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"After Earth", 2013

Com Jaden Smith, Will Smith, Sophie Okonedo, Zoë Isabella Kravitz e David Denman. Roteirizado por Gary Whitta e M Night Shyamalan. Dirigido por M Night Shyamalan (O Sexto Sentido).

5/10 - "tem um Tigre no cinema"Alguns filmes são tão fracos que podem ser resumidos em poucas palavras, apesar de não ser essa a intenção da crítica. A produção de Will Smith, que envolve o filho Jaden, a esposa Jada Pinkett, que é produtora junto do marido e do diretor M Night Shyamalan – que lidera esse filme de jornada de amadurecimento – é extremamente egocêntrica. O diretor emprega um ritmo muito lento, apostando numa história que sairia muito melhor se fosse um curta-metragem. Tem pouca ação, pouca ficção científica, e pouco cuidado em outros detalhes técnicos. Sem mostrar nada de relevante nos últimos dez anos, esse é mais um filme que mostra que o diretor está num caminho errado. Ainda é um mistério como ele ainda se sustenta em Hollywood.

Num futuro próximo, a humanidade acabou com todos os recursos naturais da Terra, deixando-a inabitável. Para sobreviver, um êxodo é feito para um planeta batizado de Nova Prime. Em 3013, uma raça alienígena chamada S’krell envia criaturas para acabar com os humanos – num motivo que não fica claro no filme, mas é explicado num prelúdio lançado em livro. As feras chamadas ursas são cegas, mas conseguem farejar os hormônios que os humanos exalam ao sentir medo. Quando a ameaça da extinção está próxima de novo, o líder dos Rangers, Cel Cypher Raige (Will Smith), consegue suprimir o seu medo, ficando assim invisível aos ataques das criaturas. Numa viagem a um planeta vizinho para treinar outros soldados a fazer o mesmo, Cypher leva com ele seu filho Kitai (Jaden Smith) para que possam se reaproximar. Mas um acidente causa um pouso forçado num planeta hostil em que tudo evoluiu para matar humanos: a Terra.

Cypher Raige é um homem sem medo. Tudo bem, mas é incômodo demais ele ser alguém sem fraqueza nenhuma. Então, ele é um ótimo combatente, conseguiu salvar várias pessoas com atos corajosos, e é o líder de uma unidade que protege os humanos remanescentes. Nem mesmo a relação dele com o Kitai que está abalada, e que poderia criar um drama interessante entre os dois, é um defeito para ele. Cypher é um militar com todos os trejeitos estereotipados da carreira, com seu corte de cabelo estilo tigela e fazendo questão de até em casa ser tratado como se estivesse em um quartel. Além disso, ele nunca está errado e é capaz de suportar as dores monstruosas de ter quebrado o fêmur sem abrir a boca, e sem tomar uma medicação sequer. Essa tentativa de criar um personagem frio, que ao ponto de gravar uma mensagem para a mulher dizendo que o filho desapareceu de seu radar do jeito mais seco possível, como se fizesse um relatório, torna o personagem tão bidimensional que chega a ser irritante. O problema é que roteiro faz que Cypher cumpra o papel de espectador, mas sem que ele se identifique com a audiência em geral. Assim como ele, só podemos ficar sentados e acompanhar o caminho do jovem. Mas o pai é tão perfeito que essa ligação simplesmente não acontece.

O filme é relativamente curto. Durante 90 minutos, Kitai tem que atravessar cerca de 100 km em quatro dias para alcançar um transmissor e mandar um sinal de socorro para que o pai e ele sejam resgatados. Tudo isso num planeta desconhecido e hostil – mas nem tanto. Cypher faz questão de apontar para o filho que todo o planeta é perigoso, e que todos os animais seriam máquinas exterminadoras de humanos, que haveria perigo em todo o canto. Depois de um tempo você vai perceber que não é bem assim, já que os tais percalços se resumem a um ataque de babuínos, de tigres e um condor. Que, convenhamos, atacariam um intruso de qualquer jeito. Mas pouco do ambiente é realmente hostil, e só o sanguessuga que infecta Kitai pode ser considerado fora de comum. Também é de se estranhar que um ecossistema que muda bruscamente de temperaturas, sendo que a mais baixa congela quase imediatamente a pele de Kitai, possa abrigar vidas. Afinal de contas, tem tanto pontos geotérmicos espalhados por aquela região capazes de sustentar um fauna que se desenvolveu por mais de mil anos sem interferência humana? E claro que em nenhum dos pontos quentes que Kitai usa para se abrigar aparece um desses seres perigosos para ele. Parece mais que ele está num longo passeio no parque, e não dá para acreditar que um dos animais que caça o jovem chega a salvá-lo. Na necessidade de um desafio, os roteiristas tiveram que apostar na criatura que já dava problemas pra eles em casa. Nesse momento fiquei me perguntando onde estaria o plot twist tão típico da filmografia de Shyamalan.

Depois-da-Terra

“Depois da Terra” é um filme extenuante, bem da verdade. A montagem é confusa, a fotografia é preguiçosa – notem que ela é constante, não importa se você está em Nova Prime, numa espaçonave ou nas suas memórias – só alterando sensivelmente quando Kitai entra em desespero por causa de uma toxina, e a história de aprendizado como alegoria que os seus pais um dia não vão estar lá para você não é desenvolvida de um jeito interessante. Depois de praticamente uma hora e meia de filme, cansa demais ver o pequeno Smith – que ainda não é um bom ator, mas que pode vir a ser – correndo pelas florestas, e não ter a vontade de dormir. Nem mesmos os signos são bem explorados. Smith e Whitta insistem em apontar o livro de Moby Dick (de 1851, escrito por Herman Melville), que é uma história sobre obsessão só para mostrar que as baleias estão são e salvas depois que a humanidade abandou a Terra. E o fato de pai e filho terem conseguindo conquistar o medo nos mesmos cenários – ombro machucado, elemento da água – só faz mostrar que arriscar não é a personalidade nem dos roteiristas, nem do diretor.

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