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Detona Ralph vai além da homenagem aos grandes clássicos do vídeo-game ao trazer uma história divertida e emocionante.

"Wreck-it Ralph", 2012

Com John C Reilly, Sarah Silverman, Jack McBrayer, Alan Tudyk, Ed O’Neill e Jane Lynch. Argumento de Rich Moore, Phil Johnston e Jim Reardon. Roteirizado por Phil Johnston e Jennifer Lee. Dirigido por Rich Moore.

9,5/10 - "tem um Tigre no cinema"Todos os pôsteres de divulgação convergiam para uma direção: “Detona Ralph” seria um filme que levaria toda uma geração ao cinema para ver nossos personagens preferidos do mundo gamer. Sonic, Pac-Man, Mario e vários personagens da Capcom (principalmente da franquia Street Fighter) desfilam pelo universo do fliperama Witlak. Mas não é só isso. Os responsáveis pelo filme entregaram uma produção emocionante e divertida, que é complementada por essas presenças memoráveis. Misturando tudo isso à ação e doçura (sem ser pegajosa), a Disney ganha mais uma história para ficar na memória de qualquer um. Gamer ou não.

Dentro de uma loja de fliperamas, existe um universo que é compartilhado por todos os jogos de arcade que estão ligados na rede elétrica. No começo você vai tentar identificar os jogos que passam pelos anos num fast-foward. Lá, Ralph (Reilly) é o vilão do jogo fictício Conserta Felix Jr, nome também do herói da história (McBrayer). Numa reunião parecida com a dos Alcoólicos Anônimos, estão Bowser/Kopa (Super Mario), M Bison e Zangief (Street Fighter, apesar do russo NÃO ser um vilão), Dr Robotinik (Sonic), Kano e Smoke (Mortal Kombat), Fantasma (Pac-Man) entre outros. Os personagens ficam um tanto chocados quando Ralph diz que está cansado de ser um vilão, de ser jogado do topo do prédio e morar num lixão enquanto os outros personagens do jogo festejam cada vitória de Felix.

Numa discussão por não ter sido convidado para o aniversário de 30 anos do jogo, Ralph declara que pode ser como Felix, e que vai dar um jeito de ganhar uma medalha para provar que os outros personagens secundários do jogo estão errados sobre o grandalhão, por mais desajeitado que seja. Nessa busca por reconhecimento, que todo o ser humano também faz, ele invade um jogo de FPS que se passa num mundo alienígena para roubar uma medalha, e depois vai parar no Sugar Race, um jogo de corridas num mundo de doces, onde encontra exacerbada e ululante Vanellope von Schweetz (Silverman), um bug do jogo que quer participar da corrida que acontece quando a loja de fliperamas fecha para poder ser um dos personagens selecionáveis no dia seguinte.

Uma expressão usada mais de uma vez é “ir Turbo”. Parece ser uma expressão com dois sentidos, pois no universo gamer “Turbo” é uma versão recauchutada de um jogo de sucesso para alavancar mais as vendas. Dentro do filme ele tem outro sentido, mas que só existe, creio eu, por causa do original. Bem da verdade, todo o universo do filme é extramente bem projetado. Notem que os personagens secundários do jogo Conserta Felix Jr se movem de um jeito mais duro e menos sofisticado, um conceito mais recente em games para poupar o hardware. Ainda mencionando o visual, Ralph e Vanellope são ligados por algumas nuances poéticas. O grandão é desajeito, passando pelos cabelos, pelo botão que falta do suspensório e pela delicadeza de um paquiderme (poderíamos dizer que ele não é mau, apenas foi programado assim. Parecido com Jessica Rabbit). Já a pequena corredora, que vai conquistar homens e mulheres, está quebrada dentro de seu universo: os cabelos ajeitados, mas repletos de doces; o carro que constrói é feito de restos (as rodas, o banco e outras partes têm marcas de mordidas); e a própria casa em que ela mora também é desajeitada e feita com partes que a personagem provavelmente achou enquanto tentava fazer seu sonho acontecer. E é genial a ambientação do mundo Sugar Race, onde tudo é feito de doces: árvores, as paredes, os cachorros e o ápice da referência cômica, mostrando que um dos policiais é uma rosquinha.

"Detona Ralph" - poster Brasil

O filme ainda tem uma dezena de momentos para guardar e caçar. Outro conceito mais recente do universo dos games também aparece. Quando Felix vai atrás do companheiro, ele dá de cara a personagem do jogo Hero’s Duty, de onde Ralph roubou a medalha. A Sargento Tamora Jean Calhoun (Lynch) está numa side mission, ou, se preferirem, numa missão num universo open world. São tantos detalhes que vão valer mais uma visita ao filme. Com pelo menos uma referência pop, e até lances da fotografia, por exemplo, quando Ralph acredita estar fazendo o que é melhor para Vanellope, esta animação deve agradar mais os homenageados que somos nós que crescemos jogando. Mas não se engane por causa disso, nem pela opção massiva dos cinemas em escolher pela versão dublada (que não assisti para comentar). “Detona Ralph” tem uma história tocante com o suporte do universo gamer que agradará um grande leque de espectadores. É um filme que certamente terá continuações. Imaginem que cada loja de fliperama é um universo separado. Podem existir outras máquinas de Conserta Felix Jr espalhadas por aí, dentro de mundos povoados pelas máquinas da Capcom, Nintendo ou tantas outras. Se apreciado com responsabilidade, o universo pode ser expandido. Com o sucesso que está fazendo, não duvido nada que as empresas peçam que a Disney coloque suas franquias na tela grande do jeito devido.

E vá para a versão 3D sem receio nenhum. O diretor soube explorar a grande profundidade de campo, como pede a tecnologia. E fique para ver todos os créditos, que são um show à parte.

“Detona Ralph” concorreu ao Oscar 2013 na categoria Melhor Filme de Animação.

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