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Polícia Federal: A Lei é Para Todos | Crítica | Brasil, 2017

Polícia Federal: A Lei é Para Todos toma partido no grande cenário da política nacional, mas não é esse o problema do filme.

Policia Federal: A Lei é Para Todos | Crítica

Elenco: Antônio Calloni, Flávia Alessandra, Bruce Gomlevsky, Ary Fontoura, Marcelo Serrado | Roteiro: Gustavo Lipsztein, Thomas Stavros | Baseado em: Polícia Federal: A Lei é Para Todos (Carlos Graieb, Ana Maria Santos) | Direção: Marcelo Antunez (Até Que a Sorte nos Separe 3) | Cena Extra

É clara e muito óbvia a intenção de Polícia Federal: A Lei é Para Todos. Estrear num sete de setembro, com um apoio financeiro não-divulgado, a produção toma um lado e serve de propaganda, pois provavelmente a estreia do filme na TV a cabo coincidirá com as próximas eleições. Dito isso e tirando esse peso dos ombros, podemos analisar o filme como o que não deixa de ser também: um thriller de polícia que estamos acostumados no cinema hollywoodiano. E nesse quesito o resultado é abaixo do mediano. O diretor faz um filme didático demais, constantemente apelando para explicações por meio de narrações, frases clichês e personagens caricatos, ainda que traga algum tipo de discussão.

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A Lei da Noite | Crítica | Live by Night, 2016, EUA

A Lei da Noite é uma homenagem aos clássicos filmes de gangsteres, mas que pouco adiciona ao gênero.

Lei da Noite-FB

Elenco: Ben Affleck, Elle Fanning, Brendan Gleeson, Chris Messina, Sienna Miller, Zoe Saldana, Chris Cooper | Roteiro: Ben Affleck | Baseado em: Live by Night (Dennis Lehane) | Direção: Ben Affleck (Argo) | Duração: 129 minutos

Chegando um pouco antes da metade da projeção de A Lei da Noite, uma pergunta acaba aparecendo: por que vale a pena contar essa história? Isso não quer dizer que o roteiro é ruim ou a direção de Ben Affleck seja fraca. O que acontece é que a história costura temas já vistos em outras produções, tornando o filme uma homenagem ao gênero de gangsteres com pouco de novo a dizer. Com atuações excelentes e uma direção de artes fenomenal, o filme nos perde pela frágil motivação inicial do protagonista e uma tendência controladora com Affleck sendo o mandachuva de tudo – dentro e fora do filme.

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Mundo Cão | Crítica | (2016) Brasil

Mundo Cão (2016)

Com Babu Santana, Adriana Esteves, Lázaro Ramos, Milhem Cortaz, Thainá Duarte e Vini Carvalho. Roteirizado por Marcos Jorge e Lusa Silvestre. Dirigido por Marcos Jorge (Estômago).

Equilibrando temas da comédia e dos filmes policiais, Mundo Cão é uma agradável surpresa.

6/10 - "tem um Tigre no cinema"É preciso reforçar a mensagem de que o cinema brasileiro tem qualidade, se soubermos onde olhar. Mundo Cão é um filme divertido em vários momentos e se esforça em surpreender em outros sem apelar para ex-machinas ou soluções fantásticas. Seus personagens são críveis e conversam com a enorme parcela da população do país – você reconhecerá familiares, vizinhos e, provavelmente, a si mesmo nas desventuras do protagonista. Vale também porque o gênero é pouco explorado no cenário nacional.

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Presságios de um Crime | Crítica | Solace (2016) EUA

Presságios de um Crime, novo filme do diretor de 2 Coelhos, tem elementos interessantes e um elenco com grandes nomes.

Presságios de um Crime (2016)

Com Anthony Hopkins, Colin Farrell, Jeffrey Dean Morgan e Abbie Cornish. Roteirizado por Peter Morgan, Sean Bailey e Ted Griffin. Dirigido por Afonso Poyart (2 Coelhos).

5/10 - "tem um Tigre no cinema"Entre alguns temas universais de como se contar uma história estão a redenção, a vida e a morte. Presságios de um Crime se sustenta nisso, além da sua execução – e que podemos ver de novo algumas assinaturas do diretor – na escolha do protagonista e antagonista e dos seus coadjuvantes. Sua reminiscência com outros filmes de assassinos em série pode fazer que os espectadores façam comparações com exemplos mais famosos. Há uma sensação muito clara de ser o clássico projeto em que o estúdio contrata um diretor para fazer um trabalho quase ditado pelos produtores, ainda que Poyart consiga fazer brincadeiras visuais que fizeram parte de seu primeiro filme.

