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Jogos Vorazes: Em Chamas é mais maduro que a instalação anterior da franquia do Tordo.

Jogos Vorazes: Em Chamas

Com Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Elizabeth Banks, Lenny Kravitz, Philip Seymour Hoffman, Stanley Tucci e Donald Sutherland. Roteirizado por Simon Beaufoy (127 Horas) e Michael Arndt (Toy Story 3), baseado na obra de Suzanne Collins. Dirigido por Francis Lawrence (Constantine).

9/10 - "tem um Tigre no cinema"Existe um amadurecimento em “Jogos Vorazes: Em Chamas” em relação ao anterior, assim como a passagem da vida adolescente – ainda que conturbada – para a mais adulta. Contando com uma história e personagens cativantes, o filme dirigido por Francis Lawrence é cheio de ritmo, e em nenhum momento das mais de 2 horas de projeção se torna maçante. Além de empolgante, transpassa problemas que acometem quem não é fã dos livros de Suzane Collins, funcionando sem a necessidade de buscar a obra original. E, no fim, é melhor que seu predecessor.

Depois de ser vitoriosa na 74ª Edição dos Jogos Vorazes, Katniss (Lawrence) está de volta à sua vida no 12º Distrito, tentando se readequar à normalidade. Apesar de manter o status de celebridade e de casal alegre com Peeta (Hutcherson), o presidente de Panem, Snow (Shuterland), ameaça ela e a sua família, e exige que a atitude dela no ano passado seja vista realmente como um ato de paixão, e não de rebeldia. Querendo evitar uma nova guerra, Katniss entra no jogo de Snow. Mas a simbologia da vencedora vai além de sua figura real, e para mostrar o poder que a Capital ainda tem, os 75º jogos são convocados com os tributos vencedores, um plano de Snow e de Plutarch Heavensbee (Hoffman) para desacreditar e, consequentemente, eliminar Katniss.

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O primeiro plano do filme mostra Katniss de costas, num cenário invernal, mais frio do que a floresta do começo do filme anterior. Enquanto caça com Gale (Hemsworth), as marcas dos Jogos Vorazes aparecem, mostrando que a jovem, apesar de ser uma personagem forte, não saiu incólume da luta, lidando inclusive com situações típicas de estresse pós-traumático. Esse dois elementos dão um ar mais sério ao filme. E nesse pequeno interlúdio, com um beijo roubado de Gale, é que a protagonista tem seu único momento de tranquilidade em toda a projeção. A partir daí é que o Presidente Snow, mostrando que tem olhos em todo o lugar, e os fãs da Capital não desgrudam de Katniss. É a evolução do show de horrores dos reality shows, onde a preparação que ela e Peeta tem que fazer ao posar para câmeras no Distrito 12, enquanto são assistidos por quase todo o país, é feita num cenário onde existem apenas duas câmeras e nada mais. Patético e triste.

A história adota um tom mais político durante a turnê de Katniss e Peeta. Os dois tem que cumprir papeis pelo bem maior, e é o que a vencedora acreditar estar fazendo. Não por crença, mas por pressão de Snow. Então, no passeio entre os distritos vemos que o sentimento de insatisfação é grande, e por mais que Katniss tente, é impossível segurar a pressão. Vemos também que as armaduras dos Pacificadores estão mais fechadas, e que qualquer ato de contestação é punível com a morte ou tortura. No distrito 11, onde moram predominante negros, um homem é executado em praça pública por fazer o gesto dos três dedos em riste. A morte do senhor é mascarada por um porta, pois naquele breve momento nos importamos com esse contestador. E o desespero é tangível, e digna de atenção na atuação da atriz. É interessante fazer uma paralelo com a violência escondida nesse momento e a que acontece a seguir no filme. Um dos poucos problemas é mascarar demais os Jogos em si. Tantas mortes não provocam um momento gráfico marcante. Diferente da morte do senhor no 11, onde a montagem nos poupou de alguém que gostamos imediatamente. O medo de uma guerra eminente e a pressão por ser algum tipo de símbolo são demais para a  jovem. Por isso é verossímil que Katniss quebre diante de tanta pressão, ao ponto de aceitar a ideia inicial que Gale teve de fugirem  para a floresta.

Continuando seu papel crítico, o filme passeia por uma sociedade preocupada excessivamente com seu visual, sendo o ápice o pavão que é Effie (Banks), a sociedade consumista, que tem tanto para comer enquanto outros morrem de fome, e a falibilidade de um governo, representado por um Snow velho e doente – a cena em que ele toma uma bebida e aparece sangue é bem marcante.

É interessante que apesar de até esse momento não termos ação em si – quando Katniss e Peeta são enviados para os Jogos já se passou praticamente metade do filme – o ritmo não desanda. Tudo é criado com competência para fechar uma história, que inclusive funciona muito bem sem depender do primeiro filme, por mais que saibamos que haverá continuação. Os planos de Snow para acabar com Katniss física e moralmente, o fato dela usar um vestido de noiva que pega fogo e se torna uma mistura de luto com o símbolo do tordo – a ilusão morre e a realidade aparece – o espancamento de Cinna (Kravitz) sem que Katniss possa fazer nada – com o presidente mostrando que nem mesmo um famoso e querido da Capital poderia desafiá-lo – são peças que mostram que a protagonista, querendo ou não, terá que tomar uma posição.

Também é louvável que, apesar do pouco tempo, Lawrence consiga dar profundidade à outros tributos que estão nos Jogos. Apesar de serem mais cinco, é possível entender personalidades e tipos de cada um. E assim como a proposta do filme, os Jogos evoluem. Eles não só apenas perigosos fisicamente, mas também psicologicamente. E os eventos vão se fechando de um modo que parece impossível escapar, por mais sorte e aliados que existam. E, para agradar o público mais ávido por romance, o triângulo amoroso Peeta-Katniss-Gale é muito convincente, diferente de uma outra franquia com seres brilhantes.

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“Jogos Vorazes: Em Chamas” é superior em todos os aspectos à seu antecessor. Até os efeitos especiais foram tratados com mais cuidado, com animais mais realistas que, dessa vez, aparecem em menos escuridão que as bestas do arco final do primeiro filme. Apesar de ter poucos problemas – é difícil comprar a ideia de que Katniss não entende a situação em volta dela durante os Jogos – a história consegue agradar fãs dos livros e aqueles que buscam bom entretenimento. Com um bom cliffhanger, ausente em 2012, é fácil se encantar com o potencial do que há de vir, e enquanto esperarmos mais dois anos pela conclusão de Katniss e seus olhos cheios de angústia que fecham a cortina Em Chamas.

Veja abaixo o trailer de Jogos Vorazes: Em Chamas

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