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Homens, Mulheres e Filhos traz um bonita mensagem, mas tem personagens demais e não sabe em qual deles focar.

Homens, Mulheres e Filhos

Com Emma Thompson, Rosemarie DeWitt, Jennifer Garner, Judy Greer, Dean Norris, Adam Sandler, Ansel Elgort, Kaitlyn Dever, J. K. Simmons, David Denman, Jason Douglas, Olivia Crocicchia, Elena Kampouris e Travis Tope. Roteirizado por Jason Reitman e Erin Cressida Wilson. Baseado no romance de Chad Kultgen. Dirigido por Jason Reitman (Juno).

7/10 - "tem um Tigre no cinema"Logo na primeira cena de Homens, Mulheres e Filhos, notamos que o Jason Reitman quer se aprofundar nas relações entre os humanos tanto quanto a Voyager I faz o mesmo no Universo, se distanciando cada vez mais do nosso sistema solar. A intenção é boa, mas o diretor escolhe seis núcleos familiares diferentes e por isso, mesmo ligados por um elemento em comum, não há a oportunidade de nos importarmos com todos. A grande qualidade do filme é ser um retrato da nossa época, onde a tecnologia já é uma coisa intrínseca aos jovens, daqueles que não sabem o que é viver num mundo sem computadores, smartphones e tablets. Porém os momentos engraçados, doces e dramáticos são um recorte dessa atualidade e tem uma mensagem bonita. Mesmo que seja algo de senso comum, vale a pena reforçar.

Enquanto ouvimos uma narradora (Thompson) contar a missão da sonda espacial, aqui na Terra acompanhamos as vidas de seis famílias que estão ligadas por meio de seus filhos. Durante o fim de ano escolar, descobrimos as frustrações sexuais – tantos de pais quanto de filhos – desejos e devaneios em paralelo com uma discussão do que é importante nesse mundo, mesmo que cosmicamente não seja.

Fazer um resumo de cada uma das famílias seria maçante demais, e isso se reflete na narrativa. Ainda que Reitman dose bem o tempo de tela entre todos, são nada menos que dez personagens que dividem os 119 minutos de filme. Isso não quer dizer que as histórias sejam desinteressantes, mas não há tempo para absorver as dificuldades e alegrias de cada um propriamente. Na prática, fazemos isso com um jovem casal que não está na onda dos outros.

Tim (Elgort) e Brandy (Dever) tem problemas em casa e são os párias da escola onde estudam. O rapaz saiu desse status quo depois de desistir de uma provável carreira promissora como jogador de futebol da escola depois que a mãe abandonou ele e seu pai, Kent (Norris). Já a moça é supercontrolada – praticamente um prelúdio Orwelliano – pela mãe Patricia (Garner), que lê todas as mensagens da filha e vasculha sua vida na internet. Para mostrar essa diferença, o diretor filma um plano plongé na escola onde Tim é o único que vai na direção oposta de seus colegas e que não está trocando mensagens de celular, sendo sua válvula de escape um jogo MMPORG. Brandy também se solta online, longe das garras da mãe.

Outro núcleo um pouco menos interessante é de Don (Sandler) e Helen (Dewitt), que estão passando por uma fase sexualmente frustrante do casamento, como podemos perceber com mais clareza quando os dois estão na cama, cada um fazendo as suas coisas, e a propaganda do site Ashley Madison passa na televisão. No mesmo nível de interesse, está o caso de Hannah (Crocicchia) e sua mãe Joan (Greer), que é liberal ao ponto de fotografar a filha em trajes mínimos e postar as imagens num site porque ela acreditar que irá catapultar a carreira de atriz da jovem. Depois vem Allison (Kampouris) e Cris (Tope) completando uma história já inchada e, apesar de seus problemas serem verdadeiros e atuais – ela lutando contra a falsa percepção do corpo perfeito e perder a virgindade e ele viciado em pornografia online –, já temos muito em volta para prestarmos atenção. É curioso notar que para lembrar de todos os envolvidos é preciso mais de uma vez recorrer à uma fonte como a Wikipedia.

O filme não escapa de alguns clichês, por exemplo, quando conta a solução que Don e Helen tem para se sentirem bem de novo. Ela procura um sentimento – escondendo o rosto no perfil virtual que cria – enquanto ele procura pela mulher mais desejável que pode pagar. Pelo menos a história não fica naquele patamar moralista por muito tempo, dando espaço tanto para um quanto para o outro aceitar e perdoar o que fizeram com uma relação que deveria ser baseada em sinceridade.

Já que Reitman abriu um leque, é nossa missão como espectador segui-lo, mas não é importante escolher todos. É verdade que é difícil prever as reações de cada audiência, mas as interações de Alisson, Hannah e Cris são as mais arrastadas, ainda que esses três personagens passem por momentos tristes – uns piores que outros.

O diretor sabe da força que Tim e Brandy tem e por isso são os nossos preferidos. Essa intimidade também é contada por meio da câmera. Reitman usa em noventa por cento de suas tomadas o estilo câmera na mão, dando uma estética de realidade tátil nesses momentos comuns para nós. Porém, ele deixa esse estilo de lado algumas vezes no terceiro e segundo atos quando usa planos longos e fixos quando a relação entre Tim e Brandy se estreita. Primeiro, numa cena onde os dois estão deitados observando uma paisagem para logo depois trocarem o primeiro beijo, que é tanto deles quanto o do filme. É uma história muito bonita que vai se criando, com direito ao rapaz defender a moça de uma agressão na escola – de novo, clichê, mas é uma graça e vai arrancar alguns suspiros.

Homens, Mulheres e Filhos | Cartaz nacional

Podemos até concordar que cosmicamente nós somos pouco importantes. Mas a relação entre um e outro, ter algo para o que viver e se apegar é importante e até salvador. Reitman quis representar todas as relações dentro do nosso pálido ponto azul em Homens, Mulheres e Filhos por meio das seis famílias. No entanto, durante muitas vezes, a narrativa fica perdida e espremida. As nossas paixões e medos estão representadas lá, mas é tanta coisa que os responsáveis pelo filme deveriam se perguntar se menos seria mais.

Veja o trailer de Homens, Mulheres e Filhos

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