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Aliança do Crime | Crítica | Black Mass (2015) EUA

Black Mass, 2015

Com Johnny Depp, Joel Edgerton, Benedict Cumberbatch, Dakota Johnson, Kevin Bacon, Peter Sarsgaard e Jesse Plemons. Roteirizado por Mark Mallouk e Jez Butterworth, baseado no livro de Dick Lehr e Gerard O’Neill. Dirigido por Scott Cooper (Coração Louco).

8/10 - "tem um Tigre no cinema"O clima de Aliança do Crime já foi visitado antes. Você perceberá em alguns momentos inspirações – até mesmo homenagens – de filmes de gangster da década retrasada e além. Isso não quer dizer, porém, que o filme não tenha seu próprio brilho. A biografia de um personagem inteligente e desconhecido pelo público brasileiro tem um Johnny Depp fugindo daqueles personagens extremamente caricatos, uma persona raramente encarnada por ele recentemente. O ator ainda trabalha por baixo de muita maquiagem, é verdade, mas está longe de ser limitado por ela. Scoot Cooper mostra o lado sujo e a podridão dos poderes estabelecidos numa narrativa muitas vezes tensa e ameaçadora, onde não sabemos de onde vem o tiro.

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Sicario: Terra de Ninguém | Crítica | Sicario, 2015, EUA

Sicario: Terra de Ninguém é um filme tenso e pesado que fará você questionar seus próprios princípios.

Sicario, 2015

Com Emily Blunt, Josh Brolin, Benicio Del Toro e Jon Bernthal. Roteirizado por Taylor Sheridan. Dirigido por Denis Villeneuve (Os Suspeitos).

10/10 - "tem um Tigre no cinema"Seria um exercício interessante assistir o último filme de Spielberg e logo depois a nova produção de Denis Villeneuve, puramente pela proximidade das estreias. Enquanto um se mostra um fã da humanidade o que temos em Sicario: Terra de Ninguém é o oposto. Um filme tenso do começo ao fim, sem espaço para descanso e que mostra o pior lado do ser humano e como ser pego no fogo cruzado pode nos afetar. Discussões entre moralidade, leis e o que é certo e errado serão seus companheiros nessa desventura. Enquanto acompanhamos personagens detestáveis que dobram a lei como bem querem a reflexão que fica é o que faríamos no lugar deles.

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Trash – A Esperança vem do Lixo | Crítica | Trash, 2014, Reino Unido

Trash, 2014

Com Rickson Tevez, Eduardo Luis, Gabriel Weinstein, Wagner Moura, Selton Mello, Martin Sheen, Stepan Nercessian e Rooney Mara. Roteirizado por Richard Curtis (Cavalo de Guerra), baseado no romance de Andy Mulligan. Dirigido por Stephen Daldry (Tão Forte e Tão Perto)

8/10 - "tem um Tigre no cinema"Trash – A Esperança vem do Lixo é um filme para quebrar alguns paradigmas, pois se trata de uma produção inglesa com alma brasileira. O diretor Stephen Daldry trata com respeito o nosso cenário ao apostar em atores brasileiros, quando seria bem mais fácil usar gente falando sua língua nativa. Para quem é daqui, há uma sensação de familiaridade. Quem vê de fora, de veracidade. Afinal de contas, quantas vezes você achou estranho alguém falar em inglês e ser respondido em russo? Além disso, é um ótimo drama que mistura aventura, violência e o senso de justiça, que pode existir até nos mais feio dos lugares.

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Os Suspeitos | Crítica | Prisoners, 2013, EUA

Prisioners, 2013

Com Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal, Viola Davis, Maria Bello, Terrence Howard, Melissa Leo e Paul Dano. Roteirizado por Aaron Guzikowski. Dirigido por Denis Villeneuve (Incêndios).

