0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Filament.io 0 Flares ×

E_o_Fim-post

8/10 - "tem um Tigre no cinema"Com Seth Rogen, Jay Baruchel, James Franco, Jonah Hill, Danny McBride, Craig Robinson, Michael Cera, Christopher Mintz-Plasse, Emma Watson. Roterizado por Seth Rogen, Evan Goldberg. Argumento de Jason Stone. Dirigido por Seth Rogen e Evan Goldberg.

“É o Fim” é um bagunça. A mesma nonsense que aconteceria se você ficasse preso com seus amigos sem saber o que está acontecendo do lado de fora. Por isso, é uma história divertida e sincera, onde os protagonistas brincam nos próprios estereótipos. Com certos exageros visuais aqui e ali – leia-se grandes membros aparecendo – a comédia tem tantos momentos imprevistos e insanos que consegue arrancar gargalhadas facilmente da plateia.

Jay Baruchel vem à Los Angeles visitar o amigo e também ator Seth Rogen. Eles tem planos de passar alguns dias juntos basicamente comendo, fumando e jogando video-game. Por sugestão de Seth, os dois vão até a festa de inauguração da casa de James Franco. Lá também estão, entre outros, Jonah Hill, Emma Watson, Craig Robinson, Michael Cera, Rihanna e Christopher Mintz-Plasse. Durante a festa, seguido de um terremoto, o Apocalipse começa, arrebatando algumas pessoas nas ruas, mas ninguém na casa de Franco. Depois de uma carnificina onde a maioria dos convidados é tragada para o centro da Terra, Jay, Seth, Jonah, James, Craig e o não convidado Danny McBride tem que superar suas desconfianças e medos para sobreviver ao fim de tudo.

Dois motivos já fazem o filme digno de nota: fazer que os atores interpretarem a si mesmos e abraçarem os clichês de serem astros de Hollywood. Sem dúvida é fácil achar quem os julgue como bêbados, falsos e viciados. Apesar do uso de drogas ilícitas ser massivo na produção, é tudo tão exagerado que não deve ser visto como apologia. Mas é um grande recado de Rogen e Goldberg dizendo que sim, nós sabemos como somos vistos. Abraçando isso e jogando tudo para o alto, eles se libertam de amarras moralistas e podem fazer piadas praticamente sem limites. E eles brincam com eles mesmos, com um paparazzo perguntando a Seth quando ele vai deixar de “interpretar o mesmo cara”, ou na relação entre Cera, Jonah e Mintz-Plasse, recriando uma gag do extra de “Superbard – É Hoje” (Superbad, 2007) onde o protagonista é retratado como um idiota insuportável por seus colegas de filme.

Jay é o mais contido da turma. Vê-se na construção do personagem que esse estilo louco de Los Angeles não é exatamente seu tipo, mas a amizade com Seth o faz suportar até gente que o detesta, como Jonah. E é verdade que Jay tem uma personalidade chata, quase estraga-prazeres, um papel que tradicionalmente é dado à mulheres. O fato de criar um personagem masculino fresco e dar força à Emma Watson – que empunha um machado para se defender, enfrentando parte do apocalipse sozinha e roubando todo álcool da casa de James Franco – evita o rótulo fácil de misoginia que o filme poderia levar.

O filme costura várias referências cinematográficas para serem caçadas, desde mais sutis às mais claras: “O Exterminador do Futuro 2” (Terminator 2, 1991), “O Bebê de Rosemary” (Rosemary’s Baby, 1968) e “O Exorcista” (The Exorcist, 1973) são algumas. Também há um espaço para o estilo found footage, com vídeo diários que James e os outros começam a fazer para passar o tempo, além da sensação que os atores sentem de não estarem mais sob os holofotes. Aliás, a cara que Jonah faz em um desses vídeos depois de um certo encontro é uma das cenas mais impagáveis do filme.

É o Fim - poster brasileiro

“É o Fim” vai ser um filme que facilmente ganhará o rótulo de idiota e grotesco. Mas, por exemplo, é diferente de toda a franquia “Todo Mundo em Pânico”, onde nem tudo é tão escancarado. A história ganha mais corpo com outras participações especiais – Channing Tatum numa delas, mas nem de longe a melhor, guardada para o final – e ao disparar para variados assuntos: uso de drogas, religião e pornografia entre eles. No fim das contas, é uma história sobre amizade e sacrifício. Rogen e Goldberg mostram que é uma coisa que vale a pena lutar. Até o fim, mesmo ao enfrentar um demônio com um pênis do tamanho de um edifício.





Volte para a HOME