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Meus Dois Amores é uma comédia simples e tão surreal quanto o pôster indica. Não é o melhor exemplo brasileiro do gênero no , mas é um bom exemplo dele.

Meus Dois Amores, 2015

Com Caio Blat, Maria Flor, Alexandre Borges, Lima Duarte, Vera Holtz, Fabiana Karla, Guilherme Weber, Milton Gonçalves, Ana Lúcia Torre e Julio Adrião. Roteirizado por José Carvalho, baseado na obra de Guimarães Rosa. Dirigido por Luiz Henrique Rios.

7/10 - "tem um Tigre no cinema"A comédia nacional vive um péssimo momento, com filmes que vem atrelado a quadros sem graça da TV, ou baseando suas piadas em estereótipos e preconceitos. Por isso é uma enorme satisfação ver gente saindo desse caminho. Em Meus Dois Amores o universo simples assim como seu povo não é tratado como chacota. O retrato dessas pessoas num universo quase fantástico e críticas às instituições religiosas é uma produção leve, divertida e tão surreal quanto um homem ter o coração dividido entre uma mulher e uma mula.

Sinopse oficial

Manuel (Blat), um vaqueiro esperto e valentão, vende um cavalo bichado ao matador Targino (Borges), que o jura de morte e promete desonrar sua noiva Das Dô (Flor). Manuel aceita o desafio, mas recorre ao feiticeiro Toniquinho (Adrião) para fechar seu corpo.

 

O diretor não esconde as intenções de Manuel em relação a Beija-Fulô, mas o roteiro é eficiente ao nos colocar em dúvida por causa da escolha das palavras do protagonista. Enquanto Manuel vai falando sobre Das Dô e de Beija-Fulô, o espectador se encontra refletindo no absurdo disso, algo do tipo “não, ele não pode estar falando sobre isso”. A narração off é exagerada em certos momentos, mas funciona, por exemplo, nesse contraste. Nós temos duvidas, pelas falas, que Manuel deseje o animal, mas notem que a cena que ele nos apresenta a mula. A câmera foca nas partes traseiras dela, quase sexualizando o Beija-Fulô. É uma imagem que fica na nossa cabeça para afastar qualquer dúvida, mesmo que Manuel não admita isso com todas as palavras enquanto vai contando sua história.

Como um retrato do brasileiro comum, Manuel vive de jogar suas espertezas em cima dos outros e posa de valente, até que um desafio de verdade apareça. E assim como tantos do nosso povo, ele se esconde numa mistura de fé, pedindo benção para um padre e correndo atrás de proteção de um feiticeiro que pode até ter parte com o demônio, pelo que as más línguas dizem. O matador Targino é uma pessoa ruim, que gosta de roubar noivas no altar para violenta-las. E Das Dô é a donzela que sonha com um casamento e com o desaparecimento da rival. Personagens simples, mas que se encaixam nessa proposta de um povo de simplicidade cativante.

É interessante que Manuel perca o apoio do tradicional sagrado ao pedir que Toniquinho feche seu corpo para o confronto com o Targino. Assim, a história faz uma crítica à instituição da igreja católica que nada fez para impedir que o vilão roubasse uma mulher atrás da outra na porta do templo, e se negou a ajudar Manuel no seu desespero de salvar Das Dô.

Meus Dois Amores | Cartaz

Comédia e vingança permeiam esse mundo de Meus Dois Amores, uma história tão maluca quanto aponta o pôster e o trailer. Há decisões equivocadas do diretor, como o uso do ângulo holandês sem necessidade, a já citada narração interminável de Manuel, e aspectos de montagem, como a confusa metáfora do começo do filme, representando o dilema do nosso herói. Não é o melhor exemplo da comédia brasileira, mas é preciso abrir um caminho para que esse gênero tenha outros bons exemplos, o que já acontece com boa parte dos nossos dramas, esses sim já consolidados.

Veja o trailer de Meus Dois Amores

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