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O Exterminador do Futuro: Gênesis, remake do filme de 1984, traz de volta Arnold Schwarzenegger no papel que o consagrou num filme com bons e maus momentos.

Terminator Genisys, 2015

Com Arnold Schwarzenegger, Jason Clarke, Emilia Clarke, Jai Courtney, Lee Byung-hun e J. K. Simmons. Roteirizado por Laeta Kalogridis (Ilha do Medo) e Patrick Lussier. Dirigido por Alan Taylor (Thor: Mundo Sombrio).

6/10 - "tem um Tigre no cinema"O novo Exterminador é um filme difícil por vários motivos. Primeiro, ele leva o termo reboot ao extremo, apagando praticamente tudo que aprendemos a gostar no clássico de 1984 e a continuação de 1991 – o que não é ruim; na verdade, é o melhor conceito apresentado. Segundo, Kalogridis e Lussier se aventuram muito nos campos da ficção científica mais teórica, momentos que precisam ser traduzidos constantemente pelo T-800. O Exterminador do Futuro: Gênesis vem na mesma esteira dos últimos reboots e remakes que já estão no seu décimo ano, pelo menos, e é uma produção que não chega a ser impressionante, tampouco uma decepção.

Sinopse oficial

No longa, John Connor (Jason Clarke), líder da resistência humana, envia o Sargento Kyle Reese (Jai Courtney) de volta para 1984 para proteger Sarah Connor (Emilia Clarke) e salvaguardar o futuro, mas uma mudança inesperada nos acontecimentos cria uma linha do tempo fragmentada. Agora, o Sargento Reese está em uma nova e desconhecida versão do passado, onde ele encontra aliados improváveis, incluindo o Guardião (Arnold Schwarzenegger), novos e perigosos inimigos e uma missão inesperada: redefinir o futuro”.

Apesar de ignorar completamente A Rebelião das Máquinas (2003) e A Salvação (2009), o novo filme empresta pelo menos um elemento deles, o que, na prática, serve para os fãs caçar essas referências. Aliás, como aconteceu no segundo filme, esse faz uma série de rimas visuais com seus antecessores. E esse é um dos problemas. Se no filme de 1991 as discussões eram explicadas por Sarah, aqui é Kyle Reese (Courtney) quem faz esse papel. Então, no mesmo estilo de narração off, o protagonista fica mastigando coisas que quem já assistiu aos outros filmes sabe de cor, o que causa uma lentidão monstruosa nos primeiros momentos.

E é nesses mesmos momentos que Taylor se mostra um bom diretor de ação, mas peca no drama. Quando John (Clarke) está prestes para enviar seu melhor amigo e pai para o destino que sabe ser a morte, o diretor não consegue criar uma empatia que eles dizem ter faz anos. A música de fundo não para, assim como a câmera, num momento que deveria ser terno, ainda que essa relação tenha sido forjada no campo de batalha. Porém, as cenas de batalhas no futuro são muito bem feitas, apelando pouco para slow motions, corre junto com os atores e podemos ver muita coisa acontecendo, por causa da grande angular que Taylor usa, tentando mostrar tudo o que se passa naquele mundo futurista e distópico. Esteticamente falando, não faria mal o diretor usar planos sequência para vermos mais do que se passa em 2029.

Se você quiser discutir a questão de viagem no tempo, tão presente na série, esse será, sem sombra de dúvida, o filme que mais incluí novos conceitos e que mais vai embaralhar o nosso cérebro. Por causa de seu conhecimento futurista, o Guardião (Schwarzenegger) serve para explicar em partes – e levando em conta que essa é uma das ficções científicas mais difíceis de serem encaradas – o conhecimentos que nós não temos. Percebam como John é o nosso espelho dentro daquele universo: quando ele solta um “o quê?”, somos nós que fazemos isso dentro da nossa própria ignorância. Isso já acontecia nos filmes anteriores, mas em menor escala. Então não se assustem com a viagem no tempo, o conceito de mudanças em ondas, as inúmeras linhas de tempo ou novo conceito de momentum apresentado. A boa ficção científica não precisa de explicações profundas, mas que apenas narrativamente funcione, e nesse filme isso acontece.

