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Com Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar e Henrik Dahl. Escrito por John Ajvide Lindqvist,baseado em seu próprio romance. Dirigido por Tomas Alfredson. Na gelada Estocolmo de 1982, o garoto Oskar (Hedebrant) vive com a mãe e tem problemas na escola por ser vítima de bullying. Ele conhece Eli (Lina) uma garota reservada como ele. Ao mesmo tempo em que ocorre um assassinato cruel nos arredores de onde eles moram.

Atenção: a crítica tem alguns spoilers!

“Deixa ela entrar” é o típico filme que quanto menos você souber antes de ver, melhor. Até acho difícil falar dele sem estragar alguma supresa. E talvez seja melhor você nem ler essa crítica se não viu o filme. Começando pelo drama que os dois personagens principais passam. Por isso, sugiro que você pare de ler por aqui.

Oskar vive longe do pai, e sofre de violência de alguns colegas de classe. É pouco se compararmos com a situação de Eli, que é uma vampira e precisa de sangue para viver. Mas como é possível medir o sofrimento, ainda mais se for de uma criança? Então, a situação dos dois é triste.

A dupla criativa nos transporta pelos vários ritmos do filme de um jeito de causar inveja. Passamos pelo drama e terror, e entremomentos meigos, sem ficarmos perdidos. Não senti nada de errado em um momento cheio de ternura vir logo depois, ou logo antes de uma cena de carnificina comedida. O modo que Eli se movimenta e apresentada para o espectador é outro detalhe digna de nota. Mesmo que você não saiba de nada ao entrar no cinema, o diretor vai te dando essas pistas sutis que nem seria necessário que fossem ditas mais tarde, quando Oskar pergunta para Eli se ela é uma vampira.

O universo vampiresco é respeitado aqui como deve ser. Apesar de alguns elementos não aparecerem (a aversão aos símbolos religiosos, por exemplo), o Sol continua sendo o grande inimigo dos vampiros (viu, srs fãs de Crepúsculo!) e um outro em especial que não lembro de ter visto em lugar nenhum: O que acontece com um vampiro que entra numa casa em que não é convidado? A cena é uma das melhores e memoráveis. Como todo o filme de vampiro, é preciso ter sangue. Mas as cenas são tão bem construídas que até mesmo os litros de sangue se tornam passagens poéticas. Preste atenção na minha cena favorita, que acontece em uma piscina. As sugestões, os sons, a passagem de tempo que parece ser em câmera lenta…

Eli tem um ar andrógino e Oskar parece um vampiro, de tão branco e loiro que é. Um figura que parece nunca ter tomado sol. Por isso eles se misturam e se entendem. É alguma coisa que passa de amizade, mas por serem jovens é encarado com uma certa inocência, que é quebrada aos poucos. Numa metáfora, é a passagem para a adolescência. Numa mensagem mais direta, Eli precisa de alguém que cuide dela de tempos em tempos. Só assim ela sobreviveria nessas passagens dela, vivendo várias e várias vidas até sabe-se lá quando.

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