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Com Pierre Brasseur, Alida Valli, Juliette Mayniel e Edith Scob. Escrito por Pierre Boileau, Thomas Narcejac, Jean Redon e Claude Sautet. Baseado no romance de Georges Franju. Dirigido por Georges Franju. A obssessão de um cirurgião plástico não conhece limites para reparar o mal que fez à filha. Christiane (Edith) sofreu um acidente de carro, causado pelo pai, e teve o rosto desconfigurado.  Agora o Prof. Genessier (Brasseur) vai fazer o que for preciso para dar uma vida normal a filha, custe as vidas que custar.

Um filme de terror com mais de 50 anos não pode perder o carisma. Mas também é preciso que espectador se coloque no lugar da plateia daquela época e não julgue a película com os olhos dos séculos XX e XXI. E você vai sentir isso se assistiu “A Pele que Habito“. Os temas tem uma certa semelhança. Inclusive a primeira cena em que vemos o Prof Genessier claramente inspirou Almodóvar na apresentação do Dr Roberto. Ambos se dirigem à audiência sobre transplantes de rosto, cada um à sua época. Mas as motivações de Genesserier são diferentes. Ele quer fazer o bem e ajudar a sua filha. Mas como qualquer médico insano, não mostra nenhum remorso pelas cobaias. As humanas tem que morrer, e as animais são constantemente operados e vivendo engaiolados.

O trabalho de maquiagem me agradou. Sabendo que não conseguiria passar o realismo necessário à desconfiguração de Christiane, o diretor optou por desfocar a única vez que seu rosto aparece limpo. Na maior parte do tempo, ela usa uma máscara moldada em seu rosto (que, por sua vez, lembra algo visto em “Vanilla Sky”, de 2001) e tem que se expressar pelos olhos: notem que ela praticamente não pisca, tornando-se um ser mais fantasmagórico. O andar também dá esse ar. Cheio de leveza, com passos lentos e silenciosos, Christiane parece flutuar em cena. A pele muito clara e os cabelos loiros na fotografia preto-e-branco reforçam essa figura. Complete com a propriedade onde o professor, a filha e a assistente Louise (Alida) vivem. O cenário mais clássico de um filme de terror está montado.

Com um trilha sonora de Maurice Jarre, que é digna de nota, a personagem Louise tem música própria, um pizzicatto, aparentemente. Ela tem um ar até cômico, apesar de marcante. Os outros movimentos são de orquestras sinfônicas, mas não passam despercebidas. Agradeço ao meu cunhado Marcio Guedes pelas dicas músicais.

Num mundo que é inundado por slashers, é bom voltar no tempo e ver o que assustava as pessoas. Sem poder fazer muito com efeitos especiais, o clima dado pelo ambiente soturno e as maquiagens em “Os Olhos sem Rosto” me fazem admirar muito mais esses pioneiros do cinema.

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