A nova Sarah Connor (Clarke) é uma personagem interessante – mas longe de ser marcante como quando era Linda Hamilton – assim como seu novo conceito. A introdução do filme já foi cheia e repetitiva, então é na viagem de Kyle para 1984 é que a história fica interessante, com o possível assassinato de John e por conhecermos uma Sarah que é diferente da que vimos no primeiro filme. Afinal de contas, se é para fazer uma releitura, que se faça diferente. Ela foi criada para ser uma sobrevivente e forte desde pequena, o que é representado com traços típicos de filme de ação – a sua precisão como atiradora de elite, o seu conhecimento com outros tipos de armas – e outros mais sutis, como a cena em que ela não aceita a mão de Kyle para subir no aparato que torna possível a viagem no tempo.

Como não poderia deixar de ser, um filme dessa magnitude precisa de efeitos especiais à altura. Nesse quesito, a produção deixa a desejar pela queda de qualidade. No futuro sombrio de 2029 (mas bem fotografado por Kramer Morgenthau, que consegue compensar a luz para o uso de óculos 3D) as naves de combate e os exterminadores são bem realistas. Porém, o mais surpreendente é a releitura do primeiro filme quando vemos a recriação da chegada do exterminador original. É difícil de acreditar, mas a cena que é no mesmo ângulo, no mesmo cenário, é uma recriação quase perfeita do Schwarzenegger dos anos 1980 em CGI, compensando aquele fiasco do filme de 2009. Mas a impressão é que todo o orçamento do departamento de computação gráfica ficou na primeira metade do filme com a recriação e os movimentos do novo T-1000 (Byung-hun). Depois, você percebe nitidamente o CGI quando o T-800 encontra os punks do primeiro (ainda assim, melhor que em A Salvação). E na cena da perseguição de helicópteros, já no terceiro ato, há uma queda de qualidade mais acentuada. Sabemos que efeitos especiais é uma necessidade, mas uma mistura com elementos práticos salvariam momentos como esse.

Apesar de ter muitos elementos e uma enormidade de plot twists – que se você viu o segundo trailer já teve todos estragados –, o roteiro é bem amarrado de ponta a ponta, sem a necessidade dos ex-machinas que aconteceram no terceiro filme. O outro grande problema da produção é o Detetive O’Brien (Simmons): ele é um personagem perdido e desnecessário, não servindo para nada na trama, a não ser para fazer o papel de louco da teoria da conspiração e indicar o caminho dos helicópteros, o que não justifica sua presença. Além disso, existe pouca da discussão e as críticas que a Ficção Científica costuma trazer. A questão da Skynet/Genisys ser potencialmente perigosa por estar em todos os lugares porque nós humanos estamos constantemente ligados nos nossos smartphones e tablets – como o enfermeiro que não larga o aparelho mesmo quando está fazendo uma sutura – é rasa, principalmente se levarmos em conta tudo o que foi feito nos dois primeiros filmes da série. Além disso, teve uma campanha de marketing desastrosa por contar praticamente toda a trama, com direito a um plots twits via pôster.

O Exterminador do Futuro: Gênesis | Pôster brasileiro

Estamos vivendo num mundo nostálgico. O Exterminador do Futuro: Gênesis vem junto com outras produções de futuro distópico como a quadrilogia Jogos Vorazes (e seus similares), mas é bom olharmos para trás para percebemos que estamos revisitando não só no tema, mas também uma década. Os anos 1980 foram marcados por esse mesmo tema de distopia como, por exemplo, vimos no primeiro Exterminador do Futuro e 1984. É importante não nos deixarmos levar demais por esse sentimento, essa saudade de uma das melhores épocas do cinema de Hollywood. Por menos fantástico que esse filme seja, ele já vai tem méritos por apresentar um dos maiores ícones do cinema para os mais jovens e, com alguma sorte, abrirá as portas para revisitarem – ou conhecerem pela primeira vez – uma época em que os efeitos especiais não eram tão avançados, mas que havia muito amor e dedicação para contar boas histórias.

[ouça também]
O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final | TigreCast #97
O Exterminador do Futuro | TigreCast #48

Veja o trailer legendado de O Exterminador do Futuro: Gênesis (… pensando bem, NÃO VEJA).

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