Arquivo para a Categoria ‘Terror’

O Rastro | Crítica | 2017, Brasil

O Rastro é o terror que busca inspiração num dos maiores terrores do brasileiro: depender do SUS.

O Rastro (2017) | Crítica

Elenco: Rafael Cardoso, Leandra Leal, Natália Guedes, Claudia Abreu, Felipe Camargo, Jonas Bloch, Domingos Montagner | Roteiro: André Pereira, Beatriz Manela | Direção: J. C. Feyer | Duração: 110 minutos

Feyer levou para as telas um filme de terror bem nos moldes clássicos, mas que faz mais sentido aos brasileiros. O Rastro é, em suma, o retrato da saúde pública daqui contada pela ótica do horror. Não é preciso viver exclusivamente do SUS para termos noção disso – talvez se perguntarmos para quem viva exclusivamente dele conseguiremos uma resposta clara: viver contando com o sistema único brasileiro é como um pesadelo. Deixando isso de lado, o diretor acaba por prejudicar a sua obra ao exagerar nos gritos e na trilha sonora que vem num rompante para reforçar o susto na plateia, além de contar com algumas suspensões de descrença, se destacando pelo plano de fundo.

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Alien: Covenant | Crítica | Alien: Covenant, 2017, EUA

Ainda que melhor desenvolvido que seu predecessor, Alien: Covenant é um passeio facilmente esquecido no universo Alien.

Alien: Covenant | Crítica

Elenco: Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup, Danny McBride, Demián Bichir, James Franco | Argumento: Jack Paglen, Michael Green | Roteiro: John Logan, Dante Harper | Direção: Ridley Scott (Prometheus) | Duração: 123 minutos

Entre querer ou não largar o universo que criou – com mudanças de nome, negando e confirmando a presença do xenoformo – Riddley Scott tem em Alien: Covenant um filme melhor amarrado que seu antecessor, e assim como a produção de 2012 não impressiona. É um filme que cai no mal de várias sequências que é não conseguir contar uma história por si só. É também um conto de origens e como a maioria deles há problemas com ritmo e também uma leve tendência a se perder na discussão apresentada com vários signos da criação quando pende para a ação.

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Vida | Crítica | Life, 2017, EUA

Vida homenageia tanto outra grande franquia do terror especial que acaba se perdendo e ficando sem alma.

Vida (Life) 2017

Elenco: Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson, Ryan Reynolds, Hiroyuki Sanada, Ariyon Bakare, Olga Dihovichnaya | Roteiro: Rhett Reese, Paul Wernick | Direção: Daniel Espinosa (Protegendo o Inimigo) | Duração: 103 minutos

Imagine caminhar no calcanhar de gigantes, com comparações inevitáveis. Espinosa optou, mesmo com um orçamento e um elenco de peso em mãos, fazer uma grande homenagem ao gênero do terror espacial em Vida: nada de original, sem deixar de apontar essas influências, tanto clássicas quanto as mais modernas. Isso, em geral, deixa a produção com um ar de pouca personalidade, mas que ao menos tem momentos de tensão que serão suficientes para deixar o espectador atento e preso na história. E com pouquíssima ousadia, a história acaba valendo a pena mais para caçar as referências a entender a história em si.

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Fragmentado | Crítica | Split, 2017, EUA

Fragmentado mistura gêneros assim como seu protagonista mistura personagens, isso sem perder em nenhum momento a tensão, além do ser a ressurreição de M. Night Shyamalan.

Fragmentado (2017)

Elenco: James McAvoy, Anya Taylor-Joy, Betty Buckley, Haley Lu Richardson, Jessica Sula | Roteiro e Direção: M. Night Shyamalan (A Visita) | Duração: 117 minutos | Cena Extra

Quando um filme é tão tenso que você não consegue tirar os olhos da tela é ao mesmo tempo tão cheio de camadas, você deve parar para analisar além da superfície. Fragmentado não é só o retorno de M. Night Shyamalan ao posto de bom diretor; é também uma experiência que precisa ser compartilhada. Com poucos momentos para nos escondermos, e o diretor nos permite isso apenas nos flashbacks de uma personagem, a produção não se perde ao misturar gêneros – melhor seria dizer que eles emergem, assim como as múltiplas personalidades do protagonista. Mais uma vez sabendo como carregar a narrativa, o diretor nos leva para caminhos sombrios e desesperadores e consegue que sejamos partícipes de cada momento de horror e do desconhecido.

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O Chamado 3 | Crítica | Rings, 2017, EUA

O Chamado 3 é uma produção que deixa a franquia onde Samara estava em sua aparição anterior: no fundo do poço.