10/10 - "tem um Tigre no cinema"É preciso que a nossa mente seja desafiada constantemente. “Os Suspeitos” é uma daquelas produções que amarram com excelência simplesmente tudo. Roteiro, direção, atuações, fotografia, música, montagem, nada escapou dos olhos de Denis Villeneuve na história que transforma todos em Prisioneiros – título que deveria ter sido mantido em português –, inclusive nós espectadores. Além de ser tenso e denso, o diretor entrega as pistas sutilmente, e mostra como um filme de suspense deve ser.

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Caça aos Gangsteres | Crítica | Gangster Squad, 2013, EUA

Caça aos Gangsteres traz um ótimo elenco e tem momentos divertidos, mas é lotado de personagens caricatos.

Caça aos Gangsteres

Com Josh Brolin, Ryan Gosling, Sean Penn, Nick Nolte, Emma Stone, Anthony Mackie, Giovanni Ribisi, Michael Peña e Robert Patrick. Roteirizado por Will Beall. Baseado no livro de Paul Lieberman. Dirigido por Ruben Fleischer (Zumbilândia).

6/10 - "tem um Tigre no cinema"Ao sair da sessão de “Caça aos Gangsteres” o sentimento é dúbio. Por uma lado, temos um filme bem produzido, com um elenco gigante de qualidade, e com momentos espirituosos e engraçados. Por outro lado, temos personagens caricatos, quase beirando o cartunesco, e uma história mediana. Com o elenco que tem e com o diretor de um filme ótimo (Zumbilândia, de 2009), poderia ser um grande filme, mas se perdeu por exagerar e tentar ao dar um ar aos para personagens que não tinha razão de serem assim.

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O Homem da Máfia (Killing Them Softly, 2012, EUA) [Crítica]

Com  Brad Pitt, Richard Jenkins, James Gandolfini, Ray Liotta, Scoot McNairy, Ben Mendelsohn e Sam Shepard. Baseado no romance de  George V Higgins. Escrito e dirigido por Andrew Dominik (O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford).

O mundo da máfia está cheio de seres desprezíveis e detestáveis. E Andrew Dominik mostra isso com primor na sua terceira empreitada no cinema com “O Homem da Máfia”, ao nos contar uma história cheia de violência, torpor e tridimensionalidade dos personagens. Existe também uma crítica ao período de transição entre o fim da presidência Bush e a eleição de Obama, mas também à política em geral, e até mesmo à história oficial e amplamente conhecida. O filme é um primor aos olhos, passando pelas atuações, direção, e decisões de câmeras e fotografia, e até a falta de trilha sonora nos trazem uma imperdível produção.

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Os Infratores | Crítica | Lawless, 2012, EUA

Mesclando boas e más atuações Os Infratores conta por meio de um núcleo familiar a mudança que os EUA passaram na época da Lei Seca.

Com Tom Hardy, Guy Pearce, Gary Oldman, Jessica Chastain, Mia Wasikowska e Shia LaBeouf. Roteirizado por Nick Cave (A Proposta), baseado no romance de Matt Bondurant. Dirigido por John Hillcoat (A Estrada).

Um filme que reúne no elenco dois atores que participaram de grandes franquias recentes do cinema (Batman de Nolan e Transformers), e outro ator muito conhecido no meio cinematográfico, que também esteve envolvido em um blockbuster recente (Prometheus) é um grande chamariz para uma produção. O filme de gângsteres “Os Infratores” trata do período da chamada “Lei Seca” nos EUA, que aconteceu no começo dos anos 1930. Hillcoat conta a história de três irmãos que eram lendas dessa época, baseado seu filme em fatos (supostamente) reais e num livro. O filme mescla boas e más atuações e um direção coesa. E o grande trunfo do filme de Hillcoat é mostrar a mudança que os EUA passam, representada pelo irmão mais novo, encarnando o “progresso”, e de seus dois irmãos, que representam a maneira antiga de se fazer negócio.

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Selvagens | Crítica | Savages, 2012, EUA

Selvagens não é o melhor exemplo do cinema de Oliver Stone, tem atuações péssimas, mas mostra um mundo cheio de contrastes.

Selvagens

Com Taylor Kitsch, Blake Lively, Aaron Taylor-Johnson, John Travolta, Benicio del Toro e Salma Hayek. Roteirizado por Shane Salerno, Don Winslow e Oliver Stone, baseado no livro de Don Winslow. Dirigido por Oliver Stone (Platoon).

