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Com Neve Campbell, Courteney Cox, David Arquette, Emma Roberts e Hayden Panettiere. Escrito por Kevin Williamson (Pânico). Dirigido por Wes Craven (A Hora do Pesadelo). 15 anos depois do filme original, Sidney Prescott (Neve) volta para Woodsboro afim de divulgar seu livro de memórias. Logo que ela chega, um outro Ghostface começa uma nova série de assassinatos. Sidney, Gale (Courtney) e Dewey (Arquette) se unem de novo, junto com uma nova geração, para impedir o criminoso.

“Nova década. Novas regras”. Com essa frase nos posterês de divulgação, Pânico 4 é uma mistura de reboot com remake. A volta da turma original, desde o elenco que sobreviveu no primeiro filme, passando pelo roteirista Kevin Williamson e pelo diretor Wes Craven, o filme usa da metalinguagem logo no começo e mostra quase uma reencenação da primeira morte de “Pânico”. Resumindo, é melhor que “Pânico 3”. Talvez até a melhor continuação. Mas o maior erro do roteiro é seguir quase a mesma linha do seu original, apesar do ser bem escrito e Wes Craven ainda ter jeito para dirigir. Quero dizer, Sidney é a eterna vítima? No 3º filme ela conseguiu reagir, causando uma reação para que o assassino ficasse nervoso e pisasse na bola. Gale resolve dar uma de vaca pretensiosa para ter qualquer história? Dewey pelo menos está mais sério. O elenco fora do trio principal não me causou muita simpatia. Talvez  Kirby Reed (Panettiere) por ser uma pouco mais viva do que as outras.

É interessante a questão da metalinguagem ser usada, mas não ser explorada pelos personagens. Eles sabem que estão num filme de terror. Afinal, a personagem de uma tragédia volta 10 anos depois, e aí começam as mortes. Ainda assim, sendo os fãs de terror que são, fazem questão de saírem sozinhos, falar as frases padrões e os outros erros básicos desse tipo de filme. Vejam só, a história não se passa em universo onde Jason Vorhees, Michael Myers e Freddie Kruger não fazem parte do imaginário e da cultura. Essa é a grande diferença que gosto no “Pânico” original: tratar o filme dentro da “nossa” realidade. E pra piorar um pouco, tem a dupla de policiais mais cretina de todos os tempos. Sério, eles estavam lá como alívio cômico (substitutos do que Dewey era), também conhecem a história que estão envolvidos mas não são bons nem nas piadinhas, mas sim em serem totais incompetentes. Desses, eu garanto, você não vai sentir falta. Eu até acho que quiserem fazer um pouco de comédia demais.  Veja a cena do assassinato no estacionamento e compare com o filme “Não Tenho Troco” (Quick Change, 1990). Logo vai saber do que estou falando. Já ouvi alguns boatos que a série traria uma nova trilogia Pânico. Mas pelo final, não acredito que vá rolar.

Como todo filme de suspense, temos que buscar a identidade do assassino. E eu demorei muito pra saber, e ainda assim não tinha certeza. Diferente dos 3 primeiros, o motivo desse Ghostface é meio jogado e confuso. Me pareceu que Williamson escreveu pensando no culpado, e só depois, lá pelo meio do filme, resolveu falar da motivação. Apesar de fazer sentido, não convenceu.

O mais interessante do filme é uma frase no final que é um pequeno spoiler a partir daqui!

Depois de Sidney fritar o cérebro da prima que depois se levanta só pra levar dois tiros no peito, a personagem de Neve Campbell solta a melhor frase do filme, que, pra mim já entrou para a história do cinema: “you forgot the number one rule of remakes, Jill: don’t fuck with the original” (“você se esqueceu da regra número um sobre remakes, Jill: não foda com o original”). Isso não me pareceu não só uma frase para a assassina, mas sim um recado de Wes Craven para os produtores do remake de A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, 2010) que teve críticas tão ruins de profissionais e do público e a desaprovação do próprio diretor do original. Boa, Wes!

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