela; Simon continua na mesma cidade, tentando seus esquemas; e Franco está literalmente preso. Por mais que nos alegremos em ver Spud feliz na reforma do bar ou na relação crescente entre Mark e Veronika, os momentos que precedem o quase impasse mexicano são menos interessantes que o confronto em si.

T2 Trainspotting admite a nostalgia no próprio texto, na briga entre Simon e Mark e suas responsabilidades do passado envolvendo as mortes do filme anterior e como os dois lidam com isso, e só funciona porque Boyle quer reencontrar seus amigos. No entanto, nem parece que encontro levou tanto tempo para acontecer por causa do pouco volume – que só tem sentindo nas memórias de Spud, derretidas pela heroína – e com um diretor mais preocupado em desafiar a audiência pelos movimentos de câmera a fazer uma crítica à sociedade, algo muito importante na produção original e tocado apenas de leve na atualização do discurso “Escolha a Vida” de Mark.

T2 Trainspotting | Trailer

T2 Trainspotting | Pôster

T2 Trainspotting | Cartaz brasileiro

T2 Trainspotting | Galeria

T2 Trainspotting | Imagens

Créditos: Divulgação

T2 Trainspotting | Imagens

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T2 Trainspotting | Imagens

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T2 Trainspotting | Imagens

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T2 Trainspotting | Imagens

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T2 Trainspotting | Imagens

Créditos: Divulgação

T2 Trainspotting | Imagens

Créditos: Divulgação

T2 Trainspotting | Sinopse

Vinte anos depois de dar um golpe nos próprios amigos, Mark “Rent Boy” Renton (McGregor) está de volta a Edimburgo. E cada um de seus antigos camaradas, Spud (Bremner), Simon “Sick Boy” (Miller) e Begbie “Franco” (Carlyle) têm contas a acertar com ele. Assim como um mundo de dor, perda e sofrimento.

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