 O Chamado 3 (2017)

Elenco: Matilda Lutz, Alex Roe, Johnny Galecki, Vincent D’Onofrio, Aimee Teegarden, Bonnie Morgan | Roteiro: David Loucka, Jacob Aaron Estes, Akiva Goldsman | Baseado em: Ringu (Kôji Suzuki) | Direção: F. Javier Gutiérrez | Duração: 117 minutos

Seja Samara conhecida pelo remake de 2002 ou pela Sadako do original japonês, é fato que a personagem de úmidos cabelos compridos e pele murcha azulada faz parte do imaginário dos filmes de terror. E em O Chamado 3 tudo isso é colocado por água abaixo – e peço perdão pelo trocadilho. O roteiro é de uma previsibilidade monstruosa, as atuações são péssimas e os momentos-chave que deveriam assustar a plateia causam riso, o que destrói a experiência por completo. Mesmo que a intenção fosse fazer um filme descompromissado, nada justifica a falta de cuidado em quase todos os sentidos dessa desastrosa produção.

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Ouija: Origem do Mal | Crítica | Ouija: Origin of Evil, 2016, EUA

Ouija: Origem do Mal (2016)

Elenco: Henry Thomas, Annalise Basso, Elizabeth Reaser, Lulu Wilson, Parker Mack, Kate Siegel, Alexis G. Zall | Roteiro: Mike Flanagan, Jeff Howard | Direção: Mike Flanagan (O Sono da Morte)

Ouija: Origem do Mal homenageia grandes clássicos do terror e é o mais comum da carreira de Mike Flanangan

6/10 - "tem um Tigre no cinema"Para alguém tão prolífico como Mike Flanangan, não é de se espantar que trabalhos menores aparecessem mais cedo do que tarde. Na sua terceira produção em 2016 – anteriormente Hush: A Morte Ouve e Sono da MorteOuija: Origem do Mal é o filme mais comum do diretor. Com o peso de Michael Bay como produtor, Flanagan é contratado para dirigir e escrever apenas para estimular a venda de um jogo de tabuleiro. Essa abordagem mais comercial diminui o filme com seus sustos telegrafados e pouca sutileza. O que ajuda a produção é a atuação da mais jovem das atrizes, primazia pela estética, fotografia e figurinos. Porém, fica a sensação desta ser a mistura de outros melhores exemplos do gênero numa produção parcialmente eficiente.

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Kubo e as Cordas Mágicas | Crítica | Kubo and the Two Strings, 2016, EUA

Kubo e as Cordas Mágicas (2016)

Elenco: Charlize Theron, Art Parkinson, Ralph Fiennes, Rooney Mara, George Takei, Matthew McConaughey | Argumento: Shannon Tindle, Marc Haimes | Roteiro: Marc Haimes, Chris Butler | Direção: Travis Knight

Kubo e as Cordas Mágicas é um belíssimo filme que peca por ser comum demais, ainda que emocione em muitos pontos.

6/10 - "tem um Tigre no cinema"Por dentro da animação impecável de Kubo e as Cordas Mágicas bate um coração melancólico. É uma daquelas produções feita para as crianças que estão transitando de uma fase da vida para a outra, onde a percepção do mundo e de vida e morte já estão mais claras. Entre cenários e personagens fantásticos, encontramos um mundo rico em aventura e desafios, mas também cheio de dúvidas e perigos. Porém, ela é óbvia em alguns de seus mistérios, o que frustra a audiência mais madura, ainda que equilibre os elementos de aventura e sensibilidade. Não é apenas uma reflexão descompromissada e apoiada pela qualidade técnica, mas precisava ser menos comum.

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Demônio de Neon | Crítica | The Neon Demon (2016), EUA-Dinamarca-França

Demônio de Neon (2016)

Elenco: Elle Fanning, Christina Hendricks, Keanu Reeves, Jena Malone, Bella Heathcote | Roteiro: Nicolas Winding Refn, Mary Laws, Polly Stenham | Direção: Nicolas Winding Refn (Drive)

Demônio de Neon é uma experiência visual que não perde o rumo quando apresenta sua forma

9/10 - "tem um Tigre no cinema"Se antes Nicolas Winding Refn era mais direto, cru e até exagerado nos seus trabalhos anteriores, em Demônio de Neon há uma transcendência, quase como se estivesse filmando uma poesia. É o seu trabalho mais maduro, influenciado por diretores como Terrence Malick, mais ousado e recheado de metáforas, sendo algumas óbvias e outra nem tanto. Além de contar com uma narrativa interessante, esse é um daqueles filmes que devemos mergulhar sem distrações, na sala mais escura possível e sem barulhos externos. Em outras palavras, é uma experiência audiovisual como poucas e que não perde o conteúdo enquanto apresenta a sua forma.

