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Com  Clint Eastwood[bb], Amy Adams[bb], Justin Timberlake[bb], Matthew Lillard[bb], Jason Patrick e John Goodman. Roteirizado Randy Brown. Dirigido por Robert Lorenz.

O clichê não é necessariamente um problema, pois todo o compêndio de histórias que o ser humano pode produzir já foi contado. O que faz a diferença é o jeito que essas histórias são apresentadas. “Curvas da Vida” é uma coleção de tipos e situações do que já vimos várias vezes: o senhor rabugento, mas cheio de experiência que não se adéqua às questões tecnológicas do mundo moderno, a filha rejeitada que quer ser motivo de orgulho do pai, o mocinho boa pinta que obviamente se apaixonará pela mocinha, e o sabichão que não respeita ninguém. Lorenz estreia na direção, e com competência. Mas a história deixa muito a desejar, além de ser incomodamente arrastada. É um filme que não vai ofender ninguém, mas também não vai emocionar, e conta com um potencial enorme de ser esquecido logo depois que se passam os créditos.

Gus Lobel (Eastwood) é um rabugento e experiente olheiro de baseball. Fez isso a vida toda e tem seu trabalho ameaçado por tipos como Phillip (Lillard), que nunca saiu de um escritório e confia só nos dados do computador para contratar. Por ter descoberto vários talentos, Gus tem créditos no meio, e grande apreço de seu amigo Pete (Goodman), que percebe que o velho amigo está com algum problema. Gus está pouco a pouco perdendo a visão, que é um sentindo essencial para a profissão, por isso o diretor filma como a câmera subjetiva em mais de um ponto do filme. Pete sabe que o amigo não sabe fazer outra coisa além de ser olheiro, então apela para a filha de Gus, Mickey (Adams), para que ajude o pai numa viagem para mostrar aos seus chefes que ainda tem tino para o assunto. Gus não quer admitir que tem o problema com seus olhos, o que protagoniza uma das poucas cenas engraçadas do filme, envolvendo uma mesa de centro quebrada e o “feng shay”. Quando Gus e Mickey viajam para uma cidadezinha no interior dos EUA para ver o potencial de um jovem jogador chamado Bo, um garoto sensação que é um babaca sem tamanho (fazendo um paralelo com seu porte físico), aparece um ex-jogador que Gus descobriu chamado Johnny (Timberlake) que, ainda não sabe, mas vai se apaixonar por Mickey. O jovem também é um olheiro, e está atrás de informações do mesmo jogador que Gus.

Lorenz faz um trabalho interessante ao separar as personalidades do trio com algumas nuances. Gus e Mickey tem um ar mais triste. Notem que os dois compartilham constantemente cores azuis nas roupas, enquanto Johnny é apresentado logo de cara como alguém muito mais extrovertido: chega dirigindo um conversível, ouvindo rock n’ roll alto e se empolgando com um bando de crianças jogando baseball. A tristeza de Gus vem de seu passado: viúvo há muito tempo e carregador de uma lembrança que o assombra por vários anos. Lembrança que é apresentada por meio de um flashback mais granulado e azulado para acentuar a tristeza, e que tem um símbolo muito interessante que é representado por meio de uma porta semiaberta. Já a tristeza de Mickey vem consequentemente do pai. Lutando por aprovação, ela se torna uma workaholic, e ao longo do filme não larga do seu smartphone para poder provar ao seus chefes que ela é digna da vaga de sócia num escritório de advocacia.

Curvas da Vida - poster brasil

O filme conta com alguns momentos doces, onde aponto uma dança ao som de light jazz e um mergulho num lago. Para quem é fã de cinema, as curtas conversas que Gus tem com seus colegas de trabalho dão um toque de homenagem. Assim como ao próprio Eastwood em dois momentos: um quando Pete pergunta ao amigo se ele não pretende se aposentar, e recebe um olhar de desdém, e a aparição “jovem” do ator (que ou é um CGI muito bem feito, ou um dublê de rosto incrível). Acho inevitável a associação ao filme “O Homem que Mudou o Jogo” (Moneyball, 2011), onde a situação é inversa, e que estatísticas e números se unem ao jeito tradicional de se fazer o trabalho. Apesar de sua honestidade, “Curvas da Vida” (que foi uma adaptação de título bem feita) é apenas um filme mediano. O arco com o personagem de Timberlake é fraco, e ainda levantamos questionamentos que incomodam, principalmente ao nos perguntarmos porque Gus quer superproteger a filha mandado-o para longe dele. No fim, é uma história sobre lições de vida e experiências. Aquela coisa bem clichê, com um fundo esportivo. Mas não é para se descartar de todo, e acredito que o diretor Lorenz e o roteirista Brown ainda possam nos surpreender no futuro. Um pouco mais de ousadia resolve a situação.

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