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A Grande Muralha é uma aventura visualmente deslumbrante, mas genérica e sem a típica discussão filosófica de Yimou Zhang.

A Grande Muralha (The Great Wall, 2017)

Elenco: Matt Damon, Jing Tian, Pedro Pascal, Willem Dafoe, Andy Lau | Argumento: Max Brooks, Edward Zwick, Marshall Herskovitz | Roteiro: Carlo Bernard, Doug Miro, Tony Gilroy | Direção: Zhang Yimou (A Maldição da Flor Dourada) | Duração: 104 minutos | 3D: Irrelevante

Há motivos para gostar de A Grande Muralha. É uma superprodução cinematográfica, tem efeitos especiais fantásticos e uma direção de arte digna do diretor. Mas também é uma diversão rasa e bem passageira. Apesar da massiva presença chinesa, de ser filmado totalmente na China e ter um consagrado diretor de lá, o filme é bem comum no desenvolvimento da narrativa e do protagonista branco, um herói quase infalível que é aplaudido por feitos medianos. É uma produção para quem procura um entretenimento rápido com alguma dose de diversão; mas é assustador para quem esperava algo parecido com os trabalhos anteriores de Yimou Zhang.

A trama é tão rasa que, bem da verdade, fica difícil extrair mais do que estamos vendo diretamente. Sem a dose filosófica que até mesmo os filmes de artes marciais de Zhang tinham – Herói (Ying xiong, 2002) e O Clã das Adagas Voadoras (Shi mian mai fu, 2004) -, numa escolha de pasteurização para atender uma plateia maior, William (Damon) é pego num mundo que não conhecesse, mas que se adapta com extrema facilidade, pois não seria nada comercial se ele tivesse que aprender mandarim. A partir daí vem os temas do bem contra o mal, o bandido com o coração de ouro, embaladas pela já conhecida capacidade de Zhang em criar belas coreografias e cenas de ação – algo que é diminuído pelo inócuo 3D, que só serve para jogar coisas na tela sem se importar com a profundidade de campo.

E pela grandiosidade dos cenários criados digitalmente e pelo cuidado do diretor e deixar a produção mais chinesa possível com atores conversando na própria lingua, a reprodução de partes da Grande Muralha – já que não poderiam filmar na original por motivos óbvios – aliados aos efeitos especiais da Industrial Light and Magic e da Weta e os já citados cuidados com a direção de arte esse poderia ser O Senhor dos Anéis da China. Se apenas houvesse mais cuidado com o roteiro. Os seis argumentistas e roteiristas – nenhum oriental, uma pena –preferiram um lugar mais seguro e entregar o que aprenderam na aula de roteiro do primeiro semestre da faculdade.

Se por um lado há interessantes conceitos como as divisões de batalhões serem divididas por cores e especialidades (infantaria, arqueiros e outros mais loucos) e gastam certo tempo para diferenciar essas nuances – que nem precisariam ser apontadas por William e Tovar (Pascal) – é difícil aceitar a mudança de caráter mercenária de William e a atenção que os dois tomam depois da primeira batalha pela Comandante Lin (Tian) e seus companheiros sendo que seus feitos na Muralha não foram mais impressionantes quanto os dos outros soldados chineses que combatiam lado a lado. Digo, eles não fazem diferença a não ser por uma pedra que trazem consigo, convenientemente.

A falta de criatividade no desenvolvimento não para por aí. Ter um arqueiro como personagem principal é válido, mas chamá-lo de William é a mesma coisa de chamar uma mulher que é despertada de seu sono por um homem chamar-se Aurora. Só faltou dizer que o sobrenome dele é Tell. E para quem não entendeu, o equivalente em português é Guilherme (mas poderia servir como piada se admitisse, é verdade). E é impossível não relacionar a escalada dos Tai Tei na Muralha com Guerra Mundial Z (World War Z, 2013, Marc Foster), considerando que o escritor do livro, Max Brooks, é um dos argumentistas desse novo filme.

O pior fica com Tovar que parece ter sido tirado de um western estereotipado, falando como um mexicano num lugar que ainda não existe México – é mais provável que ele deveria ser um mouro, mas esqueceram de avisar isso para o diretor. E se formos nos ater em sotaques, é mais estranho ainda que William fale como um estadunidense, considerando que Colombo só chegaria à América 200 ou 400 anos depois dessa aventura, levando em conta que a história se passa na Dinastia Song (960 – 1279 da era comum). Também é difícil aceitar que um personagem como Ballard (Daffoe) – que é chamado de sir, um título inglês, mas que não tem sotaque britânico – que ficou anos como prisioneiro/convidado do Clã sem Nome tenha a mais estúpida das decisões no começo do terceiro ato.

É possível darmos o braço a torcer e aceitar A Grande Muralha como entretenimento passageiro com alguma diversão. Com a violência amenizada para atingir ainda mais gente – apesar de decapitações, elas são todas dos monstros, enquanto as mortes dos humanos são escondidas pela montagem do filme – e sem a profundidade que estávamos acostumados com o cinema de Yimou Zhang, fora o expresso paralelo dos Tai Tei com a ganância do mundo o filme é uma concessão. Se investir o dinheiro ganho com seu provável sucesso comercial – a produção já faturou quase seu custo de realização na China – é possível que se inicie uma franquia, desta vez sem a necessidade de personagem estilo cowboy para salvar o dia.

A Grande Muralha | Trailer

A Grande Muralha | Pôster

A Grande Muralha | Cartaz nacional

A Grande Muralha | Galeria

Créditos: Divulgação

A Grande Muralha | Imagens

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A Grande Muralha | Imagens

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A Grande Muralha | Imagens

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A Grande Muralha | Imagens

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A Grande Muralha | Imagens

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A Grande Muralha | Sinopse

Essa é uma das lendas que envolve a Grande Muralha da China. Durante a Dinastia Song, dois estrangeiros tomam refúgio na Grande Muralha por estarem atrás de um grande segredo dos chineses. Pegos no meio do conflito contra seres estranhos, a dupla tem que decidir entre lutar com aqueles que ganharam sua confiança ou ir atrás de suas ambições pessoais. Primeiro filme de língua inglesa produzida por Yimoy é também o maior filme já feito inteiramente na China.

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