0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Filament.io 0 Flares ×

"The Last Stand", 2013

Com Arnold Schwarzenegger, Forest Whitaker, Johnny Knoxville, Rodrigo Santoro, Luis Guzmán, Jaimie Alexander, Eduardo Noriega, Peter Stormare, Zach Gilford, Genesis Rodriguez e Harry Dean Stanton. Roteirizado por Andrew Knauer. Dirigido por Kim Ji-woon.

7/10 - "tem um Tigre no cinema"Na primeira cena de “O Último Desafio” um policial aparece comendo uma rosquinha durante a sua patrulha. Ou seja, o diretor Kim Ji-woon diz logo de cara que o filme será um festival de clichês. O policial honesto, o traficante latino, a redenção de um personagem que antes foi popular e o bando de investigadores idiotas estão todos lá. Ainda assim, funciona; e Kim prova que nem todo clichê é ruim. O filme que marca a volta de Schwarzenegger como protagonista aposta na ação e momentos divertidos. Não é profundo, mas é uma boa volta ao gênero desse ator tão querido, e que com certeza perderia muito do charme se não tivesse o brucutu austríaco encabeçando o elenco.

A cidadezinha de Sommerton, na fronteira com o México, está eufórica com a viagem do time de futebol local, e toda a cidade está indo acompanha-los. Menos os mais velhos, o pessoal da lanchonete, o Xerife Ray Owens (Schwarzenegger) e seus delegados Jerry (Gilford), Sarah (Alexander) e Mike (Gúzman), que são toda a força policial da cidade, e Frank (Santoro) que está preso por badernagem, mas que já foi um dos mais queridos jogadores da cidade. E para coroa esse mosaico que só faltou ter um homossexual para englobar todo o tipo de ser humano, temos o dono do museu de armas da cidade, Lewis Dinkum (Konxville). E essa cidadezinha recebe a visita de um caminheiro mal-encarado chamado Burrel (Stormare), alguém que o Xerife desconfia desde o começo. E, convenhamos, colocar Stormare de cavanhaque na tela nem precisava dizer que ele é um personagem perigoso.

Corte para Nova York, onde FBI está executando um plano ousado para transportar um perigoso traficante sem chamar a atenção. Coordenados pelo Agente John Bannister (Whitaker), o mexicano Gabriel Cortez (Noriega) é colocado em correntes e despachado em comboio da SWAT, até que num plano mirabolante o traficante consegue escapar, fazendo de palhaços todos os envolvidos e ainda levando de refém a bela Agente Ellen Richards (Rodriguez).  E se mostrando um incrível piloto de corridas, Cortez consegue enganar todo o FBI, a polícia e o time da SWAT num Chevrolet Corvette C6 ZR1 modificado, o carro do começo que alcançou aquela velocidade estúpida e que, de acordo com um dos personagens, é mais rápido que qualquer helicóptero. É bem interessante o plot unindo a cidade grande com o interior, e o plano ousado de fuga que está sendo orquestrado por Cortez e Burrel. Contando com a incompetência e a descrença de Bannister, advinha pra quem sobra a missão de evitar que o traficante passe para o México?

O filme é calcado obviamente pelas cenas de ação, mas também pelas de violência, os alívios cômicos, e a presença especial de Harry Dean Stanton. Durante os 107 minutos de projeção vão acontecer tiroteios, um número razoável de cadáveres, corridas, frases de efeito e cenas espirituosas envolvendo o personagem de Lewis, que acaba revisitando o que fazia em Jackass, e até, vejam vocês, interessantes decisões fotográficas. Ao mostrar NY sempre noturna ou iluminada por lâmpadas frias, e Sommerton num tom mais amarelado e rústico, o diretor dá a impressão que a cidade não estava preparada para o desafio que viria.

O filme também tem uma mensagem que talvez a maioria não note. Kim Ji-woon e o roteirista Andrew Knauer exaltam uma nação armamentista, e provavelmente serão alvos de uma política atual que quer banir o direito de legítima defesa das pessoas. Não é nenhum exagero que Lewis tenha um museu de armas num país como os EUA. A violência do filme à primeira vista pode parecer gratuita, mas o que se vê na tela é um cenário típico: nem sempre é possível contar com a ajuda das autoridades (no caso, o governo e o FBI), então é de direito que um cidadão pegue em armas para se defender e àqueles de quem gosta, como é bem representado quando Frank e Lewis se tornam delegados na hora da necessidade. Isso também é mostrado na cena que envolve uma velha senhora, que é um dos pontos altos do filme.

"O Último Desafio" - poster brasileiro

Passada a adrenalina por causa dos tiros, sangue e piadas, temos que colocar os pensamentos em ordem. E fazendo isso é possível examinar as falhas do roteiro e do filme. Além de erro de montagem grotesco na fuga de Cortez, que desce de um andar para o outro sem cruzar com seus perseguidores, outras questões nos veem à mente: perguntas como se o traficante era o único exímio piloto da história, quem dirigia o carro no começo da perseguição; ou como ninguém reconhece o carro no momento do bloqueio; ou por que levaram 2/3 do filme para perceberem que havia um informante no FBI; como é possível subestimarem o piloto mais de uma vez; e não existem dilaceradores de pneus nesse universo? Essas coisas não deixam “O Último Desafio” ser um filme ruim, mas fazem perder o brilho. Pode na ter sido o retorno merecido ao um dos atores de ação preferidos do cinema, mas vai agradar aos fãs de estilo. Não estará entre os favoritos do gênero, no entanto a visita valeu a pena.

Obrigado pela visita. Não esqueça de comentar!

Volte para a HOME