Oliver Stone volta à tela grande com um filme violento, baseado num livro que não li, e que mostra um mundo de contrastes, permeado por drogas e violência, mas também cheio de amor (uma versão deturpada dele na verdade). A história policial não envolve nenhum tipo de santo. O roteiro escrito à seis mãos tem personagens quase detestáveis, tendo ao menos um momento que os torna humanos. A violência gráfica empregada no filme pode chocar alguns, mas é bem colocada para mostrar a crueldade da máfia mexicana. No fim das contas, “Selvagens” tem uma história interessante, mas com erros de percalço, e com atuações que vão de ótimas, passando por caricatas e terminando com sofríveis. Mas apresenta um Stone que ainda tem vontade fazer cinema.

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Protegendo o Inimigo (Safe House, 2012, EUA) [Crítica]

Protegendo o Inimigo figura como mais um filme de Denzel Washington e dificilmente será lembrado quando falarem do gênero policial/ação.

Protegendo o Inimigo

Com Denzel Washington, Ryan Reynolds, Vera Farmiga e Brendan Gleeson. Roteiro de David Guggenheim. Dirigido por Daniel Espinosa.

Eu poderia resumir “Protegendo o Inimigo” com a frase clássica “been there, done that“. O filme se sustenta na atuação mister de Denzel Washington, no (pouco) carisma de Ryan Reinolds e na única cena de perseguição na Cidade do Cabo. Os problemas são comuns nesses filmes de ação. É verdade que não se pode fugir muito no gênero da reciclagem de ideias e situações que já vimos em outros filmes. Mas enquanto outras produções como a Trilogia Bourne tem um drama complexo de base, “Protegendo o Inimigo” tem um drama bem mais raso e que nem sequer criamos empatia com os personagens.

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Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992, EUA) [Crítica]

Com Harvey Keitel, Tim Roth, Chris Penn, Steve Buscemi, Lawrence Tierney e Michael Madsen. Escrito e dirigido por Quentin Tarantino (Kill Bill).

“Cães de Aluguel” é um filme cheio de ótimos momentos, que não são prejudicados pela falta de linearidade. Quentin Tarantino nos mostra a história desse jeito para que criemos empatia com os personagens. Apesar de criminosos, os cinco senhores das cores estão na jornada do herói, e se fossem mostrados como um bando que planejava roubar jóias, e que na figura do Sr Golde não tinha muito valor para com a vida humana, não seriam os personagens marcantes que são. A introdução mostrando o conhecimento de cultura pop nos mostra que esses criminosos não pensam apenas no que vão fazer. Filosofar sobre esses assuntos é uma quebra do perfil normalmente atribuído à um ladrão em outros filmes de crime, onde a cena introdutória é a revisão do plano de ação. E isso tudo para servir a díspar cena seguinte, com um dos personagens que acabamos de conhecer ensanguentado e chorando desesperadamente pelo medo de morrer.

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O Segredo dos seus olhos (El secreto de sus ojos, 2009, Argentina) [Crítica]

Com Ricardo Darín, Soledad Villamil e Guillermo Francella. Escrito por Eduardo Sacheri e dirigido por Juan José Campanella (O Filho da Noiva). Depois de alguns anos de exílio, o detetive Benjamín Esposito volta para sua cidade natal. Aposentado, ele começa a escrever um livro sobre um caso que investigou nos anos 1970, e que ficou mal-resolvido.

O filme se passa em dois momentos diferentes: 1974 e 1999. Benjamín Espósito (Dárin) é um agente federal que volta para a capital e começa a escrever um romance sobre um caso que investigou que terminou mal-resolvido, que envolvia um estupro seguido de assassinato. Ele pede opinião da juíza e amiga Irene (Soledad) porque ela também participou da investigação, e que mexeu muito com ambos. O roteiro é adaptado de um livro, mas o bom é que do próprio roteirista. Dotado de um direção belíssima, esse filme te leva pelo caminho da investigação, do romance e das paixões dos personagens. Além da maestria do roteiro, a cenografia (que vai vem entre os anos 1970 e 1990) e a maquiagem (que tanto envelhece e rejuvenesce os atores) entram no conjunto para elevar mais a qualidade da película. O filme conta com uns cortes fade-in e fade-out pretos, que parecem que vão encerrar o filme. Isso quebra um pouco o ritmo do filme, mas é o único porém. Se o cinema argentino for tão bom assim, o caminho é ver mais. Pra te dar mais um motivo pra assistir, ele ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010.

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