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Apesar de ser visualmente cativante, Emoji: O Filme erra no público-alvo e por ser uma grande propaganda disfarçada de filme.

Emoji: O Filme (The Emoji Movie) | Crítica

Elenco: T.J. Miller, James Corden, Anna Faris, Maya Rudolph, Steven Wright, Jennifer Coolidge, Patrick Stewart, Christina Aguilera, Sofía Vergara | Roteiro: Tony Leondis, Eric Siegel, Mike White | Direção: Tony Leondis | Duração: 86 minutos | Cena Extra

Emoji: O Filme não é apenas uma ideia tola de ser executada; também há dois outros grandes problemas. O primeiro é errar o foco, pois o diretor mira nos adolescentes e pelas mudanças e adaptações que devem fazer para serem aceitos numa sociedade, mas é um roteiro tão infantil que dificilmente agradará os mais velhos – e, consequentemente, não se torna interessante para as crianças mais novas. Em segundo é por ser uma grande, enorme e massiva propaganda. Assim como já fizeram Google e Facebook anteriormente, as empresas de tecnologia dos aplicativos mais famosos resolveram investir na tela que ainda não tinham penetração: a do cinema.

É verdade que há um toque da questão social que todo o adolescente passa na trama quando Gene (Miller) não se encaixa na sociedade dos Emojis, onde cada um tem a sua função predeterminada. Produções recentes tocaram nisso com qualidade – Divertida Mente (Inside Out, 2015, Pete Docter, Ronaldo Del Carmen), que é uma grande inspiração para a pergunta “e se emojis tivessem sentimentos” – ou com menos competência – A Série Divergente, por exemplo. Mas o roteiro do trio responsável é uma versão piorada desses exemplos, uma mais rasa da jornada do herói que erra principalmente por tratar de maneira infantil algo que poderia pelo menos gerar mais discussão.

Ninguém está sugerindo que um filme desses tenha malícia, apesar de ter uma piada bem inteligente quando Gene pergunta para Bate-Aqui (Corden) o que um adolescente esconderia dos pais no seu smartphone, mas é muito retrógrado para uma audiência mais nova da média da idade dos leitores desse site, por exemplo. E o pior que o roteiro esconde isso numa fachada com a personagem Rebelde (Faris), a emoji hacker. Por um motivo que fica para quem for assistir, a emoji foge do mundo do programa de mensagens por um sonho, por não querer se encaixar nas regras da sociedade que vive.

E é na relação entre Gene e Rebelde que a produção perde totalmente essa fachada progressista e mostra seu conservadorismo. Como qualquer clichê de filme romântico, e apesar da personagem insistir que não está esperando que nenhum “homem” (as aspas servem porque resolvem dar gêneros aos personagens) a salve, Gene não está disposto a sacrificar o seu lugar, o que seria perfeitamente plausível na situação em que se encontrava, para que Rebelde seguisse seu caminho. Ao invés disso, a personagem que era tão interessante regride para no mesmo lugar do qual queria fugir, abrindo mão dos seus sonhos por amor.

Se o filme não fosse tão curto, ele seria bem mais insuportável. A verdade é que a produção poderia ser bem mais curta e dinâmica se não fosse pelo propósito às claras: o filme é um grande Product Placement como foi Os Estagiários (The Internship, 2013, Shawn Levy). Durante a jornada para a adequação de Gene ao mundo que vive, ele e Bate-Aqui passeiam por aplicativos de mensagens, redes sociais, vídeo, música, fotos, jogos e armazenamento na nuvem, serviços conhecidos por todos nós. Apesar de umas duas vezes vermos piadas que funcionam – a do Youtube que confirma que a internet serve para ver vídeos de gatinhos e a da explosão no Candy Crush que é um tanto macabra e foge do clima pueril do filme –  a maioria dos segmentos serve para falar bem do produto. Umas de maneiras mais descaradas que outras.

Se existe algo que o filme pode se orgulhar é da parte técnica, onde a animação trabalha bem tanto com personagens antropomorfizados quanto os seres humanos. Algumas neuras de adolescentes como o primeiro encontro e a relação deles com redes sociais – uma menina diz que a mãe entrou no Facebook e queria adicioná-la como amiga – são factíveis. E para uma audiência (bem) mais velha que se arrisque a assistir pode até compreender o que significa um choque de gerações. Outro acerto é que na tentativa de fazer o universo do filme ser interessante para adolescentes, os adultos são praticamente limados da história.

No fim das contas, Emoji: O Filme não chega a ser irritante durante os minutos que estamos na sala, mas no cerne é que está o problema. A história se pinta com cores de atualidade, mas escolhe um caminho conservador sem um bom motivo – não que haja um bom motivo para em 2017 termos histórias de uma personagem feminina ser apenas escada para o masculino. E com poucas risadas, não podemos nem dizer que os erros da produção se justificam por mirarem num público-alvo específico, pois nem mesmo os adolescentes irão se identificar com a história básica que é apresentada.

Emoji: O Filme | Trailer

Emoji: O Filme | Pôster

Emoji: O Filme | Pôster Brasil

Emoji: O Filme | Galeria

Emoji: O Filme | Imagens (1)

Créditos: Sony Pictures Animation (Divulgação)

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Créditos: Sony Pictures Animation (Divulgação)

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Créditos: Sony Pictures Animation (Divulgação)

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Créditos: Sony Pictures Animation (Divulgação)

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Créditos: Sony Pictures Animation (Divulgação)

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Créditos: Sony Pictures Animation (Divulgação)

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Créditos: Sony Pictures Animation (Divulgação)

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Créditos: Sony Pictures Animation (Divulgação)

Emoji: O Filme | Sinopse

Gene é um Emoji que foi designado para ser o novo “meh” do smartphone de Alex. Mas ele não se sente assim e vai entrar numa aventura para se consertar e se encaixar numa sociedade onde cada um tem sua função pré-definida. Mas a sua jornada de auto-descobertas pode mudar tudo.

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