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Com  Daniel Craig, Olivia Wilde, Harrison Ford, Sam Rockwell e Clancy Brown. Escirto por Damon Lindelof, Alex Kurtzman, Roberto Orci, Mark Fergus e Hawk Ostby. Baseados nos quadrinhos da Dark Horse, de Scott Mitchell Rosenberg. Dirigido por Jon Favreau (Homem de Ferro).

“Cowboys e Aliens” é, acima de tudo, um filme com diversão garantida. Bem diferente dos filmes que dizem que temos que “desligar o cérebro”, a ação e a situação totalmente maluca que nos é proposta não vai te entregar uma história tola, mas com alguns clichês. Com um roteiro escrito por cinco pessoas, é de se esperar o pior. Isso prejudicou um tanto a projeção. Um pouco mais de cuidado e a produção deslancharia. Mas existem outros detalhes que vale a pena citar.

Não é seu dia de sorte, estranho“. E assim nos é apresentado um personagem sem nome (Craig, mas que mais pra frente ganhará um). E não se mexe com qualquer homem sem nome que se preze no Velho Oeste, Clint nos ensinou. Durante sua “busca por conhecimento” (que se fosse filmado no Brasil, seria uma homenagem a Bilu) o personagem enfrenta o sol forte do Oeste americano em meio a flashbacks. É a primeiro conceito interessante no filme. A paleta de cores escolhida pelo diretor de fotografia Matthew Libatique (o profissional preferido de Darren Aronofsky) mostra o presente com um tom de amarelo, característico de filmes westerns, mas a brincadeira é a cor verde dos flashbacks, que usado não é usado à toa. Normalmente, como são representados alienígenas na imaginação popular? Homenzinhos verdes. Boa sacada de Libatique. Existe outro detalhe usando o verde, mas não quero entregar. E espero que vocês percebam.

O crossover com o Velho Oeste e aliens tem um algo além do fantástico. Em 1865, Julio Verne escreveu “Da Terra a Lua”, um livro que tratava, óbvio, da viagem dos humanos ao nosso satélite, mas o encontro com outro seres não ocorria. “A Guerra dos  Mundos”, de H.G. Wells, só viria só em 1898. O filme se passa em 1873, portanto, o conceito de invasores de outro planeta não passa pela cabeça dos personagens. Não faz parte do universo deles, por isso eles tem que se apegar ao mais próximo que conhecem desse tipo de invasão, e os chamam de demônios. Acredito que esse é um título mais interessante: “Cowboys e Demônios”. Seria um spoiler menor. Essa percepção, que só pode ser interpretada pelos personagens como “maluca” aparece além de seres vindos do céu, num barco gigantesco virado de ponta cabeça e distante de qualquer rio navegável.

A IML assina mais uma vez os efeitos especiais. O design das naves é interessante porque também fazem parte de um passado alienígena. Ao invés de terem um sistema de teletransporte, as vítimas são abduzidas no laço, alguma coisa bem ao estilo cowboy. Claro que isso levanta algumas questões. Se os aliens são capazes de atravessar sabe lá quantos anos-luz, imagino que a captura poderia ser mais moderna também. Mas isso não estraga o filme, é só a visão de alguém que viu muitos filmes de ficção científica.

Além de Jake Lonergan (o agora nomeado personagem de Craig), ainda contamos com a o primeiro antagonista, o Coronel Woodrow Dolarhyde (Ford), um personagem que é introduzido de costas, nas sombras, ameaçador e perigoso ao ponto de torturar um empregado para saber o que aconteceu com o gado de sua propriedade, por não acreditar na história de um bêbado (aliás, sempre sobra para o bebum contar a história). Dolarhyde é apresentando de um jeito tão cruel, que é difícil de engolir a sua mudança de caráter, ou mesmo acreditar que ele sempre foi assim. O trio principal fecha com Ella Swenson (Olivia) é uma personagem muito diferente do ambiente. Apesar de ser uma estranha à cidade de Absolution, ninguém parece se importar com o fato. É importante citar Doc (Sam Rocwell) é o dono do saloon, o inexperiente; notem como ele desajeito em tudo, desde brigas, passando por cavalgadas e manejo de armas, algo essencial para alguém que vive no Oeste.

Spoilers nessa conclusão

O filme também é uma experiência religiosa para os personagens e, por que não dizer assim,  para os produtores. Meacham (Brown) é um pastor, e a primeira pessoa que ajuda Jake. Aliens são vistos como demônios e a frase “ela está num lugar melhor” é dita com a imponência da cruz cristã ao fundo, acima dos personagens. O filme ainda conta com um trilha sonora só um pouco além do interessante, me chamando a atenção somente a música de introdução, composta por Harry Gregson-Williams (que também fez “Shrek”). O filme tem seus furos e questionamentos. Por exemplo, logo depois de Ella dizer que os aliens não enxergam bem no claro, eles se engalfinham num confronto corpo-a-corpo e se saem muito bem para quem tem essa dificuldade. E valeria a pena atravessar esse espaço sideral todo por ouro? Frases e até cenas clichês (a explosão da nave é muito parecida com a explosão da segunda Estrela da Morte, em “O Retorno de Jedi”, até mesmo os grito dos índios) dão um sinal que a história podia ser mais interessante. Ainda assim, vale a pena ser visto.

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