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Com Johnny Depp, Isla Fisher, Abigail Breslin, Alfred Molina, Bill Nighy e Ned Beatty. Escrito por John Logan (O Aviador), Gore Verbinski e James Ward Byrkit. Dirigido por Gore Verbinski (Piratas do Caribe).

Uma das melhoras coisas do entretenimento é ser surpreendido. Por vários motivos, não vi e mal sabia do que se tratava “Rango”. Devo ter visto um teaser trailer, e o perdi nos cinemas. E esse filme merece toda a sua atenção: foi feito com tanto carinho, numa riqueza de detalhes e homenagens, principalmente ao estilo western, que dificilmente deixará de agradar adultos e crianças. Distribuído pela Dreamworks em parceria com os efeitos especiais Industrial Light and Magic, o estúdio foge do estigma de ter apenas Shrek como grande personagem animado em seu currículo.Dublado por Jhonny Depp, velho conhecido de Verbinski, Rango é um camaleão que vive isolado em um aquário. Ao dar personalidade, qualidades e defeitos humanos ao personagem, os produtores decidem nos mostrar o que esse isolamento trás como consequência: ele fica um tanto maluco, ao ponto de inventar um universo com “personagens” que habitam o aquário. Verbinski, Logan e os outros parecem ter escolhido esse tormento para representar o que passa na cabeça de diretores e escritores. Algo que faz total sentindo em suas mentes, mas nem sempre é entendido pelos outros. Mas quando se toma uma decisão, as coisas realmente mudam de figura. Assim como na animação, o imaginário se torna real. Nossas ideias saem do aquário das nossas mentes e ganham o mundo real.

A história nos leva da beira da estrada, passando por ameaças que vem do céu e que estão com o rosto coberto pelas sombras. E mesmo nesse momento tenso, o filme dá um ar de comédia, não mostrando a cara da águia por ela ter enfiado todo a cabeça numa lata. E na pequena cidade “Poeira”, um reduto comum em filmes western, Rango tem com quem interagir, apesar da cidade estar passando por maus bocados. E com os habituais personagens, desde das pessoas mais batalhadoras passando pelas ameaçadoras figuras sempre cobertas por sombras do sallon, Rango muda de foco. Antes, queria se misturar à paisagem (o que tinha dificuldades, apesar de ser um camaleão). Depois, como fazia antes no seu pequeno mundo de aquário, se torna o protagonista. Até a luz do sallon reforça essa nova situação inventiva, tudo mais uma vez a partir da cabeça do camaleão: um cineasta nato. E ao convencer a quase todos se torna mais que isso, ao dar nova esperança para a cidade.

Cada personagem acaba carregando certos estigmas: passando por corujas mariachis (os olhos do espectador), uma raposa vaidosa, topeiras que vem trazer problemas das profundezas, um velho e sábio índio, a temível cascavel, com seu chapéu preto e bigode ao estilo “Três homens em conflito”, entre vários outros, a cidade de Poeira é um universo filmíco dos mais interessantes. E como falei no começo o cenário da cidade é cheio de detalhes que dão mais profundidade ao filme. Os quadros da sala de espera do prefeito, as construções feitas de materiais que se jogam fora, a reserva de água, os subterrâneos da cidade… Tudo isso dentro de um pequeno espaço de terra, que é tudo que a maioria das pessoas tem, e tem fé que as coisas vão melhorar, na figura da água, que vem de cima. O ritual que os habitantes fazem reforça isso: sem dúvidas, uma experiência religiosa. E as homenagens não param no universo western. “Apocalypse Now” e o primeiro “Star Wars” aparecem e você provavelmente vai vibrar como eu fiz durante a cena ao notar.

Verbinsky faz um incrível trabalho na direção. Rango e Jake Cascavel (Nighy)  são mostrados com suas devidas importâncias na história. Ambos ocupam toda a tela quando crescem na história. As luzes usadas durante a projeção dão um outro toque às situações. No fim do segundo ato, o fim do dia vai embora junto da esperança, mas alguma coisa continua lá, segurando as pontas. Com Hans Zimmer inspirado, homenageando ele também o western, com passagens que lembram Ennio Morricone, “Rango” é um pintura (feita em 2D, graças a Deus) que faz crítica ao progresso desenfreado, mas que nos mostra que a esperança é possível, até mesmo nos estranhos. É, pelo menos até agora, o filme mais divertido de 2011.

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