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Sicario: Terra de Ninguém é um filme tenso e pesado que fará você questionar seus próprios princípios.

Sicario, 2015

Com Emily Blunt, Josh Brolin, Benicio Del Toro e Jon Bernthal. Roteirizado por Taylor Sheridan. Dirigido por Denis Villeneuve (Os Suspeitos).

10/10 - "tem um Tigre no cinema"Seria um exercício interessante assistir o último filme de Spielberg e logo depois a nova produção de Denis Villeneuve, puramente pela proximidade das estreias. Enquanto um se mostra um fã da humanidade o que temos em Sicario: Terra de Ninguém é o oposto. Um filme tenso do começo ao fim, sem espaço para descanso e que mostra o pior lado do ser humano e como ser pego no fogo cruzado pode nos afetar. Discussões entre moralidade, leis e o que é certo e errado serão seus companheiros nessa desventura. Enquanto acompanhamos personagens detestáveis que dobram a lei como bem querem a reflexão que fica é o que faríamos no lugar deles.

Em um dos níveis do filme Villeneuve e o estreante Taylor Sheridan mostram o quão terrível é a cruzada contra as drogas. Na primeira incursão que vemos, a agente do FBI Kate Macer (Blunt) chega com toda a força contra uma casa qualquer que é dominada por um dos maiores cartéis do México e que está agindo em território americano. Nessa casa onde cerca de cem cadáveres estão emparedados – um simbolismo interessante de um mal agindo por dentro – a história nos coloca numa situação que poderia ter saído de qualquer filme de terror. O que poderia te tirar o sono é saber que isso não é obra de nenhum monstro de ficção. E o diretor é extremamente hábil em nos colocar numa tensão indescritível por causa da fotografia (Academia, não esqueçam de Roger Deakins dessa vez!), da ausência de trilha sonora e pelo fato da situação mexer até com uma pessoa experiente como Kate. A tensão é tanta que você se sente que vai explodir. O que se torna verdade.

Para dar um ar mais cru à produção o diretor usa a trilha sonora muito pontualmente. Enquanto a ação acontece nos EUA Villeneuve não usa da trilha para reforçar, ou forçar, um sentimento. Os sons só chegam quando Kate, Alejandro (Del Toro) e Matt Graver (Brolin) chegam na cidade de Juaréz: tiros, bombas e as pás do helicóptero se transformam em música para dar a pior das boas vindas, mais uma vez com cadáveres. A situação é tão feia que essa força-tarefa liderada por Matt usa soldados que serviram no Afeganistão que são armados até os dentes. E a discussão aqui é uma já é antiga: de que adianta tudo isso?

Kate faz o papel daquela policial/agente que está querendo seguir as regras e que tenta não ser corrompida pelo ambiente. Nesse ponto haverá comparação com Tropa de Elite – o que não quer dizer que Villeneuve e Sheridan tenham copiado José Padilha. Como alguém que acredita na constituição e no seu país é inadmissível para Kate que certas ações sejam tomadas. E há dois momentos brilhantes que envolvem a bandeira americana enquanto a agente luta contra essa pressão. O primeiro é uma discussão dela com Matt sobre a legalidade da ação que resultou na morte de alguns traficantes numa movimentada estrada mexicana, discussão que ocorre logo embaixo da bandeira, criando visualmente um peso. Um pouco depois há uma discussão com o chefe dela que garante que não há nada ilegal no que está acontecendo já que “os limites foram alterados”. Nessa cena, Villeneuve posiciona o símbolo do lado oposto de Kate, logo atrás do seu chefe, como se aquela não fosse mais a bandeira dela.

Durante a projeção, Villeneuve intercala uma história de um policial que à primeira vista pode parecer perdido. No entanto o diretor não deixa nada ao acaso e mesmo no começo dá pistas do que aquela situação significa. A mais importante e também a mais rápida e sutil é o nome estampado na viatura dele. Porém a mensagem que fica e é reforçada já no fim do filme é o sofrimento que os mais jovens passam, pegos no fogo cruzado seja lá qual for o motivo. Na visão do diretor a guerra às drogas é ineficaz, pois mesmo depois de tudo o que acontece ainda se ouvem muitos tiros ao fundo de uma partida de futebol com crianças participando.

Há força também na construção dos personagens. Matt tem uma calma irritante ao ponto de usar sandálias durante o brefing do FBI. Alejandro é um personagem muito interessante e dúbio como podemos ver pelas cores que usa no começo da narrativa para depois encarnar o preto como se fosse um ceifador. Suas ações são as mais questionáveis do filme e temos certo receio de acompanhar o que ele faz na cena em que ele tortura um mexicano ligado à um dos grandes senhores dos cartéis do México. Nessa cena Villeneuve posiciona a câmera bem na linha do rosto do traficante enquanto Alejandro projeta sua pélvis para o rosto dele num claro ato de humilhação. E é muito inteligente a resolução dessa cena exatamente por não vermos o que Alejandro faz com o garrafão de água. Enquanto o diretor filma apenas o ralo é a nossa imaginação que toma conta.

Sicario: Terra de Ninguém | Pôster nacional

Há outros simbolismos para serem apreciados em Sicario: Terra de Ninguém. Elementos como o figurino de Kate ser sempre cinza que a coloca na área de mesma cor sem saber o que está exatamente acontecendo nos transportam para dentro do filme exatamente por que nós, como audiência, também não sabemos. E isso é fantástico. A mais marcante acaba sendo a mais óbvia que é o fato de cruzarmos linhas e o que acontece quando o fazemos. Assim como a força-tarefa vai sem jurisdição dos EUA para o México – o que por si só é uma discussão sobre o imperialismo americano – certos limites morais são ultrapassados. E quanto alguém poderia aguentar se segurando nos próprios princípios? Somos tão seguros de que nada nos faria quebra-los? A resposta pode estar no plano final onde luz e sombra se encontram. Onde os tons de cinza cumprem seus papeis.

Sinopse oficial

Na crescente fronteira sem lei entre os Estados Unidos e o México, uma agente do FBI (Emily Blunt) é exposta ao mundo brutal do tráfico internacional de drogas por membros de uma força-tarefa do governo (Josh Brolin, Benicio Del Toro) que a escalam em seu plano para derrotar o chefe de um cartel mexicano”.

Veja o trailer de Sicario: Terra de Ninguém

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