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Bruxa de Blair | Crítica | The Blair Witch (2016) EUA

Bruxa de Blair (2016)

Elenco: James Allen McCune, Callie Hernandez, Brandon Scott, Valorie Curry, Corbin Reid, Wes Robinson | Roteiro: Simon Barrett | Direção: Adam Wingard (Você é o Próximo)

Bruxa de Blair peca onde o original se saia muito bem ao mostrar demais algo que não precisamos ver.

5/10 - "tem um Tigre no cinema"Existe algo mais assustador que ver: é o não ver, algo que o filme original comprovou. Voltando ao found footage, Bruxa de Blair não é marcante como a produção de 1999 principalmente por deixar a sutilidade de lado. Utilizando ao extremo os clichês do terror, ao ponto de se tornar cansativo, a continuação trabalha com um conceito interessantíssimo sobre o passado e como alguém pode se perder por não deixa-lo. No entanto, o filme põe quase tudo a perder indo pelo caminho mais fácil, sustos óbvios, gritos e trilha sonora por meio de rompantes, pecando por mostrar o que não precisava ser mostrado.

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O Sono da Morte | Crítica | Before I Wake (2016) EUA

O Sono da Morte (2016)

Elenco: Kate Bosworth, Thomas Jane, Jacob Tremblay, Annabeth Gish, Dash Mihok | Roteiro: Mike Flanagan, Jeff Howard | Direção: Mike Flanagan (O Espelho)

O Sono da Morte vem nos passos de filmes de terror com mensagens que vão além do susto pelo susto.

8/10 - "tem um Tigre no cinema"Mike Flanagan é uma pessoa bem ocupada. Só em 2016 tivemos o lançamento de Hush: A Morte Ouve (direto para a Netflix), o vindouro Ouija: Origem do Mal (previsto para outubro) e a estreia dessa semana O Sono da Morte. Passeando entre os papeis de diretor, roteirista e montador de seus filmes, Flanagan tem um gosto especial pelo suspense e pelo terror. Essa é a terceira vez que ele tem sucesso na empreitada, mas também o faz de maneira ousada. Ainda que o filme aposte em sustos fáceis da trilha sonora aguda e frames rápidos, há uma mensagem importante por trás da trama, algo que está se tornando comum para os filmes do gênero e por isso merecem serem acompanhados e discutidos.

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Quando as Luzes se Apagam | Crítica | Lights Out (2016) EUA

Quando as Luzes se Apagam (2016)

Elenco: Teresa Palmer, Gabriel Bateman, Billy Burke, Maria Bello | Roteiro: Eric Heisserer | Direção: David F. Sandberg

Apesar de alguns clichês do gênero, Quando as Luzes se Apagam consegue ampliar com competência o que já era bom do curta original.

8/10 - "tem um Tigre no cinema"O maior desafio de David F. Sandberg era transportar para longa metragem o excelente – e eficiente – curta de 2013. Quando as Luzes se Apagam estende a ideia original e do medo primário que muitos de nós tivemos pelo menos em alguma parte da vida. Mesmo que o diretor, em conjunto com o roteirista Eric Heisserer, abuse de alguns clichês do gênero do terror, ele é eficiente na maior parte da história. Como outros cineastas tem percebido o horror do tipo monstro da semana, levado a matar sem propósito – apena o susto pelo susto – precisa ser deixado para trás.

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Invocação do Mal 2 | Crítica | The Conjuring 2 (2016) EUA

Invocação do Mal 2 (2016)

Com Vera Farmiga, Patrick Wilson, Frances O’Connor, Madison Wolfe, Simon McBurney, Franka Potente. Roteirizado por Chad Hayes, Carey Hayes, James Wan, David Leslie Johnson. Argumento de Chad Hayes, Carey Hayes e James Wan. Dirigido por James Wan (Velozes e Furiosos 7).

Equilibrado e tenso, Invocação do Mal 2 confirma o posto do diretor James Wan nas produções sobrenaturais que funcionam.

8/10 - "tem um Tigre no cinema"Mesmo que depois de certa idade os filmes de terror não assustem – mesmo aqueles que insistem na pegadinha da música alta logo depois de um silêncio – é bom ver que ainda existem exemplos que deixem a audiência, no mínimo, em estado de tensão. Em Invocação do Mal 2 James Wan consegue trazer esse estado, seja pela menor presença dos sustos mais óbvios ou pela técnica de filmagem. O polivalente diretor está mais artístico nessa produção, usando planos sequência e menos cortes para dar uma visão mais humana ao relato de Enfield. Por mais que não acreditemos na história, ela faz bem o serviço de funcionar dentro de uma mitologia.

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