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The Last Witch Hunter, 2015

Com Vin Diesel, Rose Leslie, Elijah Wood, Ólafur Darri Ólafsson, Rena Owen, Julie Engelbrecht e Michael Caine. Roteirizado por Cory Goodman, Matt Sazama e Burk Sharpless. Dirigido por Breck Eisner.

3/10 - "tem um Tigre no cinema"Talvez seja demais pedir para que um filme de Vin Diesel vá além do que o espectador médio busque (exceções existem e Velozes e Furiosos 7 está aí para provar isso). Talvez seja exigir demais de um diretor que só produziu filmes fracos entregasse uma produção digna de nota. Talvez seja difícil esperar que os roteiristas que sempre estiveram envolvidos em filmes que misturam ação e o sobrenatural consigam sair desse estigma. Talvez essa só uma visão amargurada de alguém cansado de tantos clichês. Talvez O Último Caçador de Bruxas fosse melhor com menos enrolação, menos conveniências, que não explorasse o peso do elenco e se concentrasse em contar uma boa história. Mas a história não é feita de talvez.

É difícil apresentar pontos para defender o novo filme de Breck Eisner. Ainda que juntamente com os roteiristas que escreveram e reescreveram o roteiro tentem. Há sinceridade em certos momentos envolvendo Kaulder (Diesel) na relação com a esposa e filhas mortas indiretamente pela Rainha Bruxa (Engelbrecht), o paradoxo de a vida ser uma maldição, o fato do protagonista não ser apenas uma arma, mas também trabalhar com o cérebro e algumas questões do design de produção no apartamento do imortal misturando elementos antigos e modernos chamam a atenção. O problema é que nesse parágrafo você, provavelmente, fez uma dezena de ligações com outras histórias já vistas antes.

Pode parecer repetitivo dizer isso – assim como é o filme –, mas o problema não é o clichê e sim como você o usa. Numa aventura eficaz o espectador se diverte, mas o problema é que nessa produção ele não criará empatia com nenhum personagem. Tudo bem Kaulder ter iniciativa ao investigar a morte do 36º Dolan (Caine), mas é um pouco difícil de acreditar que ele encontraria tão rápido um lugar baseado na mistura de odores. Essa é uma das coisas que a narrativa mais falha. Em nenhum momento a imortalidade e invulnerabilidade do caçador vêm junto de outro tipo de poder que aumente suas percepções. Uma simples linha de diálogo resolveria isso, mas o roteiro é bem preguiçoso nessa parte.

Poderíamos pensar que isso ficaria a cargo da imaginação do espectador, porém o diretor prefere em outros momentos explicar tudo o que está acontecendo e isso arrasta terrivelmente a narrativa. Começa por uma narração off feita por Dolan que parece te sido feita de última hora porque na sala de edição esqueceram que precisavam explicar o que era a Ordem da Cruz e do Machado. Depois, pelo uso indiscriminado de flashbacks que seguram o desenrolar da história. Há momentos que deveriam ser representado por atos e não falas e isso toma mais tempo da audiência, como Kaulder cuidando do amaldiçoado amigo ou quando no meio do iminente apocalipse o protagonista resolva ficar de conversinha com Chloe (Leslie).

A impressão é que na hora de entregar o roteiro os produtores perceberam que o filme tinha pouca história para contar e que precisavam pelo menos de mais 20 minutos para que fosse uma produção comercialmente viável. Então há repetição de cenas, piadas que não funcionam – aliás, horríveis e é notório que nenhum deles tem timing para comédia – conceitos jogados na trama, um ex-machina terrível que envolve um coração que simplesmente apareceu de lugar nenhum e uma divisão de narrativas, já perto do fim, onde você perceberá que serve só para dar esses minutos a mais que alguém achou necessário. Se essa esticada não existisse o filme seria bem mais dinâmico.

Outras coisas também são difíceis de acreditar, tanto narrativa e estruturalmente como vemos na escolha de Chloe de seguir Kaulder na sua missão. Ainda que seja uma ideia de vingança pelo assassinato da amiga, é tão forçado que é óbvio que serve só de interesse romântico e distração do personagem. E que falar dos vilões dessa história, um idiota atrás do outro. O plano deles todo se baseia em encontrar certo artefato, mas por algum motivo eles deixam a sutilidade de lado. Então eles são tão afobados que deixam pistas óbvias para Kaulder e o 37º Dolan (Wood – numa atuação apagada). Custava matar o padre uns dias depois da sua aposentadoria? E os inimigos da história são tão bidimensionais que um deles resolve ligar para o caçador o ameaçando no melhor (ou seria pior) estilo James Bond, com direito até à gargalhada fatal.

O Último Caçador de Bruxas | Pôster nacional

Há lampejos de criatividade em O Último Caçador de Bruxas, como a sutilidade da cena em que um dos bruxos é preso na escuridão, a rápida critica a indústria da moda e da beleza artificial ou o conceito e design da criatura chamada de O Sentinela – um elemental da terra – mas é muito pouco para se segurar. Coisas batidas como culpar as bruxas por criar a peste negra (mas depois se desculpar por Salem), seres tão maus que chegam ao ponto de pegar criancinhas, o subchefe que é derrotado com muita facilidade e decisões estúpidas dos personagens – a mais gritante é no segundo encontro entre a Rainha Bruxa e Kaulder – não sustentam o filme. É mais uma oportunidade de ver fazendo o que Vin Diesel faz melhor que é quebra algumas cabeças. Mas até isso se tornou um clichê irritante.

Sinopse oficial

Em O Último Caçador De Bruxas Kaulder, um valioso guerreiro que conseguiu derrotar a poderosa Rainha Bruxa e dizimar seus seguidores. Nos momentos que precederam sua morte, a Rainha amaldiçoa Kaulder com sua própria imortalidade, separando-o para sempre de suas amadas mulher e filha. Dessa forma, Kaulder é hoje o único caçador de bruxas vivo, tendo passado os últimos séculos caçando bruxas do mal, em nome da saudade que sente de suas amadas. Entretanto, Kaulder não sabe que a Rainha ressuscitou e busca vingança, causando uma batalha épica que determinará a sobrevivência da raça humana.”

Veja o trailer de O Último Caçador de Bruxas

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