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Depois Daquela Montanha é água (gelada) com açúcar, um entretenimento romântico, piegas e cheio de estereótipos.

Depois Daquela Montanha | Crítica

Elenco: Idris Elba, Kate Winslet, Beau Bridges, Raleigh, Austin | Roteiro: Chris Weitz, J. Mills Goodloe | Baseado em: The Mountain Between Us (Charles Martin) | Direção: Hany Abu-Assad (O Ídolo) | Duração: 112 minutos

Entendo o apelo que Depois Daquela Montanha tem para os mais românticos; mas, mesmo no gênero, a produção de Abu-Assad é um exemplar menor. Não é apenas o clichê de pessoas que encontram o amor na adversidade, é o da posição da personagem feminina ante à masculina, o modo de ceder ao desejo como obrigação e não saber quando terminar a história. Carregado nas costas pela atuação da dupla de protagonistas, e também com uma beleza gélida (assim como a fotografia), o filme começa bem, peca na duração exagerada e vai caindo de qualidade, como uma avalanche nos soterrando de pieguices.

Consideremos o início do filme como um prólogo, onde conhecemos os caminhos e motivações de Alex (Winslet) e Ben (Elba). É mais fácil acompanhar a desventura dos personagens que saem de um ambiente cheio e barulhento para cair, literalmente, numa imensidão silenciosa e onde o diretor acertadamente usa pouca trilha sonora para aumentar a sensação de desespero e medo daquelas duas pessoas de mundos tão diferentes. Alex, senda jornalista, é curiosa e até um pouco intrometida – e mesmo sendo improvável que alguém ofereça a ajuda que ofereceu à um estranho, o roteiro justifica essa opção ao colocar a personagem nos pés de alguém que viu o desespero de perto.

Já Ben é mais prático e reservado e nesse quesito faz mais sentido o nome original da obra (A Montanha Entre Nós): ele se isolou por motivos que ainda descobriremos, um tanto óbvios, mas que também funcionam na narrativa. Essa construção inicial dos personagens, cada um no seu universo, é a parte mais crível do filme. Além disso, a demora para responder às perguntas da jornalista são um misto de medo e insegurança, aumentando o tempo num momento em que isso é necessário para mostrar ao espectador a importância do elemento para os dois acidentados.

E aí, porém, que residem as boas partes do roteiro.  Depois é um conjunto de obviedades e alguns pensamentos rasteiros no desenvolvimento dos personagens. A dualidade deles se divide entre pensamento lógico e instinto, quase como a relação entre Sherlock Holmes e John Watson. Só que esses papéis caem para o homem e para a mulher, respectivamente. Porque é óbvio na mente do roteirista (e para o escritor da obra original) que é papel do homem ser o prático e a mulher a sentimental. Essa visão é confirmada quando Ben tenta inutilmente chamar a atenção de um avião comercial com um sinalizador e Alex berra desesperadamente para cima.

No entanto, o roteiro não dá o mesmo desespero para Ben quando uma cena parecida acontece quando ele está separado de Alex, onde ele apenas balança os braços, mas sem usar a voz. O que deixa a parte mais interessante do roteiro em saber como o cachorro está e nos desafios a serem conquistados – e, convenhamos, todos são superados com relativa facilidade; e os que não são caem todos nas costas de Alex. Podem anotar e perceber que até mesmo o último deles não teria acontecido se a personagem não insistisse que Ben saísse ao resgate do cachorro sem nome.

Pelo menos no quesito técnico, a produção satisfaz. Há logo no começo um plano longo mostrando detalhes do ambiente que Alex e Ben estavam prestes a cair, diálogos que justificam a impossibilidade dos dois serem encontrados facilmente e a questão da falta da comida. Além disso, a fotografia de Mandy Walker nos envolve com sua luz fria naquele ambiente pouco habitado e passando a sensação de frio pelos contrastes do azul limpo do céu com o branco da neve, ou fechando mais a visão dos personagens – junto da nossa por consequência –, nos piores momentos da história. Aponto também como o diretor mantém a dupla numa posição desconfortável dentro do que sobrou do avião, colocando-os tortos, mas sem que isso seja do posicionamento da câmera.

Mas há os grandes problemas, como a cena sexo – nada prática, considerando que os dois estavam se alimentando mal há pelo menos três semanas. Parece uma obrigação dos filmes românticos:  se os personagens não extravasarem suas tensões sexualmente, não parece um romance. São momentos como esse, além dos flashbacks de cenas que passaram alguns minutos antes, que servem apenas para arrastar mais a narrativa; algo sentido fortemente na interminável conclusão. Aqui faltou cuidado na sala de montagem: depois de tanto o Tempo ser usado narrativamente, a parte final merecia dinamismo para sermos recompensados depois de tanta lentidão.

Por causa de um certo filme sessentista citado no começo da história, não podemos dizer que o diretor tentou nos enganar. Mesmo sabendo que originalidade não exista mais, por mais óbvio que afirmar isso seja, falta um espírito para a produção, algo que de que alguma maneira pudesse destaca-lo de outras obras – ou equipará-las, que seja. Aceitaria até mesmo uma obra mediana, mas nem mesmo isso Depois daquela Montanha consegue ser. A produção cai tanto no lugar comum que é impossível defendê-la além dos quesitos técnicos e da atuação. E se não fosse isso, seria um filme fadado ao esquecimento; pelo menos mais do que já é.

Depois Daquela Montanha | Trailer

Depois Daquela Montanha | Pôster

Depois Daquela Montanha | Cartaz nacional

Depois Daquela Montanha | Galeria

Depois Daquela Montanha | Imagens (1)

Créditos: Fox Film do Brasil/Divulgação

Depois Daquela Montanha | Iamgens (2)

Créditos: Fox Film do Brasil/Divulgação

Depois Daquela Montanha | Imagens (3)

Créditos: Fox Film do Brasil/Divulgação

Depois Daquela Montanha | Imagens (4)

Créditos: Fox Film do Brasil/Divulgação

Depois Daquela Montanha | Imagens (5)

Créditos: Fox Film do Brasil/Divulgação

Depois Daquela Montanha | Sinopse

Alex e Bem alugam um avião particular para chegarem nos seus compromissos inadiáveis em tempo. Mas uma série de eventos causa um acidente e os dois caem numa região montanhosa e gélida. Agora os dois precisam encontrar uma maneira de se ajudarem e sobreviver até que o resgate chegue.

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