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Iron Man 3, 2013

Com Robert Downey Jr, Gwyneth Paltrow, Don Cheadle, Guy Pearce, Rebecca Hall, Stephanie Szostak, James Badge Dale, Jon Favreau e Ben Kingsley. Roteirizado por  Drew Pearce  e Shane Black (Máquina Mortífera), baseado nos quadrinhos da Marvel Comics. Dirigido por Shane Black (Beijos e Tiros).

5/10 - "tem um Tigre no cinema"O Universo Marvel nos cinemas foi de uma produtividade fantástica. Considerando o primeiro “Homem de Ferro” (Iron Man, 2008) chegaremos ao fim de 2013 com nada menos oito filmes em apenas cinco anos. Apesar de diretores e roteiristas diversos serem escalados para dar fôlego pra tanta coisa, os altos e baixos são normais. “Homem de Ferro 3” é o mais fraco dos filmes da franquia recente da empresa de Stan Lee. É divertido em partes, tem boas cenas de ação em outros momentos, mas o roteiro de Pearce e Black é apenas mediano, tentando dar uma dramaticidade mais profunda ao personagem, mas faz isso superficialmente.

Relembrando um fato por uma desnecessária, porém curta, narração em off, que faz questão de repetir fatos que estamos vendo, Tony Stark (Downey Jr) conta um fato que ocorreu em Los Angeles em 1999 quando conheceu Aldrich Killian (Pearce), esnobado pelo bilionário que estava atrás da beldade, porém brilhante, Maya Hansen (Hall). Ela apresenta um projeto de regeneração celular que atraí a atenção de Tony, apesar dele estar mais interessado em outras qualidades da botânica. Anos depois, um Killian com sucesso na sua própria companhia oferece a Pepper Potts (Paltrow) uma parceria para com as Indústrias Stark, enquanto Tony tem que lidar com os eventos pós invasão em “Os Vingadores” (The Avengers, 2012) e com as ameaças terroristas do Mandarim (Kingsley).

"Homem de Ferro " - Mark XLII

É uma boa coisa voltarmos para casa depois de uma aventura de proporções épicas, e Tony se adapta na realidade normal fazendo novas armaduras – entre um filme e outro, ele foi do Mark VII para o XLII. Os roteiristas reforçam essa sensação ao mostrar uma conversa entre ele e Rhodes (Cheadle), que agora adotou a alcunha de “Patriota de Ferro”. O drama do filme anterior, envolvendo o envenenamento por causa do paládio, aqui foi mudado para crises de pânico cada vez que alguém menciona Nova York. A primeira crise acontece depois que uma menina entrega um desenho do Homem de Ferro para que Tony o assine, e o irmão dela pergunta como ele saiu do vortex espacial. Por algum motivo, Black dá uma dramaticidade exagerada ma cena, ao focar Tony escrevendo “me ajude” no desenho e acentuando a pergunta do garoto. Poderíamos pensar que existe algo a mais nesse momento, mas JARVIS (Bettany) diz que foi tudo um ataque de pânico. Um exagero na parte do diretor e na de Tony também. Poderia ser simplificado só com a fala do menino, mas o que o personagem escreve no papel  não tem propósito nenhum e joga falsas dicas para o espectador.

"Homem de Ferro 3" - Patriota de Ferro

Durante a sua jornada de reencontro – ocasionada por um assunto que não pretendo entrar, mas que resulta na hospitalização grave de Happy (Favreau) e na destruição da mansão Stark – os roteiristas apostam na ideia de focar mais no ser humano do que na armadura. Por isso, temos Tony trabalhando pelo menos dois terços do filme sendo um mecânico, o cerne do que ele era na caverna do primeiro filme, dessa vez ajudado por Harley (Simpkins), um garoto de 11 anos. Entendem o que acontece? A estrutura é muito parecida com os anteriores, parecendo falta de vontade de inovar, ou pelo menos tentar parecer diferente: começar do zero, problemas que afetam a produtividade de ser heroi e a constante tentativa de fazer piada com tudo. É difícil Tony deixar de fazer piada, mesmo nos momentos mais importunos. E apesar de serem boas, estamos vendo um filme de ação ou uma comédia? Não seria mal maneirarem um pouco na dose. Apesar da jornada ser relativamente longa, como os 130 minutos de filme, o ritmo flui muito bem e não chega a cansar.

"Homem de Ferro 3" - No gelo

Mas se existe alguma coisa que é inegável nessa produção é a ótima escolha do elenco. Além de Downey Jr, Paltrow e Pearce estarem muito bem na tela, é a presença de Kingsley que faz a grande diferença. Em todos os momentos que o Mandarim aparece com seu discurso e uma voz grave se adereçando aos EUA com ameaças, você acredita nas palavras. E a transformação da persona do Mandarim confirma a monstruosidade do ator.

"Homem de Ferro 3" - capacete destruído

Por outro lado, existem momentos extremamente incômodos. A trilha sonora de Brian Tyler  -– de “Os Mercenários 2” (The Expendables 2, 2012) – é irritante em certos pontos, principalmente no momento de drama. Notem que toda a cena triste são usadas as mesmas notas, marcando o momento de uma maneira chata e incômoda, parecendo até uma novela quando sempre tocam a mesma música para ser a trilha da personagem. Também é de estranhar a decisão do diretor em mudar o estilo de filmagem que o Mandarim se apresenta. No começo, é uma coisa crua, granulada e suja, como se tivesse sido feita nos confins de um país perdido no Oriente Médio, para perder essa característica quando o personagem faz uma transmissão exigindo uma ligação do Presidente dos EUA  onde podemos ver, mesmo na tela do cinema, que aquela é uma transmissão em HD da melhor qualidade. Para a proposta do filme funciona, principalmente quando sabemos o que se passa. A própria defesa da mansão Stark parece fraca demais ao sofrer o ataque que vimos no trailer, sem falar de que é difícil aceitar que Tony poderia requisitar a qualquer momento uma das 40 armaduras no seu arsenal, e não fazer a troca já que a Mark XLII não estava pronta para combate.

"Homem de Ferro 3" - Ataque à Mansão Stark

"Homem de Ferro 3" - Poster brasileiro

“Homem de Ferro 3” não é uma decepção total. É um entretenimento interessante, recheado de ótimo efeitos especiais, apesar de ficarem um tanto confusos no megalomaníaco arco final e do dispensável 3D convertido – e fica a dica assim para economizar o seu dinheiro. É uma pena que seja desse jeito que provavelmente será a despedida de Robert Downey Jr do papel. Mas, vendo o universo como um todo, valeu a pena para mostrar que filmes vindo de histórias em quadrinhos podem ser bem feitas e fogem do rótulo geek e nerd, apesar de serem uma grande homenagem à que deu seu suporte anos a fio nesse tipo de história.

E fiquem até o fim dos créditos para a tradicional cena extra, que é diferente de tudo que já vimos nos outros seis filmes.

Homem de Ferro 3 concorre ao Oscar 2014 na categoria Melhores Efeitos Especiais (Christopher Townsend, Guy Williams, Erik Nash e Dan Sudick).

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