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Sean Penn e o grande elenco não salvam O Franco-Atirador, novo filme de Pierre Morel (de Busca Implacável).

The Gunman, 2015

Com Sean Penn, Javier Bardem, Idris Elba, Mark Rylance, Jasmine Trinca, Peter Franzén e Ray Winstone. Roteirizado por Don Macpherson, Pete Travis e Sean Penn, baseado no romance de Jean-Patrick Manchette. Dirigido por Pierre Morel (Busca Implacável).

3/10 - "tem um Tigre no cinema"Cinco anos não bastaram para Pierre Morel refletir sobre a sua carreira. Pelo menos é isso que se comprava com O Franco-Atirador, um filme que poderia ser estrelado por Liam Neeson (e ser mais um). Continuaria sendo mais um, claro, e nenhuma presença de outro ator adiantaria porque o que essa produção mais tem é um elenco de peso: dois atores vencedores de Oscar, e outro que muitos apostam como o futuro 007. Tanto talento desperdiçado em cenas de ação – empolgantes, é justo dizer – e que não acrescentam em nada em suas carreiras. É mais um exemplo do cinema pasteurizado, de fácil aceitação para o público de atenção mais dispersa, que tem de diferencial a parte de fora, uma camada bonita por causa dos artistas principais.

Sinopse oficial

Martin Terrier (Sean Penn), atirador em um grupo de mercenários, mata o Ministro de Minas do Congo. O tiro certeiro força o sniper a se esconder em outro país. Anos depois, de volta ao Congo, ele próprio se torna o alvo de um grupo de extermínio. Terrier começa então uma busca por vários países para tentar saber que personagem de seu passado colocou sua cabeça a prêmio. A suspeita recai sobre o negociador do grupo, Felix (Javier Bardem), que está casado com a ex-namorada de Terrier, Annie (Jasmine Trinca). ”

As palavras iniciais podem dar a impressão que é um filme sem qualidades, mas não é bem assim. As já citadas cenas de ação envolvendo Penn lutando no estilo krav maga, o design de som dos tiros e as explosões não devem em nada para seus irmãos do gênero. E inicialmente isso funciona para nos segurar na cadeira. O primeiro ato é o melhor momento do filme. Quando Martin é designado para ser o assassino de uma figura importante do Congo, somos levados pela tensão junto com ele, principalmente pela eficiente trilha sonora de Marco Beltrami, onde acompanhamos com a percussão as vezes das batidas do coração do protagonista.

Porém, mesmo nesse arco interessante, há momentos constrangedores. Félix é um personagem com uma personalidade óbvia demais. No primeiro minuto você sabe que vai ele vai ser um problema. O diretor faz questão de deixar isso óbvio pela caricatura que faz o ator espanhol passar, olhando fixamente para Annie e Martin quando os dois trocam carinhos. Então, quando Cox (Rylance) diz que o atirador que receber a ordem vai ter que sair do país, é óbvio que Martin será o escolhido. E isso não tem nada a ver com o fato dele ser protagonista. Pelas decisões de Morel, o único jeito mais fácil de fazer seria uma frase dizendo que Félix deseja Annie – ainda que o diretor faça isso de outras maneiras.

Depois o filme é uma combinação de cenas desnecessárias, uma atrás da outra, intercaladas pelos momentos de ação. Podemos começar no mesmo lugar do diretor, que mostra Martin surfando no Congo por motivos de mostrar o invejável físico do ator aos 55 anos. Por motivo nenhum, a não ser a dispersão do público-alvo mencionado acima, Morel usa flashbacks para assombrar o agora humanitário Martin. O problema é que não é nenhuma informação nova. São as mesmas cenas que vimos dez minutos antes com um efeito amarelado na fotografia e lens flare só para diferenciar o momento presente. Corte para tiros e socos convincentes.

E se você acha que os momentos embaraçosos acabaram, engana-se. Continuando na tarefa de mal dirigir seus atores, Morel faz com que Félix repita seus ataques de insegurança quando ele pede que Martin se reencontre com – surpresa – Annie, com quem está casado agora. Nisso, o diretor forçadamente faz que queiramos que ele seja culpado. Mas o cúmulo da vergonha ainda está por vir. Não é menos do que estúpido o motivo que Annie usa para estar casada com um homem que não ama. Ela compara seu matrimônio como um pagamento à Felix, numa analogia cretina do que uma pessoa deve à um bombeiro por ter lhe salvo a vida. Nem mesmo uma frase solta perto do fim do filme justifica a decisão da personagem.

A produção entra de novo num grande vazio depois da ação desenfreada na casa de campo de Félix e Annie, o que traduz bem o filme: um grande vácuo intercalada por cenas de ação bem construídas. E faltam sutilezas, é tudo muito conveniente. Mesmo quando o diretor tenta ser menos didático o estrago já foi feito. Por exemplo, quando Félix dá a ordem para que Martin seja o atirador designado, ele olha rapidamente para uma foto de Annie num arquivo. Momento estragado anteriormente por causa da obsessão claríssima do personagem pela namorada do protagonista. A única vez em que Morel consegue o efeito é numa conversa onde existe um tabuleiro de xadrez, bem no campo visão onde pouco prestamos atenção – mas para quem é mais experiente acaba entendendo.

O Franco-Atirador | Pôster brasileiro

O mais difícil de escrever sobre um filme que pouco agrega cinematograficamente é dar a justificativa que transcenda a rasa conversa do não gostar. Qualquer filme é – ou deveria ser – parte de um esforço grande. Mas O Franco-Atirador é um festival de erros. A começar pela escolha dos atores. Penn e Bardem já se provaram anteriormente. Idris Elba, no papel de J Barnes está apagado. Sinceramente, esse trio poderia ser substituído para dar uma chance a atores menos conhecidos. A montagem não ajuda, o ritmo se arrasta apesar de ser um filme de ação e só há uma justificativa sensata, que é a condição médica do personagem que dá um motivo plausível para as anotações e vídeos de Martin. Em suma, é a prova que a reunião de grandes nomes nem sempre funciona.

E apesar do nome adotado no Brasil, não, esse não é um remake do filme de 1978 com Robert de Niro.

Veja o trailer legendado de O Franco-Atirador

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