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Com  Brad Pitt, Richard Jenkins, James Gandolfini, Ray Liotta, Scoot McNairy, Ben Mendelsohn e Sam Shepard. Baseado no romance de  George V Higgins. Escrito e dirigido por Andrew Dominik (O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford).

O mundo da máfia está cheio de seres desprezíveis e detestáveis. E Andrew Dominik mostra isso com primor na sua terceira empreitada no cinema com “O Homem da Máfia”, ao nos contar uma história cheia de violência, torpor e tridimensionalidade dos personagens. Existe também uma crítica ao período de transição entre o fim da presidência Bush e a eleição de Obama, mas também à política em geral, e até mesmo à história oficial e amplamente conhecida. O filme é um primor aos olhos, passando pelas atuações, direção, e decisões de câmeras e fotografia, e até a falta de trilha sonora nos trazem uma imperdível produção.

A entrada com uma trilha anacrônica e dissonante com discursos de Obama e McCain, trazem uma tonalidade incômoda ao filme e que vai acompanhar toda a produção. Essa feiura auditiva vai se refletir em todos os personagens, seja em sua personalidade, no modo de se vestirem, ou na combinação de ambas. Frankie (McNairy) é contratado para realizar um trabalho dtio fácil, que consiste em roubar a féria de um jogo ilegal de cartas organizado pela máfia. Ele chama Russel (Mendelsohn) para acompanhá-lo. Esse dois personagens sujos e detestáveis (tanto pela atitude quanto pelo modo de se vestirem) levam o dinheiro que Markie (Liotta) cuidava. Ele foi escolhido porque foi estúpido o suficiente de assaltar a própria casa anteriormente e depois se vangloriar do assunto. A esperança do mandante de Frankie e Russel é que a culpa caísse sobre Markie, e que o assunto fosse resolvido.

Entrecortado por vários discursos do ano das eleições americanas de 2008, e mostrando que a isso também afetou a máfia, leva quase 30 minutos para conhecermos o personagem que estampa os pôsteres do filme. Jackie Cogan (Pitt) é um assassino de aluguel muito inteligente e que consegue deduzir que não foi Markie que armou o assalto. Mesmo assim, detestável como é, não pensa duas vezes em pedir autorização para a cabeça da máfia, intermediada por um motorista sem nome (Jenkins), para que Markie seja morto para servir de lição à quem pense se atrever a fazer uma gracinha dessas de novo. As conversas entre o motorista e Jackie chegam a ser cômicas, porque tudo tem que passar por longas conversas, autorizações, como fazer, quem chamar e a dificuldade financeira que faz com o dinheiro para execuções seja reduzido.

Fugindo da obviedade de criar personagens caricatos ou maniqueístas, Dominik tem um cuidado de dar características mais humanas e piedosas aos personagens. Jackie, apesar de não hesitar no plano de tirar a vida um inocente (com grandes aspas), diz que gosta de matar as pessoas de longe e “suavemente” (por isso o título original), para que ele não precise ouvir os pedidos de misericórdia que todos fazem quando sabem que vão morrer. O amigo que Jackie chama para fazer a outra parte do serviço, Mickey (Gandolfini), também é humanizado. Um das maiores preocupações do personagem ao chegar para fazer o serviço é que, se for preso de novo, vai decepcionar a esposa que certamente pedirá o divórcio. No entanto, a persona detestável aflora logo na cena seguinte dos dois juntos, onde Mickey não parece se importar de contratar os serviços de uma prostituta e falar sem parar sobre uma outra que conheceu anos atrás.

Além do belo roteiro e de personagens com profundidade, Dominik tem atenção com todos os outros elementos do filme, como na viagem de Russel, enquanto está louco por uma mistura de sabe-se lá quantas drogas, e várias horas de sono perdidas, criando outra atmosfera incômoda para o espectador, por ser propositalmente irritante no ir e vir na bad trip do personagem. Graficamente violento, o filme pode incomodar na cenas mais fortes, como a do espancamento de Markie, num cenário triste, chuvoso e, mais um vez, sujo. A câmera lenta é bem empregada nesse e num outro momento, onde a morte de um personagem é suave como Jackie queria: com uma música tranquila ao fundo, e mostrando o limpador de para-brisa se deslocando junto com o corpo em queda (além de termos a noção da velocidade). Outra cena de destaque foi a opção de colocar câmera fixa na porta de um carro, que ao abrir e fechar, aumenta a nossa tensão e a realidade crua do fato que estava para acontecer.

"O Homem da Máfia" - poster Brasil

Apesar de ser um filme pesado e violento, “O Homem da Máfia” consegue agradar e não é exagerado por causa disso. E, ao brincar também com fatos históricos dos EUA, dissecando frases chavões e fatos históricos, o filme se torna uma excelente produção que pode afastar os mais sensíveis, mas que não deixará de ser uma das melhores produções do ano. “America’s not a country. It’s a business. Now fucking pay me“.

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