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Ant-Man, 2015

Com Paul Rudd, Evangeline Lilly, Corey Stoll, Bobby Cannavale, Michael Peña, Tip “T.I.” Harris, Wood Harris, Judy Greer, David Dastmalchian e Michael Douglas. Roteirizado por Edgar Wright, Joe Cornish, Adam McKay e Paul Rudd, baseado nos quadrinhos de Stan Lee, Larry Lieber e Jack Kirby. Dirigido por Peyton Reed (Sim, Senhor).

6/10 - "tem um Tigre no cinema"Eis mais um filme da Marvel e, dependendo do seu ponto de vista, isso pode ser bom ou ruim. Não vale a pena falar da enxurrada de filmes de super-heróis – essa é a realidade e o que podemos fazer é embarcar na aventura, o que não quer dizer que temos que gostar de todas elas. Homem-Formiga é o novo exemplo na mesma veia do piadista de Homem de Ferro 3 – porém menos irritante – e Guardiões da Galáxia – com menor competência. Há cenas de ação incríveis, a montagem funciona para que o filme não fique cansativo, e algumas piadas chegam a ser surreais, e que garantirão a alegria da plateia. No entanto, depois de quase 120 minutos, fica a sensação que estamos vendo mais do mesmo, o que pode funcionar para o grande público, mas uma inovação na estrutura não faria nenhum mal.

Sinopse oficial

A próxima evolução do Universo Cinemático Marvel traz um dos fundadores dos Vingadores para a telona pela primeira vez com Homem-Formiga (Ant-Man) dos Estúdios Marvel. Armado com a surpreendente habilidade de encolher em tamanho, mas expandir em força, o grande ladrão Scott Lang deve aceitar seu herói interior e ajudar seu mentor, o dr. Hank Pym, a proteger o segredo por trás de seu especular traje de Homem-Formiga de uma nova geração de grandes ameaças. Enfrentando obstáculos que parecem insuperáveis, Pym e Lang precisam planejar e levar a cabo um roubo que salvará o mundo.”

O momento onde Reed se sai melhor no filme é na construção de Hank Pym (Douglas) e Scott Lang (Rudd) que dura apenas alguns minutos. O diretor mostra um jovem Hank – onde o ator foi digitalmente rejuvenescido em 30 anos – mostrando pulso firme e batendo primeiro em um idiota diretor da S.H.I.E.L.D. que queria pôr as mãos na chamada “Partícula Pym”. Três décadas depois, Scott aparecendo levando o primeiro soco – num presídio – para depois fazer piada com a situação. Nesse pulo do tempo, Reed conseguiu mostrar sem flashbacks ou narrações, como esses personagens são opostos, mas com algo que os liga. Apesar de Hank parecer ser mais durão, os dois são homens de fibra.

Outros personagens não são tão bem construídos. O amigo de Scott, Luis (Peña), e os outros dois comparsas que chegam para dar mais alívio cômico não dão liga. Para efeitos de comparação, revisitem as cenas dos planos de Starlord, Rocket Racoon e Gamora no já citado Guardiões da Galáxia: aquele plano é bem mais ousado e muito mais pirado; mas gostamos deles porque os personagens são bem mais interessantes. A reinserção do trio de ladrões na narrativa – que não deixa de ser uma visão preconceituosa, já que trabalha no estereótipo do latino, do negro e do russo – se vê de longe, porque entendemos que os personagens não vão simplesmente sumir da história, mas as situações em que eles se envolvem não são tão engraçadas assim. Também é difícil entender a relação de Hope (Lilly) com o pai. Ela é definitivamente uma mulher forte e muito inteligente, por isso é difícil acreditar que ela não compreenda a quilômetros de distância a decisão de Hank de não envolver a filha no elaborado plano de roubo. No entanto, é acertada a direção do diretor em mostrar a jovem vestindo preto em todas as cenas, como se ela estivesse num eterno luto pela mãe – e notem quando em determinado momento ela perde um pouco dessa sisudez com algumas listras brancas.

Porém, o pior desenvolvimento fica com o vilão. Darren Cross (Stoll) está brigando pelo posto de pior antagonista que o Universo Marvel no cinema criou. As ações do personagem são bem cretinas e o roteiro as justifica de um jeito pior ainda. Para mostrar que Cross é mau, mas muito mau mesmo, os roteiristas fazem dele um ser sem remorso ao transformar um desafeto em protoplasma – um personagem que ninguém pergunta mais – e conseguir se olhar no espelho sem um sinal de remorso. E para aumentar forçadamente seu nível de ruindade, o vilão faz experimentos em fofas cabrinhas. Só faltou ele chutar um cachorro na chuva para completar o perfil de malvado das histórias em quadrinhos dos anos 1950. Até a desculpa de “você está ficando louco” é usada.

Mantendo o clima de diversão e leveza, podemos notar que esse também é um filme bem família, na melhor definição dessa palavra e por isso deve agradar os mais jovens que irão se divertir com as gags visuais e as ótimas cenas de ação. A montagem de Dan Lebental e Colby Parker Jr é bem fluida, e não deixam a narrativa lenta mesmo quando estamos no mundo diminuto em que Scott entra quando aciona o traje do Homem-Formiga. Acompanhamos a diminuição e crescimento do personagem de modo bem inteligível e não nos perdemos em nenhum desses momentos, enquanto podemos apreciar também os detalhes do design de produção no mundo encolhido, como ar marcas de riscos no chão, fibras de madeira e os sulcos de um LP. Com muita competência, isso acontece também no som do filme. A cena em que uma formiga voadora chega para ajudar Scott a fugir da prisão é bem marcante quando percebemos que o som que o bater de asas é bem parecido com um helicóptero, o que dá um ar de tensão militar àquela pequena fuga.

E nesse filme não usual sobre um roubo – que é, basicamente, a estrutura do filme – onde um ato moralmente errado serve para um bem maior, há espaço para a ficção científica funcionar sem limites para a imaginação. A tecnologia por trás do traje e da Partícula Pym faz sentido, assim como a armadura do Homem de Ferro, ou o escudo do Capitão América, o que não quer dizer que precisamos aceitar tudo que está na tela, como a facilidade de Scott e recriar uma impressão digital para entrar na casa de Hank, ou o fato de Cross saber de tudo que aconteceu no filme até a metade do terceiro ato sem uma explicação plausível. Se bem que no caso do roubo, faria sentido se Hank tivesse permitido inclusive esse detalhe, já que ele frisa mais de uma vez que deixou Scott entrar.

Homem-Formiga | Pôster brasileiro

Repassando o filme na memória fica a sensação de que o estúdio está levando ao máximo o lema de que não se mexe em time que está ganhando. E não há muito mais do que se falar além de que com Homem-Formiga a Marvel nos trás mais um filme divertido e espirituoso, mas onde se percebe que eles estão com receio de deixar sua zona de conforto. Mercadologicamente faz todo sentido, mas variar um pouco o esquema de contar uma história vai ser necessário, porque não acredito que os fãs vão aguentar a mesma ladainha até 2019, tendo que apelar, pelo andar das coisas, para os filmes solo do Capitão América e as séries da Netflix.

E como sempre, há as cenas extras: uma entre-créditos e a outra no final deles. Por isso, não sai da sala. Uma delas bem divertida e que vai fazer muitos fãs surtarem, e a outra que parece mais ser uma prévia da guerra que está por vir.

Veja o trailer de Homem-Formiga

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