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Spotlight

Com Mark Ruffalo, Michael Keaton, Rachel McAdams, Liev Schreiber, John Slattery e Stanley Tucci. Roteirizado por Tom McCarthy e Josh Singer. Dirigido por Tom McCarthy.

Se o jornalismo está morto, eis uma chance de aprender como ressuscitá-lo.

9/10 - "tem um Tigre no cinema"Umas das primeiras declarações em Spotlight: Segredos Revelados mostra o aspecto geral de como as coisas funcionam contra uma instituição tão poderosa quanto a Igreja Católica. Um policial pergunta ao outro que denúncia poderia existir contra um clérigo. Há um pulo de 30 anos. Quantos choros e ranger de dentes marcaram essas décadas? O filme investigativo e um tanto longo de Tom McCarthy vem num momento interessante da profissão, onde qualquer assunto é definido pelas chamadas e listas que conseguem o nosso clique por meio do sensacionalismo. É uma lição de como podemos e devemos fazer mais.

A câmera é centralizada no escritório Spotlight, mostrando um equilíbrio e uma sinergia do time. A direção de McCarthy também é assim: simples e focada. O diretor mistura tons mais documentais sem apelar para o efeito da câmera na mão, uma abordagem bem comum, ao mesmo tempo em que usa a trilha sonora composta por Howard Shore de maneira mais contida – algo que o cinema europeu já faz há algum tempo. São decisões que espectador se concentre no caso tanto quanto os repórteres.

Todo esse foco tem um preço, como podemos ver pela relação do time de Boston Globe com seus familiares. Todos os repórteres mencionam cônjuges e filhos, mas pouco aparecem na tela (ou nem mesmo dão as caras). Com exceção da mãe de Sacha (McAdams) pela necessidade narrativa de mostrar que elas ainda frequentam as missas, o que mostra o incômodo – ou asco – da jornalista crescendo. Então vemos Walter (Keaton) falando sobre a sua esposa, mas nunca vemos os dois juntos. Matt (James) preocupado com os filhos, deixando mensagens para eles, mas sempre chegando em casa tarde da noite. E Michael (Ruffalo) com seu figurino mais amassado, justificado mais perto do fim.

Esse é um elemento para fugir da cilada que seria endeusar os personagens. Suas falhas são apresentadas, às vezes até mesmo confrontadas com dureza. Esses questionamentos, que poderiam ser feitos também pelo espectador, vem de Mitchell Garabedian (Tucci), advogado de uma das vítimas, das próprias vítimas e do advogado que representa a Igreja Católica. E o ataque não vem só por palavras, mas também por imagens. Vocês poderão notar que enquanto os acusados se escondem, interagindo pouco, a instituição não deixa de estar presente. Mais de uma vez, McCarthy filme planos com grandes catedrais ao fundo para mostrar a força dos clérigos.

Momentos marcantes não faltam em Spotlight: Segredos Revelados. É um filme importante como denúncia e para compreender que a verdade está longe da história das poucas maçãs podres desse abuso que também foi espiritual, atingindo crianças duplamente vulneráveis. Apesar desse não ser exatamente o foco. É interessante ver um filme desses numa época em que jornalismo prefere se vender em poucas linhas, listas do estilo Buzzfeed ou sobre aquela atriz mostrando o bumbum perfeito num clico vicioso que é difícil definir onde começou. Por mais atenção e mais discussão é que a arte precisa existir, esse filme é importante tanto para jornalistas quanto os consumidores das notícias.

Sinopse oficial

Baseado em uma história real, o drama mostra um grupo de jornalistas em Boston que reúne milhares de documentos capazes de provar diversos casos de abuso de crianças, causados por padres católicos. Durante anos, líderes religiosos ocultaram o caso transferindo os padres de região, ao invés de puni-los pelo caso.”

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