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"Oz the Great and Powerful", 2013

Com James Franco, Mila Kunis, Rachel Weisz, Michelle Williams, Zach Braff, Bill Cobbs e Joey King. Roteirizado por David Lindsay-Abaire e Mitchell Kapner, baseado nos livros de L Frank Baum. Dirigido por Sam Raimi (Homem-Aranha).

6/10 - "tem um Tigre no cinema"Lembremos-nos de “O Mágico de Oz” e o que fez o filme ser, e continuar, um sucesso. Grandioso e ousado para época, com uma bela mensagem e que encantou gerações. Apesar da história original do livro ter diversas continuações, não existia um prequel. E Sam Raimi e a Disney se arriscaram e fizeram outro filme grandioso, e tecnicamente perfeito. Já o roteiro em si não é ousado, e tem vícios comuns no cinema hollywoodiano atual. Enfim, é nada mais que uma boa diversão. Mas pelo menos faz homenagem ao mundo de Oz e ao próprio cinema.

Começando com créditos de abertura lindos, uma bela fotografia em Preto e Branco e razão de aspecto standard do cinema clássico, Oscar Diggs (Franco), ou Oz, é um mágico dotado de uma lábia impressionante, consegue enganar as pessoas com truques de ilusionismo e algumas mulheres incautas, tudo na base da conversa. Alguns eventos ligados a essas características do personagem o fazem embarcar num balão no meio de um furacão. Pedindo aos céus para ser poupado, dizendo que ainda não fez nada, ele chega à Terra Encantada de Oz. Como no primeiro filme, à história ganha cores e, além disso, passa para o aspecto widescreen. Não é uma novidade, mas serve para mostrar que a visão do personagem principal se alargou.

Sendo a história muito conhecida, vamos estranhar alguns personagens novos. Theodora (Kunis) se apresenta como a Bruxa Boa, e diz que existe uma profecia sobre a chegada do mágico que livraria o povo da Bruxa Má, que matou o próprio pai que era Rei. A bruxa se encanta com o mágico, que não faz muita questão de contrariar a profecia por sua moral duvidosa. Raimi começa a inserir elementos do clássico aos poucos. Então conhecemos também o macaco voador Finley (Braff), que Oz salva de um leão, e por isso jura lealdade até a morte ao mágico. A Cidade das Esmeraldas é administrada por Evanora (Weisz), irmã de Theodora. Só confessando à Finley que não é O mágico, por algum motivo qualquer, Oz aceita a missão de acabar com a Bruxa Má e se tornar rei.

A essa altura a história é entregue de bandeja, mas não estranhem a falta de mistério. As irmãs dizem que a Bruxa Má é Glinda (Williams), mas é óbvio para quem assistiu a história original, que ela é a Bruxa Boa do Sul. Fica então para o espectador tentar descobrir qual das duas irmãs se tornará a verde Bruxa Má do Oeste.

A história faz uma mistura de aventura com redenção. Oz não podia fazer muita coisa como um ilusionista no Kansas, mas simples coisas como um vidro de cola poderia fazer mágica em Oz, como ele o de fato faz com a Garota de Porcelana (King), fato relacionado com um momento no início do filme em que ele não pôde fazer nada.

O retorno ao mundo mágico de Oz é um espetáculo visual. Um lugar cheio de cores e personagens fantásticos vai encher a tela com nuances e também homenagens ao cinema e ao ilusionismo. E Raimi como diretor dá umas leves puxadas para o terror e equilibra esse cenário de arco-íris com os babuínos alados que fazem sons assustadores. Impossível não falar dos efeitos especiais da pequena Boneca de Porcelana, que tem movimentos ligeiramente duros, manifestando a natureza do próprio corpo. Existem outros momentos técnicos dignos de nota, como a projeção fantasmagórica de Oz, mas que ficam mais bem vistos do que descritos para não estragar a surpresa (se há alguma numa história dessas).

"Oz: Mágico e Poderoso" - poster Brasil

É uma pena que a produção falhe em vários momentos. Questões de figurino, por exemplo. Não existe outro motivo para Theodora usar uma calça colada além de satisfazer a necessidade de mostrar o close de uma bunda para atrair o público masculino. Falas desnecessárias também prejudicam o filme, mostrando uma falta de confiança de Raimi no próprio tato. A cena em que Theodora chora lágrimas que cortam o rosto é notoriamente dolorida, mas ela faz questão de exclamar para Evanora “Irmã, isso doi”, como se a expressão dela não fosse suficiente para isso. O diretor também usa repetição de piadas para tentar fazer mais graça, mas quando Knuck (Cox) fica repetindo “Meu nome é Knuck” se torna uma chatice. E é de  se estranhar que Raimi use alguns zooms e ângulos forçados pra causar surpresa na luta entre duas bruxas, mas que no fim das contas se tornam extremamente galhofas. Ou erros nos próprios conceitos da história, como o fato de Flyn constantemente reclamar do peso da mala de Oz, mas um pouco a frente ele consegue carregá-la em pleno no voo porque o roteiro criou essa necessidade. Falando de novo de vícios, parece uma constante que filmes hollywoodianos sintam a necessidade encaixar algum tipo de romance para a história fluir. Essa insistência que faz que Glinda e Oz sejam um par não respeita a cronologia, já que quando o Mágico vai embora do Reino de Oz no filme original, a Bruxa Boa não parece se importar muito. Essas decisões fazem que “Oz – Mágico e Poderoso” ser apenas um filme divertido, e nada mais.

Sobre o 3D, o diretor Sam Raimi mostra que não sabe utilizar bem o efeito. No começo parecia que estava tudo certo, mas depois ele desiste de usar a grande profundidade de campo, o que faria o cérebro dar a profundidade necessária por si mesmo, e usa rack focus, que é o desfoque de elementos ao fundo. Poupe seu dinheiro e assista em 2D mesmo.

Como de costume nos filmes de Sam Raimi, há um cameo de Bruce Campbell. Ele está irreconhecível, mas protagoniza uma das melhores sequências.

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