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Run All Night, 2015

Com Liam Neeson, Joel Kinnaman, Ed Harris, Boyd Holbrook, Bruce McGill, Génesis Rodríguez, Vincent D’Onofrio, Common, Holt McCallany, Malcolm Goodwin, Nick Nolte. Roteirizado por Brad Ingelsby. Dirigido por Jaume Collet-Serra (Sem Escalas).

5/10 - "tem um Tigre no cinema"Se você está procurando mais um filme onde Liam Neeson encara os problemas à sua volta à base de tiros e socos enquanto protege os inocentes, achou. Noite Sem Fim é uma produção simples no conceito, que vale se você for realmente fissurado por essa persona que o ator irlandês incorporou desde os anos 2000. Bem produzido e fotografado, acompanha o nível que os filmes anteriores trouxeram. Poderia ser chamado facilmente de Busca Implacável 4 ou ainda Desconhecido Parte 2. Se isso e a grandes conveniências que a produção traz não te incomodarem, provavelmente é o seu tipo de filme.

Sinopse oficial

Amigo de longa data do chefão da máfia Shawn Maguire (Harris), Jimmy Conlon (Neeson), o mafioso do Brooklyn e matador profissional, já viveu dias melhores. Antes conhecido como o Coveiro, Conlon, agora aos 55 anos, é assombrado pelos pecados cometidos no passado. Além disso, é perseguido por um persistente detetive da polícia que há 30 anos está sempre a um passo atrás dele, em seu encalço. Ultimamente, parece que o seu único consolo está no fundo de um copo de uísque. Quando o seu filho distante, Mike (Kinnaman), torna-se um alvo, Conlon tem que optar entre a família do crime, que escolheu, e sua verdadeira família, que abandonou há muito tempo. Com seu filho em fuga, a única redenção para os erros que cometeu no passado é evitar que Mike tenha o mesmo destino que lhe aguarda… no lado errado de uma arma. Sem ter a quem recorrer, Conlon tem apenas uma noite para decidir exatamente a quem pertence sua lealdade e ver se finalmente fará a coisa certa.”

Emulando a si próprio, Collet-Serra trabalha mais uma vez com um personagem que tem problemas com a bebida, com os familiares e é perseguido pelos fantasmas do passado – basicamente, o papel que Neeson vem reprisando. Em um roteiro circular, começando pelo fim e com uma falsa sensação de um flashforward, Ingelsby une as famílias Conlon e Maguire no velho conceito de que os filhos pagam pelos pecados dos pais. E o diretor consegue esteticamente dividir o universo que Shaw e Jimmy vivem de modo eficaz. Ele usa de planos abertos para um, aumentando a imponência do escritório e da casa de Shaw, enquanto Jimmy é mostrado em planos mais fechados – que não chegam a serem closes –, e sua postura corporal reforça o estado do já cansado ex-matador. Visualmente, completa o visual a fotografia suja enquanto vemos Jimmy na véspera de Natal sozinho, com frio, e sem dinheiro para um aquecedor decente no inverno de Nova York.

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Notem também como o diretor gosta de trabalhar com símbolos, contando a história visualmente ao invés de apelar para palavras, passando do mais comum ao mais rebuscado. Quando Michael se reencontra com o pai depois de anos, eles se sentam para conversar em lados opostos da mesa, e enquanto o jovem está vestido de branco, Jimmy usa preto. Logo depois, quando Michael é sequestrado por policiais corruptos, forma-se uma tempestade ao fundo da cidade enquanto Jimmy segue a viatura em que o filho está, um prenuncio de todos os problemas que estão por vir. No começo do segundo ato, Jimmy enfrenta outro capanga de Shaw num banheiro sujo e escuro de uma estação de trem, refletindo a personalidade daqueles personagens. E quando o Sr Price (Common) aparece na narrativa, ele sai de um lugar escuro, com flashs vermelhos intermitentes – e percebam como ele está sempre envolto em sombras ou névoa.

Se o filme é rico visualmente nesses momentos – e ainda por cima temos Liam Neesson sendo o Papai Noel mais indecente do cinema comercial – por outro lado, há elementos que cansam o espectador. Além do uso exagerado da viagem via Google Earth, as constantes coincidências e conveniências do roteiro que acontecem numa cidade do tamanho de Nova York são demais para aceitar. De todos os restaurantes da cidade, Jimmy encontra o detetive Harding (D’Onofrio) exatamente no qual ele está para explicar parte do passado e da culpa que o agora aposentado matador carrega. De todos os choferes da cidade, Jimmy é contratado para dirigir para uma dupla de traficante de drogas que o colocará no caminho de filho de Shaw, que ocasionará todos os problemas daquela noite. E de todos os suspeitos numa estação de trem, os policiais se recusam a enxergar o único encapuzado que insiste a esconder o rosto.

Noite Sem Fim | Pôster brasileiro

Ainda que seja outro exemplo de como um ator pode ser estigmatizado pela escolha repetida de papeis, Noite Sem Fim tem momentos empolgantes e o bom ritmo garante que não saímos entediados da sessão. Mas vai pouco além disso, com bons lampejos na fotografia noturna de Martin Ruhe, e os signos já comentados acima. No fim das contas, é outro filme com Liam Neeson fazendo o que faz de melhor atualmente, e longe dos papeis dramáticos como foi o seu Oskar Schindler. Existem outros exemplos melhores na filmografia do ator – mesmo no gênero ação – e o que temos aqui é só mais um que serve só para completar o álbum.

Veja o trailer legendado de Noite Sem Fim

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