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Cidades de Papel, nova adaptação cinematográfica do autor de A Culpa é das Estrelas, é arrastada, pouco ousada e com uma história preguiçosa.

Paper Town, 2015

Com Nat Wolff, Cara Delevingne, Justice Smith, Ben Starling, Halston Sage. Roteirizado por Scott Neustadter e Michael H. Weber, baseado no romance de John Green. Dirigido por Jake Schreier.

3/10 - "tem um Tigre no cinema"A cada década aparece um filme que tenta representar a geração anterior, sintetizando suas aflições, medos e esperanças. E vamos percebendo, a medida que envelhecemos, que todos somos muito parecidos. Cidades de Papel lida com isso do mesmo jeito que você viu um outra dezena de filmes – passando por Os Goonies (The Goonies, 1985) até Show de Vizinha (The Girl Next Door, 2004) – mas de maneira menos eficiente: estão ali o grupo de amigos, a aventura que é o amadurecer e a coragem que é necessária para enfrentar esses desafios, porém o plano que impulsiona esses personagens só funciona forçadamente pela necessidade que o roteiro cria para si mesmo, chegando ao cúmulo de ter que apelar para diversos ex-machinas para funcionar, além de ser tecnicamente pouco ousado.

Sinopse oficial

Cidades de Papel é uma adaptação do livro de John Green sobre os adolescentes Quentin e sua enigmática vizinha Margo. Margo gostava tanto de mistérios que se tornou um. Margo conduz Quentin a uma noite inteira de aventuras em sua cidade natal e desaparece repentinamente, deixando pistas complicadas para Quentin decifrar. Nessa busca, Quentin e seus sagazes amigos se veem em uma aventura das mais empolgantes, repleta de humor e comoção. Afinal, a fim de encontrar Margo, Quentin se vê obrigado a buscar uma compreensão mais profunda do que são amizade e amor verdadeiros.”

Os primeiros minutos do filme prometem bastante. Quentin (Wolff) conta a história de como conheceu Margo (Delevingne), sua paixão desde muito jovem. Ela é uma garota à frente da sua idade, ousada e curiosa, o que conquista o jovem Q desde o começo. Mas é estranho perceber que os elementos que fazem isso tem pouca – ou nenhuma – influência no tom do filme. Há uma morte que a jovem Margo investiga quando é criança que serve para mostrar seu espírito questionador, algo que a narração off de Quentin faz questão de irritantemente nos lembrar, mas não serve para mais nada. A morte não está presente, não há um momento de tensão sequer, nenhum perigo iminente, a não ser um eventual um castigo escolar pelo fato de Q e seus amigos matarem aula – que grande problema esse.

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E os personagens não são nem um pouco cativantes. Ainda que o trio de amigos completado por Radar (Smith) e Ben (Abrams) seja, de alguma maneira, um paralelo com os conceitos de ego, superego e id não é suficiente para criarmos empatia com eles em pelo menos dois terços do filme. A inclusão das moças Angela (Sinclair) e Lacey (Sage) fazem a narrativa melhorar, junto com o melhor momento do filme. A produção se torna um road movie interessante e que basicamente evita que o filme seja um desastre. Como já sabemos, é a jornada que importa e é isso o que significa a busca por Margo enquanto o quinteto atravessa os EUA: eles amadurecerem, se sentem mais confiantes e até fortalecem seus laços de amizade. Mas isso é, se muito, apenas um terço do filme, sendo que o restante é uma lentidão monstruosa e cheia de momentos pouco marcantes.

Então, durante praticamente 80 minutos de filme, temos narrações explicando o óbvio – como, por exemplo, o sumiço de Margo que já estava bem evidente com o armário vazio e as várias cadeiras da estudante na escola desocupadas – e uma série de mistérios que não sustentam a narrativa. Ainda que você force as coisas para que os lampejos de Quentin tenham sentido, é inadmissível que a possível localização de uma das pistas – a principal, na verdade – do paradeiro de Margo tenha que ser dita por Radar, forçando Quentin a ir a um lugar que ele não teria ido por vontade própria. É um ex machina muito grave ter aceitar que o elemento crucial para a jornada de Q esteja num lugar em que ele nunca estaria.

Cidades de Papel | Pôster brasileiro

Para piorar, esse é um filme tecnicamente pobre. A história passa por uma dezena de estados americanos, mas Schreier e seu diretor de fotografia David Lanzenberg são preguiçosos ao ponto de não mudar, nem mesmo que sutilmente, os ambientes (além da óbvia fotografia noturna e a pouca iluminação de um endereço importante na trama). Até o figurino é pobre, já que a misteriosa moça sequer tem algo diferente ou contestador no visual. Diferente de Margo, não há ousadia técnicas ou narrativas em Cidades de Papel. Se você começar a juntar os elementos, onde melhor parte é encurtada e a pior esticada, vai perceber que essa é uma história bem preguiçosa e que com pouquíssimo a dizer.

Veja o trailer de Cidades de Papel

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